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19/4/2010
CLIPPING - ABRH NACIONAL 19/04/2010
 

ABRH

Há 5 mil vagas em Joinville 

A NOTÍCIA - WEB - 18/04/10

Há 5 mil vagas de trabalho em abertas em Joinville em diferentes áreas e funções. O apagão profissional é consequência da baixa qualificação dos candidatos. Os salários no chão de fábrica estão subindo até 8%. E está 30% mais caro recrutar executivo. Ainda há empresas provincianas na cidade de 500 mil habitantes. A gestão precisa partir para a descentralização de poder e abandonar o autoritarismo. As análises são do presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-Joinville), Pedro Luiz Pereira – um crítico com olhos voltados para o futuro.
PERFIL
Pedro Luiz Pereira, 50 anos, é presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-Joinville). Bacharel em economia pela Univille, com pós em gestão da qualidade e produtividade pela Univille/UFSC e em RH pelo Instituto Superior de Pós-graduação de Curitiba, é diretor de desenvolvimento humano e organizacional da Brascola. Trabalhou na MCI Informática, Datasul, Pollux Machine Vision e foi consultor da QSH Gestão Inteligente. Foi diretor executivo da Associação Empresarial de Joinville. Gosta de ler livros (“fujo de best-sellers”), ir ao cinema e jogar futebol.
ESTILO DE GESTÃO
Sou conhecido como um líder educador, crítico, considerado “rebelde” no meio. Tenho um perfil inovador e pragmático. Objetividade é fundamental num ambiente dinâmico e competitivo como o que vivemos hoje. As decisões precisam ser rápidas. Geralmente, quando se forma um comitê para discutir determinado tema, a coisa vai longe. Praticidade é a palavra de ordem.
RH ESTRATÉGICO
Quantas empresas de Joinville têm o cargo de diretor de recursos humanos na sua estrutura de hierarquia? A área ainda não é encarada como estratégica. Deveria ser. As empresas de Joinville têm características positivas, como a preocupação com a qualidade e a seriedade no comando, mas existem lacunas. Entre elas, a de revisão do modelo de gestão paternalista e autoritário para um modelo de multiplicação do conhecimento e descentralização de poder.
MOBILIDADE
Em alguns casos, Joinville continua provinciana, apesar de ser o município mais rico e com a maior população de SC. E as universidades não debatem, nem refletem a cidade. Há, de parte das empresas de Joinville, maior procura por profissionais de outras cidades. A mobilidade de trabalho é grande. E as empresas de Joinville também vêm perdendo profissionais para companhias de cidades próximas, como Gaspar, Timbó e Itajaí. Há muita gente do Rio Grande do Sul aqui. É um fenômeno que começou nos anos 90 do século passado. Lá havia (há) boas universidades e, aqui, empresas precisando de gente.
PODER PÚBLICO
O poder público não tem concorrente. Se atender bem, ótimo. Se não, tanto faz porque o cidadão tem de ir até ele para resolver problemas. O poder público (em todas as suas esferas) vai demorar mais para se ajustar à qualidade em gestão. A Prefeitura de Joinville já tem gestor de recursos humanos. É um início. Na maioria das prefeituras não tem.
DESENVOLVIMENTO
O desenvolvimento econômico é comprometido por causa do baixo nível de desenvolvimento humano. Significa dizer: a baixa qualificação das pessoas dificulta a competitividade das empresas brasileiras no cenário global.
SISTEMA EDUCACIONAL
As instituições e o sistema educacional não acompanharam a evolução dos negócios. O professor não consegue acompanhar, na mesma velocidade, as transformações que acontecem no mercado de trabalho. Por exemplo, hoje se fala em gestão por valores (das empresas e das pessoas). Até há algum tempo, se falava em gestão por competências. As universidades não sabem selecionar o que devem transmitir entre o conjunto vasto de conhecimentos. Falta orientação, falta senso crítico. Enquanto as empresas pagarem salários bem maiores do que as universidades, continuará este gap (distância).
MÃO DE OBRA
O apagão da mão de obra já estava previsto em 2009. Atualmente, há 1,6 milhão de vagas de trabalho em aberto em todo o País. E que não foram preenchidas por falta de qualificação dos candidatos. O brasileiro não prioriza a educação porque luta pela sobrevivência no dia a dia, e se utiliza do “jeitinho”.
5 MIL VAGAS
Há dezenas de empresas buscando talentos. O que mudou é que a cúpula pensante nas organizações é maior do que era anteriormente. As decisões são mais colegiadas. É muito difícil encontrar gente preparada para funções técnicas especializadas, e profissionais de gestão, de marketing, de vendas e de produção, em geral. Numa conta rápida, há 5 mil vagas abertas em Joinville e que estão disponíveis para serem preenchidas.
SALÁRIOS
Os executivos estão conquistando salários mais elevados. A alta é de 30%, em média, principalmente nos grandes centros. Executivos de outras regiões tendem a dominar o mercado de Joinville. O problema é que eles têm de escolher entre melhor qualidade de vida (em Joinville) e adequada atualização profissional (em São Paulo). Selecionar e manter profissionais é o maior desafio. Anteriormente, a maior preocupação das companhias era com aspectos sindicais e legais; depois, veio a fase de busca por mais produtividade. Agora, estes são fatores importantes, mas complementares.
GERAÇÃO
As gerações mudaram, mas as empresas de Joinville não mudaram a forma de fazer seleção e o treinamento. A chamada geração canguru entra no mercado de trabalho mais tarde. Isso muda a relação entre a empresa e o candidato. As companhias têm de evoluir para uma gestão mais socializadora; têm de ter competências de comunicação. É uma ferramenta importante, hoje.
INDISCIPLINA
Há indisciplina de profissionais do chão de fábrica. Eles mudam de emprego para ganhar um pouco mais no concorrente. A tabela salarial no nível da produção está subindo de 7% a 8%, em alguns casos. Por exemplo: manter ajudantes de produção é muito difícil.
CRACK NAS EMPRESAS
As empresas precisam participar e se engajar mais na luta para combater a droga e o crack, em particular. O estresse e os problemas emocionais preocupam cada vez mais as empresas. Se até há algum tempo a maior preocupação era com os acidentes de trabalho, agora o estresse é a primeira preocupação. Uma consulta rápida mostra que a preocupaçção com drogas existe, mas nada específico em relação ao crack. A Buschle & Lepper faz campanha interna permanentemente sobre drogas em geral. É certificada Sassmaq – Sistema de Avaliação de Segurança, Saúde, Meio Ambiente e Qualidade – que tem como requisito essa questão. Na Cia. Águas de Joinville há um ciclo de palestra sobre drogas e o crack é um dos temas principais.

