CONARH
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Ex-jogador Raí vem ao Estado para lançamento do Projeto Aprendiz |
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CIEE - ES - WEB - 15/04/10 |
O Projeto Aprendiz será lançado no Estado nesta segunda-feira, dia 19 de abril, durante a posse da nova diretoria da Associação Brasileira de Recursos Humanos - Seccional Espírito Santo (ABRH-ES), gestão 2010/2012. Para a presidência da entidade, foi reeleita Angela Abdo Campos Ferreira. O evento será realizado no Centro de Convenções de Vila Velha, às 8 horas, e terá em sua programação uma palestra do ex-jogador de futebol Raí de Oliveira, que atua na ONG Atletas pela Cidadania, entidade que trabalha pelo cumprimento da Lei do Aprendiz. Especialistas em educação apontam que a melhor política pública para a juventude está na aprendizagem. Para garantir melhores oportunidades para os jovens das empresas, os Atletas Pela Cidadania formalizaram um Pacto pela Aprendizagem com a ABRH Nacional. Hoje, o Brasil possui cerca de 160 mil aprendizes. O objetivo é chegar a 800 mil contratados até o final de 2010. Como o Espírito Santo possui uma das economias mais fortes do Brasil, ele é considerado estratégico pela ONG para ajudar nesse crescimento. O apoio da ABRH ao Projeto Aprendiz aconteceu durante o 35° Congresso Nacional de Recursos Humanos (CONARH), em agosto de 2009. Na ocasião, Raí palestrou em nome de mais de 50 atletas de diferentes modalidades e gerações, que se uniram para mobilizar o esporte em prol de causas nacionais. A ONG Atletas pela Cidadania completa dois anos em 2010.
RH/Gestão de pessoas
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Sintonia estratégica com o mercado |
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HOJE EM DIA.COM.BR - WEB - 15/04/10 |
Plano de RH requer observar a mudança de comportamento do público para ser competitiva Para colocar em prática um plano de recursos humanos, é preciso sintonia para as mudanças que ocorrem no mercado. A começar pelo termo. "Recursos humanos deve ser visto atualmente como um termo usado para fazer referência ao processo de produção industrial, mas hoje vivemos na era do conhecimento, o que pressupõe falar em capital intelectual e de gestão de pessoas", esclarece a professora das Faculdades Ibmec e consultora de empresas, Edwiges Lempp. Para a professora , a devida atualização quanto aos termos não deve ser vista como modismo, uma vez que ela traduz as mudanças reais trazidas especialmente pela globalização. "É por causa dessas mudanças constantes que se torna fundamental para as empresas tomarem conhecimento do mercado por meio da informação gerencial que permite fazer monitoração e prevenção", alerta a consultora. Segundo ela, a mudança de comportamento de clientes, concorrentes, fornecedores e agência reguladora do negócio deve ser percebida para que a empresa se reposicione continuamente e se mantenha competitiva. Como os empregados passaram a ser vistos como estratégicos para pensar estrategicamente e antecipar cenários, a participação deles nas corporações também passou a ser vista com outros olhos. Daí o planejamento para a área de pessoas passar a ser também estratégico. Conforme a consultora, quando a empresa sair à rua para ver como se situa em relação ao mercado, deverá identificar o que lhe falta para se posicionar bem frente à concorrência. Para atender às necessidades identificadas, poderá avaliar que lhe falta pessoal adequado. "Esse é o momento em que ela se volta para dentro, para verificar se o capital intelectual que ela tem é suficiente para atender à demanda do mercado ou não", afirma. Antes de optar pela busca de gente de fora, segundo ela, há fatores a se considerar como os custos fixos. Mesmo tendo que examinar o mercado e se posicionar devidamente frente a ele, esses investimentos não devem pesar excessivamente. "Por causa da grande competição, as empresas não devem aumentar muito seus custos fixos como contratações", recomenda. Entretanto, conforme Edwiges, não se deve suspender o projeto de planejamento da área de pessoas visto ser ele estratégico. Se não dá para contratar, os gestores podem pensar em alternativas. Aquele momento de olhar para dentro da empresa, por exemplo, pode servir para verificar que o capital humano da empresa pode estar sendo subavaliado. Investindo nas relações de parceria "As empresas precisam confiar mais nos empregados porque eles querem ajudar. Mas se não se estabelecem com eles relações de parceria, essa possibilidade deixa de existir", aponta. Além de qualificar para novas funções ou para que as atuais sejam melhor cumpridas, conforme a professora, a empresa, ainda que pequena, pode pedir auxílio a uma consultoria. "Há pouco tempo, soube de um pequeno empresário de Lagoa Santa (Região Metropolitana de Belo Horizonte) que optou por buscar consultoria de uma empresa de consultoria júnior, formada por alunos universitários", conta. Segundo ela, esse tipo de consultoria é mais barata e ainda que seja dada por estudantes, sem a formação completa, eles contam com a orientação dos professores. No caso das empresas de comércio, as que mais geraram emprego na Região Metropolitana em fevereiro, 11 mil postos, ela também orienta