Estágio no exterior ajuda na conquista de uma vaga 

O POPULAR - WEB - 19/04/10

Vivência num país estrangeiro soma pontos na avaliação de empresas com visão global de mercado, principalmente as multinacionais
Se o estágio é essencial para que o recém-formado adquira experiência e visão de mercado para um bom desempenho profissional, optar por fazê-lo fora do País pode ser o diferencial decisivo para a conquista de uma vaga no mercado de trabalho.
A vivência num país estrangeiro é acompanhada de um pacote de características importantes na avaliação dos empregadores, principalmente das empresas com visão mais global de mercado, explica a presidente da regional goiana da Associação Nacional de Recursos Humanos (ABRH), Dilze Percílio. A primeira delas é a fluência numa segunda língua.
Mesmo que o profissional tenha estudado o idioma e saiba expressá-lo corretamente, a prática no dia a dia entre os nativos aperfeiçoa o sotaque e a agilidade da conversação, o que é importante para cargos em multinacionais, por exemplo. Outro ponto valorizado é o amadurecimento que a experiência proporciona ao estudante, que, normalmente, sai da casa dos pais no Brasil para enfrentar uma situação adversa num país estranho.
“Ele vai aprender a administrar as mais variadas situações, como lidar com uma família estranha, uma cultura diferente, coordenar seu orçamento e seu tempo de trabalho, além de ampliar sua visão de mundo”, enfatiza.
A experiência fora do País também é valorizada pela diversificação de contato com o mercado: quem está fora conhece outras economias, outras dinâmicas de trabalho e culturas profissionais que lhe permitem construir um perfil de carreira mais completo, capaz de propor estratégias alternativas de trabalho.
Por isso, é importante que o estágio esteja ligado diretamente à área em que o profissional pretenda atuar. Nesse sentido, a presidente da ABRH Goiás sugere ainda que o estagiário tente conciliar o tempo em que estiver fora do País para fazer também um curso de aperfeiçoamento profissional, como uma pós-graduação ou extensão.
“Já para os estudantes mais jovens, que estejam no início da graduação, mesmo que o estágio seja em outra área ou em funções operacionais, vale à pena ir pela experiência e par adquirir fluência na língua”, ressalta. Foi o caso do estudante de Economia Felipe Resende Oliveira.
Ele passou mais de três meses numa cidade do interior do Estado do Colorado (EUA), atuando como camareiro e na área de operação de lavanderia numa rede hoteleira. Embora o trabalho tenha sido mais operacional, ele diz que a viagem foi uma oportunidade importante para que conhecesse a realidade de trabalho e a cultura do País que tem a maior economia do mundo.
“O que encontrei lá foi muito mais do que eu esperava. Ampliei minhas perspectivas, interagi com pessoas do mundo todo, tive outros conhecimentos tecnológicos. Ganhei experiência de vida. E aperfeiçoar o inglês foi só uma consequência”, ressalta.
Conseguir uma vaga de estágio fora do Brasil não é tão simples. Segundo a gerente da Central de Intercâmbio (CI) em Goiânia, Andréia Vasconcelos, o número de goianos que saem do País com este fim ainda é pequeno, porque a maioria não se encaixa no perfil exigido para os programas de estágio.
“O aluno tem de entender que ele não está saindo para fazer um curso de línguas. Por isso, é preciso, no mínimo, um nível intermediário do idioma do País para onde pretende ir”, destaca. Janaina Castro, gerente da filial da Student Travel Bureau (STB) em Goiânia, outra agência de intercâmbio, diz que, além do idioma do País de destino, as empresas, em sua maioria, exigem que o candidato saiba também inglês.
Cada programa de estágio tem seus critérios de seleção. Existe uma faixa etária exigida: o mínimo é 18 anos e a máxima é variável, mas boa parte é por volta de 30 anos. A maioria também exige que o candidato esteja matriculado em algum curso de graduação ou que seja recém-formado.
Outro detalhe: nem todos são remunerados. “Quem pensa em estagiar fora não vai pelo dinheiro, mas pelo que ele vai ganhar com a experiência”, afirma Janaina. Para participar, o estudante tem de pagar pelo programa escolhido na agência, após passar pela seleção. Cada programa tem um custo.
Para a China, pela STB, por exemplo, são US$ 908 , com duração de três ou seis meses. Já o estágio vinculado ao IAS, pela CI, que oferece oportunidades em mais de 90 países, custa R$ 690, além de R$ 78 de inscrição e uma taxa de R$ 300 de seguro, que é devolvida na conclusão do estágio.

ABRH-RS promove o curso de Finanças Para Não Financeiros 

COMUNIQUE-SE - WEB - 16/04/10

A capacitação acontece no dia 19 de abril, das 8h30 às 17h30, na sede da entidade, em Porto Alegre. As inscrições estão abertas e podem ser realizadas no site www.abrhrs.com.br
A Associação Brasileira de Recursos Humanos, seccional Rio Grande do Sul (ABRH-RS) realiza, no dia 19 de abril, o curso de Finanças Para Não Financeiros. Com oito horas de carga horária, a capacitação acontece em Porto Alegre, na sede da entidade (Rua dos Andradas, 1234 sala 1802). As inscrições estão abertas e podem ser realizadas o site www.abrhrs.com.br.
Ministrado pelo administrador de empresas, com especialização em Recursos Humanos pela FGV, Clóvis Martins da Silva, o curso fornece os conceitos e fundamentos básicos sobre contabilidade e finanças, que permitam a leitura e compreensão das Demonstrações Financeiras.
Mais informações no site www.abrhrs.com.br ou pelo telefone (51) 3254-8222.
Serviço
Finanças Para Não Financeiros
Quando: 19 de abril
Horário: das 8h30 às 17h30
Carga horária: 8 horas
Instrutor: Clóvis Martins da Silva 
Local: ABRH-RS (Rua dos Andradas, 1234 sala 1802 – Porto Alegre) Inscrições: www.abrhrs.com.br
Informações: (51) 3254-8222 ou pelo e-mail formacao@abrhrs.com.br

Mundo do trabalho

Os senhores do emprego 

ISTOÉ - CAPA - SÃO PAULO - 21/04/10 - Nº 2110 - Pg. 54 a 61

Sobram vagas em diversos setores da economia e os profissionais são cada vez mais disputados. Saiba quem são os empresários que estão contratando e como você pode abraçar as oportunidades 
Por Hugo Cilo
Vinte anos atrás, o economista americano Jeremy Rifkin, em seu livro O fim dos empregos, previu que em duas décadas – exatamente nos dias de hoje – o mercado de trabalho seria um retrato perfeito do caos e que grandes empregadores seriam apenas gestores de tecnologia, não mais de pessoas. A julgar pelo Brasil, ele se equivocou nas duas previsões.
A taxa de desemprego segue em queda há quase uma década. Em 2002, atingia 12,6% da população economicamente ativa, bem superior aos atuais 7,2%. No ano passado, em plena retração econômica global, foram criados mais de um milhão de empregos formais, marca que deverá ser batida nos primeiros quatro meses de 2010.
“É a melhor fase do emprego de todos os tempos”, vibrou o ministro do Trabalho, Carlos Lupi. De fato é. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), dois milhões de vagas serão criadas até dezembro. A performance do emprego, turbinada pela reação da atividade econômica, surpreende até os mais otimistas.
No primeiro trimestre, as contratações bateram recorde histórico, com a criação de 657 mil postos de trabalho, quase 6% acima do que se previa, segundo dados do Ministério do Trabalho. Em algumas atividades, há muito mais oportunidades do que candidatos – é o caso da engenharia, da contabilidade, da construção civil e dos setores petroquímico e de metalurgia, entre inúmeros outros.
São oportunidades que contemplam desde o operário até o mais alto executivo. E nesse cenário de pujança econômica, em que o pleno emprego parece mais real que o fim da mão de obra humana, aqueles empresários que, para o economista Rifkin, administrariam apenas robôs hoje são personagens reais que fazem do ato de contratar e reter talentos gestos determinantes para o sucesso de suas empresas.
Não existe no País setor que espelhe melhor essa nova realidade do que o de petróleo e gás. A exploração das reservas do pré-sal e a expansão dos investimentos da Petrobras em várias regiões brasileiras abrirão 50 mil vagas em 2010. Desse total, a demanda será por mão de obra de nível básico (64%), nível médio (30%) e superior (6%).
Grande parte das oportunidades surgirá dentro de empresas parceiras da estatal ou contratadas para realizar grandes obras de infraestrutura. Mas não é só isso. A própria companhia tem planos ambiciosos. “Nossa meta é abrir dez mil novos postos de trabalho até 2013”, disse à DINHEIRO José Sergio Gabrielli, presidente da Petrobras.
Além de suprir a demanda com a expansão das atividades do setor, o executivo acredita que a empresa precisa preencher rapidamente o abismo salarial que existe entre os funcionários com menos de oito anos de companhia – e, portanto, com menos experiência – e os que têm mais de 18 anos de casa, que estão próximos da aposentadoria.
Encontrar mão de obra qualificada, porém, não tem sido tarefa fácil para a empresa e suas parceiras. A saída da estatal será reforçar a área de treinamento e qualificação de funcionários – só neste ano cerca de 60 mil trabalhadores passarão pelos bancos da universidade Petrobras, destinada exclusivamente à formação de profissionais da estatal e de seus fornecedores.
“Em tempos de competição acirrada, não basta apenas formar”, disse Gabrielli. “Tão importante quanto qualificar nossos trabalhadores é desenvolver políticas de retenção com boa remuneração e perspectiva de carreira. Se você não for muito preciso neste ponto, acaba perdendo o trabalhador no qual investiu tempo e dinheiro.” Não é o caso da estatal. Hoje, o turn over (expressão utilizada para definir o índice de rotatividade dos empregados) está abaixo de 1%.
Assim como Gabrielli na área de petróleo e gás, poucas personalidades da economia refletem tão bem essa fome por contratações como os executivos que estão à frente das maiores redes varejistas do País. Juntos, Jean-Marc Pueyo, do Carrefour; Abilio Diniz, do Pão de Açúcar; e Hector Nuñes, do Walmart, serão responsáveis por mais de 30 mil contratações neste ano.
No Walmart, as novas 100 lojas que serão abertas gerarão pelo menos dez mil oportunidades de emprego, a mesma quantidade de efetivações de 2009. A rede, a partir deste ano, pagará um bônus de um salário a mais aos funcionários das lojas que baterem as metas de venda. “Temos vagas disponíveis para todos os tipos de cargos: açougueiros, padeiros, peixeiros, supervisores, gerentes e até executivos”, diz Marcos Próspero, vice-presidente de capital humano do Walmart. Movimento semelhante se repete nas empresas concorrentes. Em 2009, o Carrefour criou mais de 4,4 mil postos diretos de trabalho no Brasil.
Em 2010, a previsão inicial de cinco mil novas vagas de emprego já foi revista e poderá atingir dez mil vagas, graças aos planos de abertura de 70 lojas. “Acreditamos no potencial de crescimento do País e essas novas oportunidades de trabalho reforçam ainda mais o nosso compromisso com o Brasil”, afirmou o diretor-superintendente do Carrefour, Jean-Marc Pueyo, à DINHEIRO. E ele precisa crescer, pois acaba de perder a liderança do varejo para o Pão de Açúcar. Por isso, até 2011, o Carrefour pretende investir R$ 2,5 bilhões no País. Coincidência ou prova da concorrência entre as companhias, o Pão de Açúcar, do empresário Abilio Diniz, recrutará outros dez mil profissionais.
O rápido crescimento do mercado de trabalho tem forçado mudanças nas relações trabalhistas, em que uma boa indicação chega a valer mais do que um bom currículo. “Acabou aquela história de que o patrão manda de forma autoritária e o funcionário obedece por medo de ser demitido. Hoje, com o mercado aquecido, as empresas não querem perder bons funcionários e, em razão disso, os talentos são cada vez mais valorizados”, diz o consultor em emprego Scher Soares.
“A disputa pelos melhores profissionais exige estratégias criativas dos grandes contratantes. Afinal, quando se perde um funcionário, perde-se conhecimento, algo cada vez mais valioso no concorrido universo dos negócios”, garante o consultor. Um termômetro fiel dessa tese é a própria massa salarial.
Ela tem subido de forma impressionante desde as atividades com salários mais baixos até os cargos de alto escalão – evidentemente influenciada pelo velho teorema econômico da relação oferta-demanda. Entre 2003 e 2009, o salário médio de admissão subiu 26,65%. Significa que o mercado de trabalho, que antes oferecia uma média de R$ 640,30 iniciais, passou a pagar R$ 780,56 para recém-contratados no final do ano passado. A alta se mantém neste ano. Em março, a remuneração passou para R$ 816,70. 
Na Teleperformance, a maior empresa de call center do mundo, remunerar bem os funcionários é quase um dogma, segundo o presidente Paulo César Salles Vasques. Enquanto suas principais concorrentes pagam, em média, R$ 600, os operadores de telemarketing da multinacional francesa ganham R$ 3 mil.
“Somos muito exigentes na seleção e pagamos melhor para ter os melhores profissionais”, justificou o presidente da companhia no Brasil. “Precisamos contratar operadores que sejam bilíngues e tenham boa formação”, diz ele. A empresa, dona de um faturamento global de US$ 2,6 bilhões em 2009, pretende aumentar seu quadro de funcionários no Brasil de oito mil pessoas para 12 mil empregados até o fim do ano.
Outro setor que tem contratado muitos profissionais para atender à demanda de mercado é o automobilístico. A operação da Fiat no Brasil, por exemplo, tornou-se a mais importante do grupo italiano e, para manter os resultados, Cledorvino Belini, presidente da empresa no País, está contratando um batalhão de gente.
Em apenas 60 dias, a montadora, hoje com 15,3 mil funcionários, recrutou mil empregados para departamentos que vão da engenharia ao chão de fábrica. Detalhe: até o fim do ano, a Fiat deverá contratar mais mil pessoas. “A geração de empregos é diretamente proporcional à expansão do mercado interno e externo”, diz Belini à DINHEIRO. Mas nem sempre é possível preencher os postos com tanta facilidade.
A Ford que o diga. Das 109 vagas voltadas para engenheiros abertas pela montadora neste ano, apenas 34 foram preenchidas. “Queremos contratar. Precisamos contratar. Vamos investir R$ 4 bilhões no Brasil e, evidentemente, isso exige ampliação de nosso quadro de colaboradores”, disse à DINHEIRO o presidente da Ford América do Sul, Marcos de Oliveira. “Mas o quesito qualificação ainda é um obstáculo a ser vencido.”
Durante décadas o Brasil foi um grande exportador de mão de obra barata. Muitos brasileiros partiam em busca de oportunidades nas grandes economias, como Estados Unidos, Europa e Japão. Agora, tem ocorrido o movimento inverso. Nos últimos dois anos, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT),
450 mil brasileiros voltaram para buscar empregos por aqui e até os estrangeiros estão mirando o Brasil como um novo polo gerador de empregos e de bons salários. É o que se percebe nos quadros da consultoria Accenture Brasil. Por falta de profissionais qualificados, a empresa passou a importar mão de obra. A companhia mantém 180 mil funcionários em todo o mundo – 7,8 mil deles no Brasil.
“Neste ano, os pedidos de projeto na área de serviços de tecnologia se multiplicaram”, destacou o presidente da companhia, Roger Ingold. Ele está garimpando o mercado de trabalho em busca de talentos para preencher as 1,5 mil vagas abertas neste ano. “Para dar conta de atendê-las, tivemos de pedir ajuda a equipes de outros centros da companhia no mundo, como a Índia”, acrescenta o executivo.
O número de novos postos só não é maior devido à legislação trabalhista brasileira – criada na década de 50, quando a indústria era a grande empregadora. Hoje, em uma época em que o setor de serviços é o principal gerador de novas vagas, as leis, de certa forma, ficaram ultrapassadas. Motivo: enquanto hoje a indústria opera com máquinas e depende muito menos do capital humano, a área de serviços demanda muito mais pessoas. “As despesas com salários representam 20% dos custos da indústria. Para quem atua no setor de serviços como nós, esse índice chega a 80%”, diz Ingold. 
Em um cenário em que sobram vagas e faltam profissionais qualificados, os processos de seleção de funcionários são cada vez mais desafiadores. Não por acaso, as empresas voltaram a dar mais atenção a um antigo método de contratação. Trata-se do chamado QI, uma abreviação adaptada para a expressão “quem indica”, em um trocadilho da sigla para “quociente de inteligência”. É o mecanismo adotado, por exemplo, pela consultoria PriceWaterhouseCoopers, que poderá contratar até 400 funcionários neste ano – contadores, economistas, advogados, entre outras funções de nível superior.
Como a tarefa não é fácil, os executivos da empresa estipularam que o funcionário que indicar um conhecido para vagas da companhia recebe uma bonificação de R$ 1,5 mil caso haja efetivação do profissional. Mais: dentro do plano de carreira, o empregado pode se tornar um sócio da empresa, como aconteceu com João César Lima. “Entrei na companhia em 1984 e hoje sou um sócio. Como recrutar talentos é sempre uma atribuição complexa, mostramos aos funcionários que o potencial de crescimento deve ser levado em conta tanto quanto a remuneração. Afinal, a disputa por bons funcionários é acirrada no mercado”, disse o executivo.
Essa disputa é chamada de “guerra de talentos”. Para Tatiana da Ponte, sócia da consultoria Ernst & Young, o grande desafio não é apenas contratar, mas, sim, manter os talentos dentro da companhia por um longo período. Por essa razão, indicações de funcionários que resultarem em contratação valem prêmios de R$ 500 a R$ 2 mil, dependendo do cargo preenchido. “Oferecemos bons salários, mas esse não é o único apelo. Temos até uma universidade para oferecer MBA aos funcionários”, destacou Tatiana.
Na construtora Rossi Residencial, que deverá lançar 30 mil unidades residenciais, com valor geral de vendas de R$ 3,3 bilhões ainda neste ano, o apelo para reter talentos é promover os funcionários da casa. Só no ano passado, 60 executivos mudaram de cargos e salários. Mas isso não quer dizer que a empresa deixa de garimpar profissionais no mercado.
A Rossi, hoje com mil funcionários, vai contratar mais 320 pessoas até o fim do ano. “A ideia é reforçar todas as nossas unidades pelo País”, diz Renata Rossi, diretora administrativa da construtora. Neste ano, a empresa, que usa o trabalho de empreiteiras terceirizadas em suas obras, será responsável pela criação de 12 mil postos indiretos. Para 2011, a previsão é contratar mais 20 mil pessoas.
As boas perspectivas da construção civil não são privilégio da Rossi. Um estudo da Fundação Getulio Vargas encomendado pelo sindicato da construção, o Sinduscon-SP, mostra que o nível de emprego nessa atividade deverá crescer 9% em 2010, com a abertura de 250 mil novas vagas. Se a previsão se confirmar, um exército de 2,6 milhões de pessoas – o equivalente à população do Distrito Federal – trabalhará no setor neste ano.
“Estamos rodando a um ritmo chinês. Aqui sobra emprego”, destacou o presidente do Sinduscon-SP, Sergio Watanabe. Nesse ambiente de forte expansão do mercado de trabalho e de grandes mudanças nas relações entre empresas e trabalhadores, a habilidade de empresários e executivos se mostra um instrumento de gestão cada vez mais imprescindível. Afinal, os senhores do emprego são também os senhores da economia.