sobre a política de pessoas. Edwiges avalia que as contratações temporárias também podem ser planejadas. Ela sugere que devido à sazonalidade já prevista como Dias das Mães, dos Namorados e outros, as empresas do comércio também podem se planejar para terem bons funcionários, caso não os tenha em seu quadro de pessoal."Se a empresa já contratou uma pessoa e confirmou que o trabalho dela tem qualidade, poderá manter o nome desse funcionário em cadastro para chamá-lo sempre que precisar", orienta. No caso da área de prestação de serviços, de acordo com a professora, deve-se pensar que o empresário tem necessidade de dois tipos de trabalhadores, os de perfil administrativo e os de perfil operacional e afirma que a tendência é terceirizar. Mas chama a atenção para o fato de que, no caso de serviços, a propaganda boca a boca é a alma do negócio e isso deve ser sempre levado em conta. Edwiges lembra que a área de serviços sofre em decorrência de hábitos culturais e da pouca formação profissional nas escolas. "O mercado exige, mas falta mão de obra com conhecimento em automação, noções de inglês para entender os manuais e noções mínimas de estatística para trabalhar nos controles de qualidade", avalia. No mesmo lugar, sem o planejamento Na experiência de consultora de Edwiges Lempp, o que ela verifica é que a falta de planejamento, inclusive o de pessoal, impede a empresa de crescer. A explicação é que, quando a empresa se define pelo planejamento, é porque os gestores têm claro a que lugar pretendem levar a organização. Por outro lado, a falta de planejamento indica que a empresa não consegue precisar que lugar ela ocupa no mercado e nem onde pretende chegar. "Lembro-me que há 15 anos o Grupo Galpão me procurou para prestar consultoria porque ele precisava comprovar valores para um futuro patrocinador" (Telemig Celular, na época). Segundo ela, como o grupo ainda não tinha os controles sistematizados, precisou de serviços profissionais externos, o que se mostrou essencial para prestar contas ao patrocinador. Assim como o grupo de teatro mineiro de expressão nacional estabeleceu uma estratégia a partir de uma demanda externa que contribuiu para sua consolidação, Edwiges lembra que o mesmo se aplica a todas as empresas. Sem planejamento, o que a empresa consegue é ficar no mesmo lugar, destaca. Ficar no mesmo lugar pode ser fatal em tempos de competição globalizada. "Uma pessoa da minha família tinha uma floricultura perto de um hipermercado. A pessoa vendia violeta a R$ 1,50 ou R$ 2, o hipermercado a R$ 0,50, porque trazia de Holambra, São Paulo. O resultado disso foi que a floricultura precisou fechar as portas", conclui.
Mundo do trabalho
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Educação a distância cresce nas empresas e nas universidades |
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CANAL RH - WEB - 14/04/10 |
Estudantes em ensino regular, credenciados pelo Ministério da Educação, já passam de 1 milhão. Profissionais atendidos por programas de capacitação corporativos são mais de 500 mil ao ano. Embora muita gente ainda torça o nariz, quem sabe pensando nas velhas apostilas de conserto de rádios mandadas pelo correio, a educação a distância no Brasil veio para ficar – e crescer. O crescimento dos investimentos em e-learning supera 23% ao ano e deve chegar a R$ 10 bilhões em 2013, de acordo com a Associação Brasileira de Ensino à Distância (Abed). Suely Marques Villa, consultora de e-learning e doutora em educação pela Université Lumière Lyon 2 e pela USP, acredita que o mundo corporativo, mais ágil em acompanhar as dinâmicas do mercado, saiu na frente e está bem posicionado para um crescimento consolidado nos próximos anos. E, se há alguma resistência a respeito desse tipo de aprendizagem, ela não é do mercado. “Apesar de haver enormes vantagens a explorar, principalmente no caso brasileiro, a academia ainda tem muito preconceito”, diz Suely, que conhece bem os dois lados da moeda. O crescimento do e-learning nas companhias está ligado a uma série de fatores que são importantes no Brasil. “O primeiro deles é que ainda temos um déficit grande na formação de pessoal qualificado na educação formal”, diz Marta Maia, conselheira da Abed. Ela lembra que apenas cerca de metade dos jovens está cursando o ensino médio na idade esperada. Ou seja, muitas vezes a tarefa de obter uma qualificação técnica mais adequada cabe ao próprio empregador. Outro fator importante é a dimensão continental do País. “Imagine uma montadora de carros que lança um novo modelo e tem de treinar os concessionários no Brasil inteiro; seria uma tarefa quase impossível se não fosse o e-learning”, diz Marta. A conselheira concorda com a observação de que as empresas estão fazendo experiências importantes, com aplicações na prática. “A academia só está conseguindo correr atrás”, diz. A base para desenvolver um programa corporativo de educação a distância está em entender o que há de específico em cada projeto. “Não adianta transplantar”, diz Suely. A consultora afirma que o sucesso depende de se realizar as ações mais pontuais e específicas possíveis. “Quanto mais genérico o curso, menos resultado a empresa obtém”, informa. O ponto fundamental está no equilíbrio entre os objetivos do desenvolvimento e a aplicação do programa, que normalmente são feitos por equipes diferentes: a empresa contratante e uma consultoria especializa em e-learning. Para Suely, é onde devem estar concentradas as atenções. Se a etapa de traduzir as necessidades da empresa no programa de capacitação for bem realizada, a possibilidade de sucesso torna-se muito grande. “Nessa etapa crítica tem de haver uma proximidade, uma colaboração total”, afirma. De acordo com Marta Maia, seguindo a mesma linha de raciocínio, uma das principais vantagens no e-learning consiste em moldar o aprendizado com as experiências que vêm da prática corporativa. “Ou seja, para dar certo, ele deve necessariamente ser dinâmico, aplicado a cada situação”, diz. Quem ainda não está convencido das vantagens da educação a distância, precisa levar em conta que num futuro próximo uma parte importante do mercado de trabalho vai ser preenchida por profissionais que se formaram sem o contato presencial. Já são 110 cursos formalizados de graduação oferecidos nessa modalidade. USP a distância A Universidade de São Paulo (USP), a instituição de ensino mais reconhecida do Brasil, acaba de criar seu primeiro curso superior a distância – uma licenciatura em ciências, especialmente formatada para os professores da rede pública. São 360 novas vagas, e a expectativa é de que se multipliquem a partir dessa experiência os cursos oferecidos e o número de alunos. Para implantar esta modalidade foi preciso vencer uma grande resistência dentro da própria instituição de setores que consideravam a forma presencial como única a ter validade. “As discussões começaram em 2003, e só no final do ano passado o Conselho Universitário liberou o curso”, diz o coordenador da Coordenadoria de Tecnologia da Informação da USP, Gil da Costa Marques. Ele é também o coordenador do primeiro curso nos moldes do ensino a distância, que vai funcionar como um piloto. O vestibular será em agosto. “A tendência ao longo do tempo é ampliar o número de vagas, principalmente nos cursos de especialização, com carga de 360 horas mais ou menos, que têm menos resistência”, diz Marques. A licenciatura em ciência usa as ferramentas do ensino a distância, mas mantém 50% de sua carga presencial. A parte do ensino realizada a distância tem um material composto por livro-texto, vídeos produzidos pela TV Cultura, e internet. “A Universidade tem uma preocupação muito grande com qualidade, o que é perfeitamente justo, e a modalidade não pode ser apenas uma máquina de ganhar dinheiro”, afirma o coordenador, para completar: “Mas, tomado esses cuidados, é hora de mobilizar a comunidade acadêmica para a expansão”.
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Até 2011 desemprego será desafio para países desenvolvidos, diz FMI |
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DCI - INTERNACIONAL - SÃO PAULO - 15/04/10 - Pg. A10 |
SÃO PAULO - Apesar de avanços previstos para alguns países neste ano, a taxa média de desemprego nas economias dos países mais desenvolvidos deverá permanecer alta pelo menos até o final de 2011, segundo um relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI). "Para muitas economias avançadas - onde a crise financeira esteve centralizada - a recuperação deverá ser lenta. Nesse contexto, o alto desemprego deverá ser o principal desafio dessas economias à medida que a recuperação ganha ritmo", diz um capítulo do relatório World Economic Outlook divulgado nesta quarta-feira. "A taxa de desemprego permanecerá alta - em torno de 9% - até o fim de 2011. Além disso, a taxa de desemprego permanecerá em elevação mesmo à medida que o emprego comece a crescer, devido à contínua expansão da força de trabalho", diz o documento. O documento analisa a trajetória da taxa de desemprego em 21 economias avançadas e alerta para o risco de que as altas taxas de desemprego levem a problemas estruturais. "Como o alto desemprego pode se transformar rapidamente em um problema estrutural, isso pode levar a graves desafios políticos e sociais", diz o texto. Segundo o relatório elaborado pelo Fundo, políticas monetárias e fiscais convencionais continuam sendo as principais ferramentas para aumentar o emprego, por meio de seu impacto na atividade econômica. "Em países em que as taxas de desemprego se mantêm altas e a economia opera abaixo de seu potencial, políticas de estímulo permanecem justificadas", diz o documento. Mais medidas Para o FMI, medidas destinadas ao setor financeiro também são essenciais, já que muitos setores ligados à geração de emprego dependem de crédito bancário. "Medidas para restaurar a saúde das folhas de pagamento de instituições financeiras também são importantes para garantir a retomada do fluxo de crédito às empresas", acrescenta o texto do Fundo. O desemprego é um dos principais problemas enfrentados por alguns países atingidos mais duramente pela recessão. Nos Estados Unidos, desde dezembro de 2007, quando o país entrou em recessão por conta da crise financeira global em 2008, foram perdidos mais de 8 milhões de empregos. A previsão de diversos analistas e do próprio governo americano é de que a taxa de desemprego no país, atualmente em 9,7%, permaneça neste patamar ao longo deste ano.