Mudança rápida 

ÉPOCA - VAMOS COMBINAR - SÃO PAULO - 19/04/10 - Nº 622 - Pg. 36

O cartão usado pelos assalariados para bater o ponto está com os dias contados. Uma portaria do Ministério do Trabalho determina que todas as empresas do país têm prazo até agosto para fornecer diariamente a cada funcionário um pequeno comprovante eletrônico com o horário de entrada e de saída. Se todas as empresas forem cumprir a determinação, farão um investimento bilionário em seu setor administrativo só em novos equipamentos. O ministério alega que os assalariados terão mais garantias para defender seus direitos. Pode até ser verdade. O que estranha é tanta pressa – num ano eleitoral.

" Hermanos " miram boas oportunidades 

VALOR ECONÔMICO - EU & CARREIRA - SÃO PAULO - 19/04/10 - Pg. D12

Atraídos por uma economia cinco vezes maior e uma moeda que duplica os ganhos quando é convertida ao peso, profissionais liberais e jovens empresários argentinos trocaram a terra natal pelo Brasil, em busca de ascensão nos negócios e na carreira.
Trata-se de um movimento que surpreende nem tanto pela quantidade - o governo brasileiro deu 571 novas autorizações de trabalho a cidadãos argentinos no ano passado, apenas 1,3% das permissões concedidas a estrangeiros -, mas pela qualidade dos profissionais envolvidos.
Um deles é o publicitário Fernando Cornicelli, que chegou há seis meses em São Paulo, para comandar a área de criação da Adag Comunicação. A agência tem uma carteira de clientes que abrange Nossa Caixa, Cetesb e Editora Abril. Prestigiado na Argentina, Cornicelli assinou campanhas para empresas como Arcor, Unilever e o jornal La Nación, além de ter participado como jurado em festivais internacionais de publicidade, como o de Cannes.
Crítico do trânsito paulistano, o publicitário elogia a capacidade dos brasileiros de sorrir mesmo em meio a " situações caóticas " . Ele diz que os orçamentos e a capacidade de produção no Brasil, devido à própria dimensão do mercado, são " incomparáveis " aos da Argentina. Cornicelli sublinha, no entanto, uma diferença de estilo entre os dois países: modelos fotográficos no Brasil, tanto masculinos quanto femininos, são mais esculturais, enquanto a Argentina dá preferência às singularidades. " O argentino sabe rir de si mesmo de uma forma muito peculiar. Já o brasileiro vê o lado mais exuberante das coisas " , compara.
Quem fez o mesmo caminho foi Marcelo Rabach, presidente do McDonald s no Brasil, que começou na empresa atrás do balcão de uma lanchonete em Alto Palermo, bairro de classe média alta em Buenos Aires, fazendo hambúrgueres. Em 1990, enquanto cursava a faculdade, resolveu trabalhar meio período e encontrou dois anúncios que lhe interessavam: o do Carrefour e o do McDonald s. Optou pelo segundo, foi subindo degraus e tornou-se diretor de operações para a Venezuela e Colômbia, em 2005. Dois anos mais tarde, passou a chefiar a rede no Brasil.
Hoje, Rabach comanda a estratégia de interiorização do McDonald s, com a abertura de novas unidades no Norte, Nordeste e em Minas Gerais. O faturamento no país, que recebe cerca de 50% dos investimentos destinados à América Latina, alcança R$ 3,4 bilhões. Sobre a experiência de trocar a Argentina pelo Brasil, Rabach comenta: " Minha família e eu fomos muito bem recebidos e estamos totalmente adaptados, mesmo com a diferença de idioma e de cultura. Profissional e pessoalmente, por conta das grandes distâncias e diferentes culturas regionais, a experiência com a operação brasileira é muito enriquecedora " .
O crescimento da economia brasileira é a aposta não somente de executivos e de profissionais liberais, mas também de pequenos empresários " hermanos " , como o engenheiro de materiais Javier Maciel, 29 anos. Ele e um amigo fundaram a Target, em 2004, que trabalha com a gestão preventiva de acidentes em transporte. Os dois argentinos fizeram uma joint venture com a brasileira Haztec Tecnologia e Planejamento Ambiental, e esperam faturar US$ 20 milhões em 2010, o que equivale a 80% dos negócios totais da empresa.
A Target chegou ao Brasil na esteira do sucesso que teve com a Petrobras Energia, na Argentina. Usando a tecnologia para monitorar o desempenho dos motoristas, conseguiu reduzir, desde 2005, o nível de acidentes de 0,74 por milhão de quilômetros percorridos para 0,16. " Há cinco anos a Petrobras Energia não tem nenhum acidente fatal " , orgulha-se Javier, que replica o monitoramento agora na sede brasileira, com a BR Distribuidora. " Quando você consegue que os motoristas diminuam a velocidade de 90km/h para 80km/h, reduz não só o risco de acidentes, mas o consumo de pneus e de combustíveis. "
Impressionado com o potencial de negócios no país, o sócio da Target tem a expectativa de fechar negócios com transportadoras de passageiros, empresas de logística e até com cooperativas de táxi. " Nosso foco de atuação é qualquer empresa que tenha algum tipo de movimentação terrestre e queira reduzir seus acidentes com a aplicação de tecnologia " , afirma Javier.
O empresário se instalou na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio, com a família. A esposa mudou-se grávida e o segundo filho do casal é carioca. Javier diz estar adaptado, inclusive nos hábitos carnívoros. " É um mito dizer que a carne argentina é melhor que a brasileira. Uma boa picanha mal passada não fica devendo nada ao assado (churrasco) que se come em Buenos Aires " , minimiza o portenho, 

Mesmo na berlinda, CEOs terão aumento 

VALOR ECONÔMICO - EU & CARREIRA - SÃO PAULO - 19/04/10 - Pg. D12

A crise financeira levou as empresas a refletirem mais sobre a maneira como remuneram seus comandantes. Embora existam mudanças nos mecanismos de remuneração em curso, elas não devem diminuir os ganhos dos CEOs. Pelo contrário, a previsão é que eles vejam seus rendimentos subir nos próximos cinco anos.
Esta é uma das constatações de uma pesquisa realizada pela PricewaterhouseCoopers com 340 multinacionais de grande porte situadas nos Estados Unidos, Europa e na região da Ásia-Pacífico sobre as práticas de incentivo e compensação dos executivos. O levantamento mostra que 64% das companhias pretendem aumentar os ganhos dos dirigentes nesse prazo. " Essa perspectiva mostra o quanto as empresas estão otimistas em relação ao futuro " , diz João Lins, sócio da PricewaterhouseCoopers na área de consultoria de recursos humanos.
Na pesquisa, metade das companhias disse ter submetido seus planos de recompensa para executivos aos acionistas no ano passado. Há cinco anos, apenas 33% delas fizeram isso. " Hoje existe uma pressão muito grande do mercado para que elas sigam os princípios de governança " , enfatiza Lins. E se nos últimos anos os acionistas concordavam com as propostas com mais facilidade, diz o consultor, em 2009 eles aprovaram esses planos por maioria simples e não absoluta.
A crise financeira deixou muitos pacotes de stock options " underwater " , isto é, o valor fixo etipulado aos executivos para que pudessem comprar as ações futuramente está mais alto que o atual preço de mercado dos títulos. No entanto, as empresas já estudam a possibilidade de reverter essa situação. Embora 70% delas tenham afirmado que estão pensando em alternativas para compensar as perdas, ainda não há nada definido. " Ninguém sabe quais mudanças serão realizadas " , diz Lins.
O levantamento feito pela PricewaterhouseCoopers mostra que a pressão por responsabilidade individual, assim como uma maior regulamentação externa- em especial por parte dos governos- , além de uma fiscalização mais cerrada dos acionistas, deverão moldar os planos de remuneração nos próximos anos. " A sociedade demanda maior transparência e um amadurecimento das companhias para lidar com essa questão " , afirma o consultor.