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Em 19 cargos, o salário delas é maior |
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JORNAL DA TARDE - SEU BOLSO - SÃO PAULO - 15/04/10 - Pg. 1B |
Dependendo da função, as mulheres chegam a ganhar até 25% mais que os homens, diz pesquisa Cada vez mais as mulheres têm conseguido reverter a prática do mercado e conquistado salários mais altos dos que os homens. Essa diferença nos rendimentos pode chegar a 25%, dependendo da profissão escolhida. Em pelo menos em 19 cargos elas levam vantagem sobre eles, segundo pesquisa da agência de recursos humanos Catho, divulgada ontem. A maior diferença ocorre no cargo de professor com doutorado, na qual as mulheres ganham, em média, 25% a mais. Em seguida vêm estilismo/modelismo (22%) e gerente de hotel (22%). “São profissões ligadas à organização e instrução, a maioria voltada para a área de humanas. Há alguns cargos de carreiras biomédicas, onde os salários entre os sexos são equivalentes”, diz Silvana Di Marco, gerente de cargos e salários da agência. A maioria é de carreiras onde tradicionalmente as mulheres são mais valorizadas, como enfermagem e secretária. “Algumas surpreendem, como arquitetas que ganham 3% mais, e jornalistas que ganham 9% mais, mas indicam outras qualidades femininas, como comunicação.” Ela diz que a pesquisa serve como orientação para mulheres em dúvida sobre a carreira. “Nesses cargos e profissões, além de serem mais valorizadas e ter chance de ganhar salários maiores, há menos concorrência”, explica. Porém, o ganho a mais delas é relativo. A pesquisa contempla 1.800 cargos e mostra que os homens ganham, na média geral, cerca de 70% a mais. “É uma questão cultural que está mudando lentamente. No último ano, por exemplo, a diferença de salário entre os sexos em cargos técnicos caiu dois pontos porcentuais e os homens passaram a ganhar 29% a mais do que as mulheres. Em cargos de liderança, a diferença também diminui.” CONFIRA Cargos nos quais as mulheres ganham mais do que os homens e a diferença porcentual Professor/doutor - 25% Modelismo/estilismo - 22% Gerente de hotel - 22% Terapeuta ocupacional - 19% Professor/graduado - 16% Recepcionista de hotel - 16% Estagiário/enfermagem - 13% Analista pleno/jornalismo - 13% Coordenador biblioteca - 11% Coordenador de treinamento e desenvolvimento (RH) - 10% Repórter - 9% Psicólogo hospitalar - 9% Analista pleno - vendas - 8% Analista de recrutamento e seleção pleno - 6% Analista pleno - atendimento ao cliente - 6% Bibliotecário - 6% Secretária executiva - 4% Secretária bilingue - 3% Arquiteto pleno - 3%
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Aliados dão 7,71% a aposentados |
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JORNAL DA TARDE - SEU BOLSO - SÃO PAULO - 15/04/10 - Pg. 4B |
Lideranças dos partidos decidiram votar a favor de reajuste maior do que o autorizado por Lula Os partidos da base aliada se rebelaram contra o governo e anunciaram o voto a favor de um reajuste de 7,71% para as aposentadorias acima de um salário mínimo pagas pela Previdência Social, contrariando os 7% autorizados pelo presidente Lula. Os líderes aliados fecharam um acordo para a aprovar o mesmo porcentual na Câmara e no Senado e evitar, assim, o desgaste político de uma das Casas ficar com a imagem de mais generosa com os aposentados do que a outra em ano eleitoral. O líder do governo na Câmara e relator da Medida Provisória dos aposentados, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), anunciou que, em seu parecer, aumentará a correção de 6,14%, prevista no texto original da MP, para 7%. Os líderes acertaram a votação da MP para o dia 27 de abril. Durante todo o dia de ontem, Vaccarezza tentou, sem sucesso, um acordo com os demais líderes da base do governo. Em reunião no fim da tarde, os senadores deixaram claro que não aceitavam um índice menor do que 7,71%. Vaccarezza reafirmou a posição do governo, mas os demais líderes na Câmara seguiram a posição dos senadores. “O que o presidente Lula me autorizou foi 7%. Se for aprovado qualquer aumento maior, o presidente deverá vetar, por conta da responsabilidade fiscal”, disse Vaccarezza. Pela manhã, em audiência na Câmara, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que vai recomendar a Lula o veto a qualquer proposta que conceda mais que os 6,14% previstos na MP. A afirmação do ministro não foi levada a sério por deputados. O ministro argumentou que o reajuste de 6,14% já garante o ganho real aos beneficiários da Previdência. “Vamos indicar ao presidente o veto, caso haja uma proposta com valor maior.” Alguns parlamentares consideraram que Mantega fez o jogo para pressionar um acordo no índice de 7%, contra o índice de 7,71% defendido pela base. Além de Vaccarezza, o ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, também garantiu a concessão de 7%. Sem ‘injustiça’ Em São Paulo, Lula disse que só se posicionará depois que o projeto for para sanção. “Quando chegar à minha mesa, vou tomar a decisão.” Lula afirmou que não fará “injustiça” com os aposentados, mas condicionou o aumento ao impacto nas contas da Previdência. “Tenho que levar em conta a disponibilidade do dinheiro, que é do próprio trabalhador.” Câmara aprova nova regra para deficientes O plenário da Câmara aprovou ontem projeto de lei complementar que estabelece critérios especiais para a concessão de aposentadoria à pessoa com deficiência filiada ao Regime Geral da Previdência Social. A proposta reduz o tempo de contribuição em até dez anos de acordo com o grau de deficiência, leve, moderada ou grave, e em cinco anos para todos os segurados com deficiência que se aposentarem por idade. A proposta considera segurado com deficiência a pessoa que apresentar restrição física, mental, auditiva, intelectual ou sensorial, visual ou múltipla, de natureza permanente, que restrinja sua capacidade funcional para exercer diariamente o trabalho. O grau de deficiência será definido por regulamento e atestado por perícia do Instituto do Seguro Social (INSS) a cada 15 anos. Em caso de agravamento da doença, o segurado poderá solicitar a realização de perícia em menor tempo. O projeto, de autoria do ex-deputado Leonardo Mattos, segue para votação no Senado.
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Projeto eleva rombo na Previdência |
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O GLOBO - O PAÍS - RIO DE JANEIRO - 15/04/10 - Pg. 03 |
Texto aprovado desobriga aposentados de pagar contribuição ao continuar trabalhando O Senado aprovou ontem projeto que acaba com a contribuição previdenciária dos trabalhadores da iniciativa privada que se aposentaram, mas decidiram continuar no mercado de trabalho. Essa cobrança era feita desde 1991. De autoria da oposição, o projeto aprovado em caráter terminativo (seguirá diretamente para a Câmara) pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS) pode agravar o rombo da Previdência Social, estimado em R$ 47,2 bilhões este ano. Segundo cálculos do ex-ministro da Previdência Social José Cechin, o impacto anual dessa medida, se aprovada na Câmara, seria de, no mínimo, R$ 14 bilhões por ano. A estimativa considera um universo de três milhões de aposentados que ganham, em média, R$ 1.200 por mês e continuam recolhendo para o INSS. Somando a parte dos empregadores e dos trabalhadores, a alíquota é de 30% sobre os salários recebidos durante 13 meses, incluindo o 13osalário. — Sem dúvida, o impacto nas contas da Previdência Social será grande — afirmou Cechin. Apresentado pelo senador Raimundo Colombo (DEM-SC) em 2009, o projeto teve parecer favorável do senador Paulo Duque (PMDB-RJ), que fez duas emendas ao texto original: uma garante a isenção da contribuição também a servidores públicos aposentados filiados a regimes próprios; outra determina a devolução das contribuições recolhidas desde 1991. Na avaliação do relator, a cobrança é inconstitucional. Os dois não apresentaram estimativa, nem aproximada, do impacto da aprovação. Há, porém, um entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) de que a cobrança da contribuição previdenciária dos inativos é constitucional, de forma geral. A decisão, do ministro Gilmar Mendes, refere-se a uma ação contra a cobrança da contribuição dos inativos do setor público, implementada pela reforma da Previdência, no início do governo Lula. Outra proposta isenta também deficientes O Ministério da Previdência afirmou ontem que não comenta projetos em tramitação no Congresso. A contribuição paga pelos trabalhadores ao INSS é prevista na Lei 8.212/91. Servidores públicos aposentados que voltam ao mercado de trabalho na iniciativa privada também são obrigados a recolher para o INSS a alíquota de 11%. Já o funcionário público que tem condições de se aposentar, mas decide prorrogar o pedido de aposentadoria, paga a contribuição para a União, que devolve no mesmo mês o equivalente