Mão de obra pressiona custo das empresas 

VALOR ECONÔMICO - BRASIL - SÃO PAULO - 19/04/10 - Pg. A3

Os salários estão em alta e a demanda por mão de obra não para de crescer. A rotatividade no mercado de trabalho, tradicional instrumento de redução de custos com funcionários de salários mais altos, perde eficácia. Graças à intensa procura por trabalhadores, os salários estão subindo para níveis cada vez mais elevados. Os contratados com carteira assinada em fevereiro receberam o equivalente a 97% do salário dos demitidos - o segundo maior nível da década, inferior apenas aos 98% atingidos em janeiro de 2008, segundo estudo da LCA Consultores.
Com o aumento da demanda dos empresários por mão de obra para ampliar a produção e os negócios, os sindicatos ganham musculatura e fortalecem seu poder de barganha nas empresas, diz o economista Fábio Romão, da LCA. Em momentos de aquecimento do mercado de trabalho, estreita-se a diferença entre os salários dos demitidos e contratados, como agora. A melhora ocorreu especialmente a partir do segundo semestre do ano passado. Em junho de 2009, num momento em que o mercado de trabalho ainda patinava, a remuneração dos admitidos caiu a 86% do valor da que era obtida pelos desligados.
Para Romão, a alta na remuneração se deve principalmente a um movimento rápido de recomposição da mão de obra na indústria, que paga salários mais elevados que os outros setores. Ele acredita que a indústria pode zerar os postos de trabalho perdidos na crise agora em abril, gerando saldo líquido superior a 90 mil vagas. Em março, a indústria criou 75,5 mil empregos formais.
A aceleração do movimento de procura por força de trabalho começa a esbarrar em gargalos. Há pressões em setores-chaves da recente retomada econômica, como a construção civil. No Rio de Janeiro, segundo o sindicato da categoria, os trabalhadores conquistaram no mês passado reajuste nominal entre 8,99% e 10,86%. Nos 12 meses até março, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulou alta de 5,3%.
Em São Paulo, o reajuste poderá ser ainda maior. O sindicato dos trabalhadores no Estado negocia proposta de reajuste de 10% acima da inflação. " Há uma guerra entre as empreiteiras, que lutam pelos mesmos pedreiros e mestres de obras. Os trabalhadores estão ganhando sempre. Nem durante os anos 70, quando havia muita demanda devido à política industrial do Estado, vimos situação parecida " , diz Antônio Ramalho, presidente do sindicato.
O vice-presidente de relações capital trabalho do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), Haruo Ishikawa, adota um discurso cauteloso, preferindo não dizer qual percentual de aumento considera factível para os trabalhadores do setor, por estar na mesa de negociação. " É necessário ter os pés no chão " , diz ele, observando que insumos importantes como o aço têm subido de preço. O longo período de estagnação do setor, que durou até 2004, deixou como herança a escassez de mão de obra mais qualificada, diz Ishikawa. Segundo ele, o setor tem um convênio com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) para qualificar 60 mil trabalhadores neste ano em São Paulo. " E o setor está acostumado a qualificar trabalhadores nos canteiros de obras. "
O economista Fábio Ramos, da Quest Investimentos, destaca a alta dos salários na construção civil. Nos 12 meses até abril, o custo da mão de obra subiu 9,71%, segundo o Índice Nacional do Custo da Construção - 10 (INCC-10). É a maior alta nessa base de comparação desde julho de 2004. Ramos ressalta que a criação de empregos formais em março foi disseminada por todos os setores. A construção foi bem, com a geração de 38,6 mil vagas, mas o grande destaque foi o setor de serviços, com 112,5 mil postos. Os juros baixos para padrões brasileiros e a expectativa de forte crescimento são importantes para explicar a atual força do mercado de trabalho, diz Ramos.
Segundo Clemente Ganz Lúcio, diretor-técnico do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), os acordos com reajustes reais devem superar o recorde atingido em 2009. No ano passado, segundo levantamento do Dieese, o equivalente a 79,9% dos sindicatos de trabalhadores conquistaram acordos salariais superiores a inflação. " O ambiente é extremamente favorável às negociações. O país está crescendo de maneira diversificada, todos os setores estão demandando mão de obra, ampliando investimentos e se apoiando no mercado interno, que se fortalece justamente com a melhora do emprego e dos salários " , afirma.
A melhora na remuneração convive com o aumento da formalização, observa Romão. Para o economista, esse movimento duplo facilita o acesso do trabalhador a linhas de crédito, aumentando, portanto, seu poder de compra. A aceleração do consumo, por outro lado, já tem se refletido em aumento de preços (ver abaixo).
As pressões são mais evidentes na construção civil, mas também começam a aparecer em outros setores. Na indústria elétrica e eletrônica já há relatos de falta de mão de obra qualificada, segundo o gerente de economia da Abinee (a associação que reúne as empresas do setor), Luiz Cezar Elias Rochel. Segundo ele, a escassez de profissionais qualificados vai " do chão de fábrica até os níveis executivos " . O ponto é que mesmo no caso dos profissionais que atuam no chão de fábrica há exigência de qualificação, segundo ele.
Na indústria eletrônica, há necessidade de conhecimento para lidar com equipamentos computadorizados, por exemplo. " Começa a ocorrer uma disputa entre as empresas por trabalhadores mais qualificados " , afirma. Não são pressões de custos generalizadas, como no caso de um dissídio elevado, muito acima da inflação, mas de todo modo há um impacto, ainda que mais localizado. O número de trabalhadores no setor, que era de 165 mil trabalhadores em outubro de 2008 e caiu para 155 mil em maio de 2009, por conta do impacto da crise, voltou a 165 mil em fevereiro, diz Rochel.
Na indústria têxtil também começa a haver escassez de mão de obra qualificada em lugares como São Paulo e Santa Catarina, segundo o diretor-superintendente da Abit (a associação do setor), Fernando Pimentel. Ele diz que a questão do custo de mão de obra preocupa o segmento, que já enfrenta a forte concorrência dos asiáticos, facilitada pelo câmbio valorizado. Nesse cenário, ele considera importante que as negociações salariais sejam conduzidas com cautela, para não haver aumentos de custos muito pesados.
" A aceleração da economia pode e deve ser usada em mesas de negociação para aumentar salários " , diz Artur Henrique, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), que congrega quase 7 milhões de trabalhadores. " Se num ano de crise disputávamos 1% ou 2% de aumento real, podemos conseguir mais num ano de alta forte do PIB. " 
Em SP, curso técnico é garantia de emprego
Samantha Maia, de São Paulo
A procura das empresas por profissionais qualificados tem garantido mais emprego e melhores salários para quem se forma nos cursos técnicos e tecnológicos do Centro Paula Souza, instituição estadual que administra as faculdades de tecnologia (Fatecs) e as escolas técnicas (Etec) em São Paulo.
Acompanhamento do centro mostra que a empregabilidade dos cursos está cada vez mais alta. Em alguns, como Informática e Soldagem, as contratações chegam a 100% dos formados. Como efeito desse movimento, os salários sobem. O curso de Soldagem apresenta uma remuneração média de dez salários mínimos, o que mostra que, para conseguir os profissionais, as empresas estão oferecendo mais.
" Temos contato com as empresas e elas estão desesperadas por profissionais qualificados. O que a gente forma, eles buscam " , diz Laura Laganá, diretora-superintendente do Centro Paula Souza. Ela conta que, para apoiar os cursos, as empresas têm fornecido materiais e até seus laboratórios para os alunos das Fatecs e Etecs.
Na série que aponta os dez cursos que mais empregam estão formações na área de mecânica, como Processos de Produção (97,3%) e Projetos (93,0%), de construção civil, como Edifícios (97,1%), de informática, como Análise e Desenvolvimento de Sistemas (96,8%), Análise de Sistemas e Tecnologias da Informação (95,2%), além de Projetos e Manutenção de Aparelhos Hospitalares (95,5%), Automação de Escritórios e Secretariado (93,8%) e Logística com ênfase em transportes (91,7%).
" Vários setores vêm se modernizando para se tornar mais competitivos, e nós buscamos acompanhar essas mudanças reformulando os currículos e criando novos cursos, sempre em parceria com o setor produtivo " , diz a diretora. Ela explica que historicamente as pessoas formadas nas Fatecs e Etecs conseguem uma boa colocação no mercado, mas que o centro tem percebido um crescimento da empregabilidade nos últimos anos.
O curso Edifícios, de construção civil, ministrado na Fatec da cidade de São Paulo, é um exemplo disso. Em 2002, primeiro ano de levantamento do dado, 66,7% das pessoas formadas há um ano eram contratadas. Em 2006, esse percentual subiu para 82,4%, e em 2009, chegou a 97,1%. Por conta desse crescimento, o centro planeja abrir o curso em outras unidades.
" Ficamos contentes com essa evolução, e ao mesmo tempo preocupados, porque temos de andar cada vez mais rápido para atender a essa necessidade de profissionais. O apagão de mão de obra prejudica muito as empresas " , diz Laura. Para permitir a sua expansão, o Centro Paula Souza conta hoje com um orçamento de R$ 1 bilhão para 2010, frente a R$ 363 milhões em 2006.
O aumento da procura por formandos reflete também nos salários. O salário médio de quem se forma nesse mesmo curso de construção civil passou de 4,5 salários mínimos em 2006 para 6 mínimos em 2009.
" Existem dois aspectos que puxam a melhoria da remuneração dos formados nos nossos cursos. Um é que são profissionais raros no mercado, e outra é que são setores que costumam pagar bem " , diz a diretora.
Mercado de trabalho aquecido ameaça inflação
A intensa geração de empregos formais, a falta de mão de obra qualificada e o desemprego em níveis historicamente baixos fazem do mercado de trabalho o principal gargalo do atual ciclo de crescimento, segundo analistas como o economista-chefe do J.P. Morgan, Fábio Akira. Esse aquecimento cria mais ameaças à inflação do que a situação na indústria, acredita ele. O nível de ocupação da capacidade instalada (Nuci) na indústria de transformação está elevado, mas tem subido com menos ímpeto nos últimos meses.
A taxa de desemprego fechou fevereiro em 7,1%, feito o ajuste sazonal, o patamar mais baixo da série iniciada em 2001, segundo cálculos da Rosenberg & Associados. Já a ocupação de capacidade na indústria ficou em 84,3% em março, segundo números dessazonalizados da Fundação Getúlio Vargas (FGV). É mais que os 84% da média de 2004 a 2008, mas menos que o pico de 86,7% de em junho de 2008. Uma possível maturação de investimentos pode ajudar a explicar o arrefecimento da tendência de alta do Nuci nos últimos meses, diz Akira. Mas o principal motivo para o fato de a maior pressão estar no mercado de trabalho e não na indústria é outro, segundo ele: " O que faz a diferença é que o tombo do Nuci foi muito mais pronunciado do que a alta do desemprego durante a crise. " Em fevereiro e março do ano passado, a utilização de capacidade na indústria ficou em 77,9%. No caso da taxa de desemprego, ela atingiu a máxima de 8,6% em janeiro de 2009, feito o ajuste sazonal. Outro ponto é que uma parcela da indústria ainda sofre com exportações fracas.
As pressões do mercado de trabalho aquecido sobre os preços aparecem especialmente nos serviços, afirma o economista Fábio Ramos, da Quest Investimentos. No Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), os serviços (como cabeleireiro, conserto de automóvel, aluguel, mensalidades escolares) acumulam alta de 6,92% nos 12 meses até março, mais que os 5,17% acumulados pelo indicador " cheio " . " No caso dos tradables [os bens comercializáveis internacionalmente], a concorrência dos importados limita a alta dos preços, o que não ocorre no caso dos serviços. " Para ele, esse grupo, que representa 25% do IPCA, vai fechar o ano com alta de 7,3%. Para o IPCA, Ramos espera variação de 5,7% em 2010, bem acima do centro da meta, de 4,5%. Com essa pressão no mercado de trabalho, ele projeta um aumento neste ano de 3 pontos percentuais da taxa Selic, hoje em 8,75%. Akira vê uma elevação de 3,5 pontos. (SL)