pago. Também ontem à noite, a Câmara aprovou projeto de lei complementar que facilita a obtenção de aposentadoria por pessoas com deficiência. A proposta prevê a redução, em até dez anos, do tempo de contribuição para o INSS para a aposentadoria especial desses trabalhadores. Pelo projeto, o tempo de contribuição é reduzido em dez anos, ficando em 25 anos para homens e 20 para mulheres, no caso de deficiência grave. No caso de deficiência moderada, a redução é de oito anos, e o tempo de contribuição fica de 27 anos para homens e 22 para mulheres. Há também uma redução de cinco anos para os casos de deficiência leve, ficando 30 anos para homens e 25 para mulheres. No Regime Geral da Previdência, a regra geral para aposentadoria por tempo de contribuição é de 35 anos para homens e 30 anos para mulheres. O projeto, aprovado com 324 votos a favor e uma abstenção, também reduz o prazo em cinco anos, no caso de aposentadoria por idade de pessoas com deficiência. Nesse caso, o novo prazo será de 60 anos para homens e 55 para mulheres. O grau de deficiência será atestado por perícia do INSS. E líderes pressionam para elevar benefícios Aliados afirmam que vão aprovar 7,7%. Mantega diz ser contra; Lula, que vai avaliar BRASÍLIA e SÃO PAULO. Sem acordo com o governo, líderes de partidos aliados decidiram votar até o dia 27 a medida provisória 475 — que concede 6,14% de reajuste para os aposentados que ganham mais do que um salário mínimo —, mas avisaram que a maioria deve aprovar reajuste de 7,7%. Como relator da MP, o líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), anunciou que fixará em seu parecer um reajuste de 7%, acordado com o próprio presidente Lula. Mas, numa demonstração de desorganização do governo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que era contra qualquer reajuste maior do que os 6,14%, já concedidos e que começaram a ser pagos em janeiro. Mantega disse que pedirá a Lula que vete qualquer índice acima de 6,14%. Em São Paulo, ao comentar o assunto, o presidente não quis adiantar se vetará aumento acima de 6,14%: — Vocês sabem que a gente não pode tomar decisões antecipadas sem saber o que o Congresso vai aprovar ou não. O governo tinha um acordo feito com as centrais sindicais, e esse acordo foi para o Congresso Nacional, e lá houve emendas. Então, vou esperar votar, e quando isso chegar à minha mesa, tranquilamente, vou tomar a decisão do que fazer. Não posso nem dizer que vou manter nem que não vou manter. Preciso saber quais (...) as condições da Previdência para suportar isso (...). Tenho que levar em conta a disponibilidade do dinheiro, que é do próprio trabalhador. Os líderes governistas da Câmara avisaram a Vaccarezza que não aceitam aprovar índice diferente do que deverá ser aprovado depois no Senado, que já fechou acordo em 7,7%. Mostrando a divisão entre os governistas, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), reafirmou ontem o acordo, alegando que “não há condições políticas de se aprovar um valor menor”. A proposta de reajuste de 7% representa gasto adicional de R$ 1,1 bilhão ao ano, em relação ao aumento de 6,14%. O reajuste de 7,7% representa gasto a mais de R$ 1,6 bilhão ao ano. Na tentativa de acordo, Vaccarezza se reuniu ontem à tarde com o presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), que lidera a campanha pelos 7,7%; o líder do PSB na Câmara, deputado Rodrigo Rollemberg (DF); e outros parlamentares e senadores, como Paulo Paim (PT-RS), autor dos projetos que mudam regras de aposentadoria. Vaccarezza insistiu que o limite do governo era 7%, mas a possibilidade de consenso ruiu quando foi anunciado pelos senadores que Jucá e o PMDB do Senado mantinham o apoio aos 7,7% — resultado da aplicação da inflação do período mais 80% do PIB de 2008. O governo concedeu 6,14%, equivalentes à inflação mais 50% do PIB. Vaccarezza quer dar 7%, equivalentes à inflação mais 67,25% do PIB. — Não estou sozinho nisso (na defesa dos 7%), estou com o presidente Lula — disse Vaccarezza. Os líderes aliados temem o desgaste eleitoral que teriam, ao aprovar um índice menor do que o defendido pelos senadores. — A gente não quer derrotar o nosso governo. Queremos convencer o governo — disse o líder do PMDB na Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (RN). — O governo tem que entender que não tem jeito, que vão se aprovar os 7,7%. Vamos votar até dia 27 — resumiu o líder do PSB na Câmara, Rodrigo Rollemberg (DF).