Tribunais condenam empresas a pagar indenização a inventores 

VALOR ECONÔMICO - LEGISLAÇÃO & TRIBUTOS - SÃO PAULO - 19/04/10 - Pg. E1

A Justiça do Trabalho tem condenado empresas ao pagamento de indenizações, em alguns casos milionárias, a ex-empregados que inventaram produtos ou processos de fabricação e não foram devidamente remunerados. Os juízes entendem, com base na Lei de Propriedade Industrial - Lei nº 9.279, de 1996 -, que o trabalhador deve receber metade do lucro auferido com a novidade. Os empregados contratados exclusivamente para desenvolver pesquisas ou invenções, porém, não teriam esse direito. Pelo menos três casos sobre o tema já foram julgados pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) em favor dos trabalhadores.
Todos os casos analisados pelo TST envolvem invenções para companhias ferroviárias. Em um processo contra a União, sucessora da extinta Rede Ferroviária Federal (RFFSA), a 3ª Turma do TST manteve decisão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de Minas Gerais que garantiu indenização de US$ 390 mil a um mecânico. Ele projetou dois aparelhos para auxiliar na manutenção de vagões. A relatora do processo, ministra Rosa Maria Weber, entendeu que tanto empregado quanto empregador estão protegidos pela Lei de Propriedade Industrial. No entanto, para ela, a criação intelectual do trabalhador deve ser remunerada.
Em outro caso julgado pelo TST, um ex-mecânico da Ferrovia Centro-Atlântica, controlada pela Vale, recebeu indenização por inventar um dispositivo para remover o conjunto de freios das locomotivas dos trens. A remoção, necessária para a manutenção do equipamento, durava cerca de dois dias. Com o novo mecanismo, a tarefa passou a ser realizada em aproximadamente duas horas. A Vale também foi condenada, em outro processo analisado pelo TST, a indenizar um trabalhador que inventou uma peça, utilizada no engate dos vagões da companhia, que substituiu uma similar importada dos Estados Unidos.
Em segunda instância, a MetroRED, comprada pela Oi, dona de uma rede de fibras ópticas que se estende por São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, foi condenada a indenizar um técnico de informática. Ele inventou um dispositivo chamado Reset EQ 001, utilizado para colocar o sistema novamente em operação após breve anormalidade, como falta de energia. Sem o dispositivo, um funcionário ficava encarregado de religar o sistema.
No Espírito Santo, um eletricista também conseguiu, em segunda instância, ser indenizado pelo uso de sua invenção. Ele criou para a Vale um aparelho que reduziu consideravelmente o número de trabalhadores necessários para detectar curtos-circuitos em linhas férreas. Segundo a perícia, a atividade demandava 26 homens por hora e era executada em oito horas diárias. Com a invenção, o número de empregados necessários para a tarefa caiu para três por hora e a atividade passou a ser realizada em pouco mais de uma hora. O inventor recebeu gratificação de R$ 905. Mas os juízes do Tribunal Regional do Trabalho entenderam que a empresa deveria remunerar de forma mais justa o empregado em razão dos lucros proporcionados pela invenção. A Vale foi obrigada a pagar ao trabalhador 50% do lucro auferido com o aparelho. O ex-empregado será remunerado entre 2000 e 2013 - prazo em que vence a patente registrada pela empresa no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI).
Para o advogado Kleverson Mesquita Mello, que defende os trabalhadores nas ações contra a Ferrovia Centro-Atlântica e Oi, se o empregado gerou lucros à empresa com sua invenção, que foi além do trabalho para o qual foi contratado, ele tem de ser remunerado. Por nota, o departamento jurídico da Oi informou que não comenta o assunto.
Já o departamento jurídico da Vale afirmou, por meio de nota, que há " muitas complexidades fáticas nesse tipo de processo " . E que " é necessário analisar cada caso particularmente " . A companhia, segundo nota do diretor do Instituto Tecnológico Vale (ITV), Luiz Mello, " tem hoje uma política clara de incentivo à inovação que tomou como base a legislação brasileira e as práticas de empresas líderes em suas áreas de atuação " . Mas, naturalmente, diz o executivo, " as soluções recentes não resolvem questões passadas ou ações em curso, cada qual com sua dinâmica e especificidades próprias " . 
Cláusula no contrato de trabalho pode evitar derrota na Justiça
Algumas empresas estão encontrando maneiras de evitar condenações na Justiça. A Otam Ventiladores, por exemplo, saiu vencedora em ação que chegou ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT) do Rio Grande do Sul. Ela alegou no processo, ajuizado por um operador de prensa, que no contrato de trabalho havia uma cláusula prevendo que qualquer invenção desenvolvida pelo empregado seria de propriedade exclusiva da empresa. O trabalhador criou um rotor com resíduos de chapas resultantes da fabricação de outra peça.
A indenização foi afastada pelo TRT com base na exceção prevista no artigo 91 da Lei de Propriedade Industrial - Lei nº 9.279, de 1996. " Apesar dessas ações serem incomuns, já tínhamos colocado preventivamente essa cláusula em todos os contratos de trabalho " , diz o advogado da Otam, André Jobim de Azevedo, do escritório Faraco de Azevedo Advogados.
A existência dessas cláusulas nos contratos de trabalho, porém, podem ser passíveis de contestação, segundo o advogado trabalhista Marcos Alencar. " Como no direito do trabalho vale mais a realidade do que o que está escrito, se o empregado comprovar que sua função nada tinha a ver com a de inventor, ele poderá receber indenização. E a cláusula então poderá ser considerada nula " , afirma.
Empresas que conseguem provar na Justiça que a invenção é inerente à atividade do trabalhador também têm se livrado das condenações. Um dos casos envolve a Petrobras Transporte (Transpetro) e um auxiliar de segurança, que afirmou ter elaborado uma planilha para controlar a entrada e saída de equipamentos de segurança. Ao julgar o caso, no entanto, os desembargadores do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo decidiram que ele tinha como uma de suas atribuições controlar a entrega dos equipamentos de proteção individual e que, por isso, não deveria ser indenizado pela invenção. Procurada pelo Valor, a Transpetro não deu retorno ao pedido de entrevista. (AA)

Indústria paulista recupera postos de trabalho 

DCI - SÃO PAULO - SÃO PAULO - 19/04/10 - Pg. C8

CAMPINAS - A indústria paulista está se recuperando da série de demissões registradas no ano passado, ações feitas em reflexo ao cenário de crise econômica global, que colocou em xeque o futuro de várias companhias, temerosas do aumento da inadimplência e de terem de reduzir drasticamente seus custos. Agora, mês a mês o cenário muda e várias empresas parecem voltar a acreditar na economia, tanto que o volume de contratações tem aumentado gradativamente. O mês de março, por exemplo, já registrou a abertura média de 45 mil novos postos de trabalho, ou seja, um crescimento de 1,37% em relação a fevereiro, com ajuste sazonal.
Com este resultado, março deste ano apresentou o melhor resultado da série histórica comparativo do nível de emprego desde julho de 2005, que marca o início da série apurada pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) e pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O dado, sem ajuste sazonal, aponta aumento de 2,05% frente a fevereiro. Em relação ao mesmo período do ano passado, o balanço também foi positivo, como demonstram os 36 mil postos abertos. No primeiro trimestre, 2010 já criou 79 mil postos de trabalho; pela primeira vez todos os 22 setores industriais tiveram saldo positivo.
O avanço expressivo do Índice se deve, sobretudo, ao setor de açúcar e álcool, que assiste à retomada da safra no interior paulista. Na Diretoria Regional 6 (DR6) do Ciesp formada pelas regionais de Campinas, Indaiatuba e Sorocaba, o destaque na geração de novos postos de trabalho foi o Ciesp Indaiatuba com 4.150 novas vagas. Na segunda posição ficou o Ciesp Campinas com 1.550 vagas e na terceira posição o Ciesp Sorocaba com 200 novos postos de trabalho.
O Ciesp regional de Indaiatuba, formado por 13 municípios, apresentou variação positiva de 5,43%, com 4.150 vagas, em comparação com o mês de fevereiro, quando foram gerados 250 postos de trabalho na comparação com janeiro, e com variação de 0,30%. Quando comparados os meses de março dos anos de 2009 e de 2010, temos um cenário melhor, pois em março de 2009 o resultado foi positivo em 3,92%. No ano, temos um acumulado de 6,54%, representando um acréscimo de aproximadamente 4.950 postos de trabalho. Nos últimos 12 meses, o aumento é de 4,57%, o que equivale a aproximadamente 3.500 trabalhadores.
O índice do nível de emprego industrial do Ciesp Indaiatuba foi influenciado pelas variações positivas dos setores Produtos Alimentícios (49,55%), Confecção de Artigos do Vestuário e Acessórios (4,72%), Produtos de Borracha e Plástico (1,81%) e Veículos Automotores e Autopeças (0,60%), que são os setores que influenciam no cálculo do índice total da região. O resultado só não foi melhor devido à variação negativa do setor Produtos de Metal exceto Máquinas e Equipamentos (-0,71%), que também influencia o cálculo do índice.
Variação
O Ciesp regional de Campinas formado por 19 municípios apresentou uma variação positiva 0,98%, o que significou um acréscimo de aproximadamente 1.550 postos de trabalho na região. Em fevereiro a regional também teve índice positivo de 0,41%, o que significou um acréscimo de aproximadamente 650 postos de trabalho na região com relação a janeiro. Quando comparados os meses de março de 2009 e 2010, temos um cenário melhor, pois em março de 2009 o resultado foi negativo em 0,68%.
No ano, temos um acumulado de 1,72%, representando um acréscimo de aproximadamente 2.750 postos de trabalho. Nos últimos 12 meses, o aumento é de 0,60%, o que equivale a aproximadamente 950 trabalhadores na região. O índice do nível de emprego industrial do CIESP em Campinas foi influenciado pelas variações positivas dos setores de Produtos Alimentícios (5,89%), Produtos de Metal exceto Máquinas e Equipamentos (1,71%), Produtos de Borracha e Plástico (0,62%) e Veículos Automotores e Autopeças (0,49%), que são os setores que mais influenciam no cálculo do índice total da região. O resultado só não foi melhor devido à variação negativa do setor de Produtos Químicos (-0,32%).
Resultado
O Ciesp em Sorocaba, formado por 47 municípios, apresentou resultado positivo de 0,21% no mês de março, com aproximadamente 200 postos de trabalho. Quando comparados os meses de março dos anos de 2009 e de 2010, temos um cenário melhor, pois em março de 2009 o resultado foi negativo em 1,72%; em fevereiro a variação havia sido negativa em 0,39%, o que significou uma redução de aproximadamente 350 postos de trabalho. No ano, temos um acumulado de 0,65%, que representa um acréscimo de cerca de 600 postos de trabalho. Nos últimos 12 meses, a redução é de 0,86%, o que equivale a aproximadamente menos 750 trabalhadores na região.

Emprego: País ultrapassa marca histórica 

DIÁRIO DO COMÉRCIO - ECONOMIA - SÃO PAULO - 16/04/10 - Pg. 01

A indústria exportadora se somou àquelas que já vêm em ritmo de expansão com base no mercado interno aquecido impulsionando a criação de vagas de trabalho formais em março, com destaque para as indústrias têxteis, de calçados e metalurgia. De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, o saldo líquido de empregos criados com carteira assinada no mês passado foi de 266.415, o que representou um recorde para o mês. No acumulado do primeiro trimestre de 2010 foram gerados 657.259 postos de trabalho. Esse resultado, segundo o Caged, também é o melhor desempenho da série histórica para o período.
"Toda a cadeia produtiva está reagindo muito bem e vai continuar reagindo. No ano passado, dependíamos mais do mercado interno, mas agora a reação foi mais forte do setor de exportação", disse o Ministro do Trabalho, Carlos Lupi, que prevê a criação de 340 mil a 360 mil vagas em abril, o que seria o melhor resultado não apenas para meses de abril, mas também para toda a série histórica. "Vamos viver o melhor abril, o melhor semestre e o melhor ano da geração de empregos."
Os 25 subsetores de atividade avaliados pelo Ministério do Trabalho e Emprego apresentaram aumento do nível de emprego no mês passado. Destes, 15 apresentaram números recordes. Em números absolutos, os destaques ficaram com os segmentos de Serviços, Indústria de Transformação, Construção Civil e Comércio. O setor de Serviços, além de registrar a maior geração de empregos para o mês (106.395 postos de trabalho) também apresentou o segundo resultado para todos os meses da série histórica.
A Indústria de Transformação exibiu aumento de empregos recorde pelo terceiro mês consecutivo, gerando, em março, 72.440 vagas. A Construção Civil foi responsável pela criação de 38.629 vagas líquidas, também o terceiro recorde consecutivo. O desempenho também recorde do comércio foi obtido com a geração de 29.419 vagas – tanto no atacado (10.042) quanto no varejo (19.377). "A indústria de transformação, mesmo não sendo a maior, que foi a de serviços, mostrou muita pujança nos primeiros três meses do ano", considerou Lupi.
Comércio externo - Lupi detectou uma retomada dos empregos nas empresas voltadas para exportação, citando áreas como as de calçados, têxtil e metalurgia. Isso é possível, de acordo com o ministro, porque está havendo uma reação também do mercado externo, após os impactos da crise financeira internacional.
Dentro da Indústria de Transformação, sete subgrupos apresentaram números recordes. A indústria têxtil criou 11.485 postos de trabalho em março. Esse número é o maior saldo de todos os meses da série história. A indústria metalúrgica criou 10.111 postos em março; a de calçados, 9.254 postos e a de material de transporte, 6.579 postos.
Lupi avaliou também que os números recordes já verificados em janeiro, fevereiro e março, para esses específicos meses, têm se dado em função da necessidade de formação de estoques pelas empresas. Além disso, ele acredita que parte dessa contratação pode ser explicada pelas demissões ocorridas de forma mal calculada no ano passado em função da crise financeira. Os recentes números positivos do mercado de trabalho revelam, segundo Lupi, o crescimento da atividade brasileira.
Juros - A continuidade do cenário positivo para o emprego é um dos fatores que dá condições para a permanência da demanda aquecida no País, o que é uma preocupação recorrente entre os analistas e o próprio Banco Central, pois gera temores de impactos nos preços e, consequentemente na inflação, que é o alvo principal da política monetária do BC.
"É do mercado de trabalho que vem exatamente o estímulo para a demanda. Esse dado do Caged é um número bem forte, mesmo retirando os fatores sazonais. É mais um fator de pressão sobre o Banco Central", disse economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luís Otávio de Souza Leal, que não alterou, entretanto, sua expectativa de que o Copom elevará a taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual no final deste mês. "É mais uma prova para esta divisão sobre o que o mercado acha que o BC vai fazer, que é o ajuste de 0,5 ponto, e sobre o que alguns acham que ele deveria fazer, que é um aumento de 0,75 ponto", disse.
Campo – A Agricultura foi a responsável pela geração de 10.366 postos de trabalho em março, segundo os dados do Caged. O principal destaque foi o cultivo de cana-de-açúcar, que criou 22.615 vagas no mês passado. Apenas em São Paulo, foram 18.705 postos nesse segmento, além de 2.570 em Minas Gerais e 2.067 no Paraná. No caso do cultivo de café, foi constatada a formação de 1.856 vagas líquidas de trabalho. Os destaques foram os estados da Bahia, que gerou 947 postos e de Minas Gerais, com 570 postos.