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Sucesso de empresa familiar depende de conselho administrativo |
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DIÁRIO DO GRANDE ABC - ECONOMIA - SANTO ANDRÉ - 15/04/10 - Pg. 08 |
A sucessão familiar em empresas é tradicionalmente problemática. Seja por conta da decisão de quem deve assumir as rédeas do negócio, devido ao fato de nenhum dos herdeiros se interessar em dar continuidade ao ‘império, ou porque todos podem querer estar à frente da empresa. De acordo com o consultor Domingos Ricca, sócio-diretor da DS Consultoria Empresarial e Educacional, o grande problema é que o sonho do pai dificilmente é o mesmo que o de seu filho. "Principalmente quando a empresa é pequena, o empresário faz de tudo, se dedicando 100% ao negócio e muito pouco à família, o que gera uma aversão em seu filho", alega Ricca. Para lidar com os frequentes problemas gerados na transição da primeira para a segunda geração, o consultor afirma que uma das saídas é estabelecer um conselho de administração para tomar frente das decisões, tendo a presença dos herdeiros em reuniões mensais. Para o caso de os filhos se interessarem em assumir os negócios, mas haver uma disputa pela direção da empresa, Ricca defende também a adoção de um conselho administrativo para haver isenção afetiva nas escolhas. "Assim, o conselho decidirá quem está mais preparado para assumir o cargo, não havendo grande centralização em torno do fundador e não prevalescendo uma preferência gerada por afinidade", afirma. INCREMENTO - Apesar da orientação, na Rally Design, empresa familiar de Santo André que fabrica bancos para carros e interiores de veículos, os quatro filhos e o pai formam o conselho de administração. A Rally, existente desde 1973, emprega hoje 30 funcionários. "Procuramos uma consultoria em 2008 com o intuito de profissionalizar a estrutura de caráter familiar. Buscando alguém de fora para ditar as regras, evitamos que um invadisse a área do outro", explica Michele Perrone, filho que responde pela parte financeira. A consultoria impactou positivamente já no primeiro ano, gerando elevação de 30% do faturamento. O investimento, de R$ 48 mil, ainda não foi recuperado por conta da crise econômica. Mas Perrone diz que neste ano já será compensado. Cabe a ele organizar as reuniões semanais do conselho para estabelecer metas e cobrar seus três irmãos, que respondem pelas áreas técnica, vendas e desenvolvimento. Seu pai, o fundador do negócio, hoje apenas aconselha sobre as decisões finais.
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Pela 1ª vez em quase três anos, nenhum setor demitiu em SP |
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CORREIO POPULAR - ECONOMIA - CAMPINAS - 14/04/10 - Pg. B2 |
Resultado consta da pesquisa realizada pela Fiesp em todo o Estado no mês de março Pela primeira vez desde abril de 2007, nenhum setor da indústria paulista teve saldo negativo de empregos, aponta a pesquisa de Nível de Emprego do Estado, divulgada ontem pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). De acordo com o levantamento, dos 22 setores analisados, nenhum registrou demissões em março, 20 abriram vagas e dois mantiveram o quadro de funcionários. A última vez que houve um resultado positivo foi em abril de 2007 com 17 setores gerando empregos e cinco mantendo o número de postos. Para o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp, Paulo Francini, o resultado mostra um crescimento consolidado do nível de emprego. “Tivemos uma forte geração de empregos distribuídos por toda a estrutura da indústria. Não é um crescimento episódico ou concentrado em algum setor.” Em março deste ano, oito setores geraram mais de mil postos de trabalho, com destaque para o de produtos alimentícios com 25,6 mil vagas. O crescimento do emprego aconteceu na maioria das regiões do Estado, analisadas pela pesquisa. Das 36 regiões consideradas, 32 abriram vagas, uma ficou estável e três fecharam postos. Francini destacou a participação da produção de açúcar e álcool no nível de emprego do mês de março. Enquanto, o emprego na indústria como um todo cresceu 2,05%, sem ajuste sazonal ante fevereiro, a indústria de açúcar e álcool aumentou em 1,25% o número de postos de trabalho, o que significa 27,3 mil vagas de um total de 45 mil postos abertos em março. Segundo Francini, o ritmo de crescimento do emprego deve se manter pelo menos neste primeiro semestre. “Não vemos grandes nuvens pela frente. A última se dissipou com a manutenção da taxa básica de juros (Selic)— realizada em 17 de março. Estamos em um ritmo de crescimento que nos mantém na parte superior de nossas expectativas.” A previsão da Fiesp para o nível de emprego em 2010 é de uma elevação de 6,2%. “Seria uma geração muito forte de emprego, a maior elevação anual desde 2007, quando foi de 4,6%.” O diretor da Fiesp continua, no entanto, sem esperar que se recupere em 2010 os empregos perdidos desde a crise econômica mundial. Segundo ele, os 135 mil postos que ainda faltam para se chegar ao