Governo descarta reajuste maior que 7% a aposentado

O ESTADO DE S. PAULO - ECONOMIA - SÃO PAULO - 17/04/10 - Pg. B6

O governo não vai se deixar levar pelo período eleitoral e aceitar as pressões para elevar em mais de 7% os benefícios previdenciários superiores ao salário mínimo. Segundo o chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho, "o governo não vai levar o País à catástrofe e a uma crise econômica por demagogia". Ele afirma que qualquer reajuste maior do que 7% é ‘irresponsabilidade’. 
Para o chefe de gabinete, o governo já fez o que pôde pelos aposentados e não haverá recuo. "Confiamos no bom senso dos aposentados", insistiu. O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), reafirmou ser ‘demagógica’ a aprovação de um reajuste maior aos aposentados. "O problema aí se chama eleição. Isso é demagogia", disse ele.
Apesar da reação do governo, líderes da base aliada na Câmara e no Senado estão alinhavando um acordo para aprovar um aumento de 7,71%. Mas partidos da oposição, como o DEM, querem dar um aumento igual ao concedido ao salário mínimo, de quase 10%. Se isso acontecer, o presidente Lula terá que assumir o ônus de vetar o reajuste em um ano eleitoral.
De acordo com a proposta original do governo, que está em uma medida provisória, já foram repassados aos aposentados em janeiro 6,14% de aumento. O ministro Alexandre Padilha, das Relações Institucionais, afirmou que o limite para subir o reajuste é 7%, índice que Vaccarezza pretende colocar no seu relatório sobre o tema que será levado a plenário.
"Duvido que o Paulinho Bornhausen (líder do DEM na Câmara) tenha concedido esse aumento para os funcionários das empresas da família dele", criticou.
Mais bondades. Além de um reajuste maior para os aposentados, o período eleitoral está fazendo com que os parlamentares coloquem em votação projetos que garantem a simpatia dos aposentados, porém desequilibram as contas públicas. 
Na quarta-feira, a Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado aprovou um projeto de lei que prevê a isenção da contribuição previdenciária para os aposentados que continuem na ativa. O projeto pode provocar uma redução da arrecadação previdenciária, elevando o déficit do INSS, que deve chegar a R$ 47 bilhões. A situação pode ficar ainda pior se for mantido no projeto uma emenda que estabelece a devolução das contribuições feitas desde 1991. 
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou, em São Paulo, que a eventual eliminação do pagamento ao INSS pelos aposentados que voltam ao mercado de trabalho vai provocar um rombo de R$ 11 bilhões nas contas da Previdência. Segundo ele, no ano eleitoral vários parlamentares querem fazer ‘bondades’ com os recursos do Tesouro, o que requer que o Poder Executivo fique atento. "Isso seria um buraco a mais (nas contas) da Previdência", disse.
Aumento real. O ministro diz que de vez em quando é interpelado por aposentados que questionam se não receberão reajustes. "Não, os senhores estão tendo aumento real", é a resposta. Ele lembrou que a medida provisória do governo propôs um aumento de 6,14% para os aposentados que recebem acima de um salário mínimo - e ‘que são uma minoria’, comentou.
"O Congresso quer mais. Então, eu tenho adotado uma posição de defesa do superávit primário e do equilíbrio das contas públicas porque nos sabemos as consequências de permitir que elas fiquem desequilibradas", acrescentou Mantega. "Temos de ser firmes neste momento. Não podemos perder o capital que conquistamos, que é o capital da estabilidade fiscal, da confiança que existe hoje nas contas públicas". O autor do texto do projeto de lei que prevê a isenção de contribuição previdenciária para aposentados na ativa, senador Raimundo Colombo (DEM-SC), disse que teve o objetivo apenas de corrigir um erro grave que onera os aposentados, que faziam contribuição quando estavam na ativa. Segundo ele, a medida não representaria perda de arrecadação porque essa cobrança nem deveria existir. 
Para Colombo, a aprovação da emenda que determina a devolução das contribuições feitas desde 1991 dificulta a aprovação de seu projeto. "Mas ainda pode ser totalmente alterado na Câmara", afirmou Colombo.

Cautela, a regra para se dar bem na rede 

JORNAL DA TARDE - EMPREGOS - SÃO PAULO - 19/04/10 - Pg. 1E a 3E

Funcionário deve conhecer o código de ética da empresa antes te começar a twittar
ELENI TRINDADE
Quem usa o Twitter da empresa onde trabalha para se comunicar com clientes e fornecedores precisa ter cuidado para passar a mensagem adequada. Se mal usada, a rede social mais acessada do momento pode causar problemas para o funcionário e para a imagem da empresa. 
O mesmo vale para quem tem perfil particular: o ideal é comentar assuntos relevantes e evitar críticas a empresas e pessoas; caprichar no português, enfim, manter uma boa reputação “digital”. “É comum os setores de recursos humanos monitorarem a vida de um candidato a emprego na internet e, quando a pessoa usa as redes sociais de forma adequada, pode ser favorecida em um processo de seleção”, explica Patrícia Peck Pinheiro, advogada especialista em Direito Digital. 
Usar a rede de forma correta é escrever sobre assuntos os quais a pessoa não teria vergonha de citar no próprio currículo ou falar numa entrevista de emprego. “São bem vistos a troca de informações sobre a área de atuação para gerar uma boa lista de contatos (networking) e escrever sobre assuntos relevantes de interesse geral ou hobbies, esportes e saúde”, enumera ela. “Tudo isso mostra ao mercado que o trabalhador está socialmente saudável e disposto a gerar conteúdo positivo.” 
Quem usa a rede social representando uma organização jamais deve misturar o público com o privado. “Na internet a marca é imediatamente associada ao conteúdo que existe na rede”, explica Patrícia Peck. Se, por exemplo, uma pessoa usar o nome da empresa em um perfil pessoal corre o risco de a qualquer momento cometer um deslize, falar algo antiético ou polêmico e, assim, criar problemas para a empresa. “Numa eventual pesquisa em sites de busca aquela menção desagradável ou inconveniente vai aparecer nos resultados e as pessoas tendem a associar tudo o que é encontrado àquela marca.”
A publicitária Monique Ribeiro dos Santos, de 24 anos, é responsável pelo perfil da Universidade Cruzeiro do Sul no Twitter e também é usuária desta rede. Segundo ela, a vantagem do Twitter é o dinamismo, mas nem por isso a comunicação pode ser descuidada. “É um importante canal de comunicação com o público e exige respostas rápidas”, afirma a publicitária. 
Um dos cuidados mais importantes é fazer um planejamento cuidadoso. “Ele deve envolver várias áreas como comercial, jurídico, defesa do consumidor e marketing para que os objetivos com a internet sejam alcançados”, explica Diego Monteiro, consultor de redes sociais da Direct Labs, consultoria especializada em Mídias Sociais. 
“Com base na troca de experiências entre as áreas, é importante criar um código de conduta para lidar com as mídias sociais”, diz. São as regras, proibições e recomendações, explica Monteiro, para o bom uso dessas novas mídias. 
Um caso recente de falta de cuidado com o uso do Twitter já resultou em uma demissão em São Paulo. Um gerente comercial da Locaweb (empresa de hospedagem de sites) provocou os torcedores são-paulinos depois de uma derrota para o Corinthians pelo Twitter da empresa, que estava fazendo uma ação comercial para o São Paulo.
DICAS 
Na rede de microblogs Twitter os textos são curtos (140 caracteres), mas não é por isso que a correção da língua deve ser abandonada: um bom profissional deve se preocupar com o que escreve e de que forma a mensagem vai ser transmitida
Devem ser evitadas expressões vulgares e críticas a pessoas e empresas, pois os dados ficam permanentemente na rede e podem ser usados contra o trabalhador a qualquer momento.

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