patamar pré-crise (setembro de 2008), só serão restabelecidos no início de 2011. “Caímos do 10 andar e estamos subindo as escadas correndo”, comparou. (Da Agência Estado) Na região, 1.550 vagas foram criadas A indústria da Região de Campinas contratou, em março, 1.550 pessoas com carteira assinada. Os dados foram divulgados ontem pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp). A variação no mês foi de 0,98% em relação a fevereiro. Segundo a entidade, o acumulado do ano apresentou uma alta de 1,72%, com a abertura de 2.750 postos. O resultado do período foi influenciado pelo desempenho de importantes setores da indústria regional: produtos alimentícios (5,89%); produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos (1,71%); produtos de borracha e plástico (0,62%); e veículos automotores e autopeças (0,49%). Em compensação, o setor químico teve um recuo de 0,32%. Na regional de Indaiatuba, que abrange 13 cidades, o saldo foi 5,43% maior frente ao mês anterior. Foram admitidas 4.150 pessoas. Em 2010, foram contratados 4.950 trabalhadores, com crescimento de 6,54% sobre os três primeiros meses de 2009. As variações positivas foram registradas em produtos alimentícios (49,55%); confecção de artigos do vestuário e acessórios (4,72%); produtos de borracha e plástico (1,81%); e veículos automotores e autopeças (0,60%). (Adriana Leite/Da Agência Anhanguera)
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Sobram empregos, faltam trabalhadores |
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CORREIO BRAZILIENSE - ECONOMIA - BRASÍLIA - 12/04/10 - Pg. 12 |
Ao mesmo tempo em que milhões de pessoas se amontoam em filas todos os dias em busca de um emprego, sobram vagas no concorrido mercado de trabalho. Esse fenômeno, tipicamente brasileiro, evidencia o descompasso histórico entre a oferta de oportunidades e o número de pessoas aptas a aproveitá-las. Apontado como gargalo quase intransponível, a ociosidade de postos que exigem preparo e formação tende a se agravar em períodos de expansão econômica. Se as previsões de crescimento para 2010 se confirmarem e o Brasil aumentar seu Produto Interno Bruto (PIB) na casa dos 6%, a necessidade por mão de obra qualificada atingirá níveis recordes no país, advertem os especialistas. "Toda vez que o Brasil cresce mais do que 4,5%, há escassez de gente especializada. Esse número é cabalístico", resume José Pastore, professor titular da Faculdade de Economia e Administração e da Fundação Instituto de Administração (USP) e consultor em relações do trabalho e recursos humanos. Os setores mais carentes de profissionais gabaritados são também os que, nos últimos dois anos, se destacaram por atrair grandes investimentos. Companhias petroquímicas e de infraestrutura, por exemplo, estão sendo obrigadas a recrutar pessoas até em outros países para ocupar cargos no Brasil. Empresas de tecnologia da informação, meio ambiente e aquelas voltadas ao agronegócio adotam saídas semelhantes. A escassez não escolhe sexo ou idade e está pulverizada por todas as regiões. Praticamente todos os estados brasileiros contam com um pequeno exército de pessoas com capacidade de trabalho e experiência, mas fora do mercado. Na Bahia, são 183.770; no Pará, 53.637 e no Rio Grande do Norte, 35.940. "Resolver esse problema vai levar tempo, apesar dos avanços verificados na educação e na profissionalização do trabalhador", completa Alcides Leite, professor de Economia da Trevisan Escola de Negócios. Cerca de 650 mil profissionais com qualificação e experiência ficarão sem emprego ao longo de 2010. É o saldo entre a oferta e demanda de mão de obra, segundo levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). "Isso depende das variáveis típicas de cada estado e de cada atividade econômica. A agricultura vai precisar de mais de 10 mil trabalhadores em São Paulo, mas vai dispensar 6.191 na Bahia", exemplifica o pesquisador Fernando Mattos, do Ipea. Para o professor do departamento de administração da Universidade de Brasília (UnB) Jorge Pinho, o Brasil paga o preço de ter abandonado o ensino técnico. "De forma enganosa, o empresariado colocou profissionais graduados, abundantes na época de recessão, em funções técnicas, acreditando que iam ganhar com isso", completa. Diagnóstico A crise econômica mundial refletiu negativamente sobre o ritmo de absorção de trabalhadores qualificados. Entre 2005 e 2007, o país experimentou taxas expressivas de contratação de profissionais bem preparados e experientes. Com a queda da atividade econômica no Brasil e no exterior, a estagnação que atingiu o emprego como um todo prejudicou, sobretudo, a recolocação dessas pessoas. "A crise econômica mundial freou o mercado de trabalho brasileiro, mas não o fez piorar. Aquele avanço entre 2007 e 2008 não se repetiu de 2008 para 2009, mas também não houve recuo. O mercado, simplesmente, deixa de melhorar", analisa o gerente da pesquisa mensal de emprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Cimar Azeredo.
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