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5/4/2010
CLIPPING - ABRH NACIONAL 01/04/2010
 

ABRH

Diálogo é aliado no cumprimento de metas profissionais  

CM CONSULTORIA - WEB - 31/03/10

A estudante Marina Elaine Lopes Hortelan estava cansada das metas impostas por seus superiores em seu antigo emprego. Ela trabalhou durante sete meses numa empresa que vende produtos de papel (bobinas, envelopes, etiquetas) e sua função era lançar os pedidos feitos pelos clientes num sistema de controle. De acordo com Marina, suas duas chefes, responsáveis pela distribuição do trabalho, exigiam que ela organizasse seus horários para conseguir cobrir as metas. "Na teoria, a divisão das tarefas daria certo, mas na prática a coisa funcionava diferente, pois os pedidos caíam todos juntos e eu tinha de lançar todos ao mesmo tempo", lembra a estudante.
Marina diz ainda que depois de conversar com suas gestoras e explicar suas dificuldades, as cobranças não param. "Não estava satisfeita com o emprego. Minhas metas eram muito difíceis de serem cumpridas, então decidi fazer um acordo e pedi para ser demitida", resume ela. As metas profissionais estão ligadas ao planejamento estratégico de quase cem por cento das empresas de grande porte. Daí a importância de seguir o cronograma.
Segundo Maria Roberta Cavalcante de Almeida, coordenadora acadêmica dos MBA da Faculdade de Economia e Finanças do IBMEC-RJ, casos como o de Marina não são raros. Na opinião dela, quando um profissional tem problemas em cumprir metas, deve tentar estreitar seu relacionamento com seu superior e expor a ele a situação. "O empregado deve levar dúvidas e sugestões para seu gestor e conversar clara e objetivamente sobre as metas. Se ele não consegue cumpri-las, tem de expor suas dificuldades, dizer se é ou não possível lidar com as metas e ver qual a melhor forma de organizá-las", sugere Maria Roberta.
No caso da estudante, nem depois da organização de horário solicitada por suas líderes o problema cessou. "Elas me pediram para que eu anotasse tudo o que fazia durante o dia e a partir daí, achavam que eu poderia me organizar melhor. O que elas não entendiam é que não dava tempo nem de anotar o que fazia, pois além de emitir os pedidos também atendia muitas ligações de clientes. Ou anotava o que fazia ou fazia todo o resto", diz Marina. Mesmo com a aparente falta de compreensão no caso de Marina, Luciano Venelli Costa, coordenador do curso de Gestão de Recursos Humanos da Universidade Metodista de São Paulo, engrossa o coro de que o diálogo com os superiores é a melhor arma na busca de solução para esse tipo de problema.
De acordo com ele, uma forma de organizar melhor a relação de imposição de uma meta é o funcionário tentar negociar sua demanda com o próprio chefe, expor suas dificuldades e restrições a ele e com isso encontrar uma solução para a situação. "Quando o empregado se compromete em fazer algo que ele mesmo propôs ao líder, passa a não encarar mais aquilo como uma imposição de seu superior e busca fazê-lo de uma maneira melhor", defende o coordenador da Metodista. Costa afirma ter vivido o mesmo problema. De acordo com ele, a falta de negociação com os gestores gerava certa rebeldia da equipe. Como resultado, uma situação inusitada, todos combinavam não cumprir a meta. "Havia o receio de uma proposta maior de trabalho na próxima jornada (caso as metas fossem cumpridas)", lembra ele.
O coordenador da Metodista acrescenta ainda que a estrutura que é oferecida ao funcionário tem importância significativa na qualidade do trabalho e, portanto, no cumprimento das tarefas. Venelli destaca que muitas vezes as más condições no local de trabalho contribuem para sua deficiência. "Mesmo diante de meta que tínhamos, às vezes, a estrutura não ajudava, pois havia máquinas necessitavam de peças especificas e quando não tínhamos, precisávamos buscá-las para resolver o problema", exemplifica ele. Maria Roberta é enfática ao tratar a questão da estrutura. "É preciso que a empresa e o líder verifiquem as condições de trabalho dos seus empregados. Não adianta passar uma meta e não dar condições para que eles possam cumpri-la. Se toda a equipe não souber para que servem as metas e até onde elas podem chegar, eles não a levarão a sério", declara a coordenadora.
Apesar da importância destacada do diálogo entre as partes na realização das tarefas e cumprimento de metas, não são todas as empresas que se preocupam em estimular essa relação e não explicam para seus funcionários o porquê daquela meta no momento em que ela é passada e o quanto aquilo pode trazer benefícios tanto para a empresa quanto para o empregado. A coordenadora do IBMEC explica que hoje em dias as pessoas não querem mais esse tipo de relação de imposição e sugere que o colaborador questione aquelas metas e busque um entendimento sobre o que aquilo pode proporcionar. "Muitos funcionários ainda têm medo de levar suas dificuldades para o líder ou por serem novos na empresa ou por serem novos na profissão. Ele tem de superar isso e levar o questionamento a gerência, para que ela reveja as metas e possa resolvê-las", reforça Maria Roberta.
Apesar de muitas organizações adotarem novas políticas no trato com os funcionários, os profissionais não devem achar que seus gestores lhes darão satisfações sobre as tarefas. Existem empresas que impõe, sem nenhum tipo de explicação, a meta ao funcionário e que não abrem espaço para diálogos ou exposições sobre possíveis dificuldades no processo. "Se o empregado simplesmente recebe uma meta, de qualquer forma terá de cumpri-la. Caso ele não consiga ou não goste de como ela foi imposta, cabe a ele tentar conseguir outro emprego. Isso é uma questão pessoal", aconselha Maria Roberta.
Gestor na mira
Mas não apenas quem está na base da pirâmide hierárquica está sujeito a metas. Gestores também estão sob pressão e devem lidar com as metas em duas direções, tanto recebem tarefas, quanto precisam distribuí-las adequadamente e administrar sua realização. Por isso mesmo, a pressão vem dos dois lados. Como explica Leyla Nascimento, Presidente da ABRH Nacional (Associação Brasileira de Recursos Humanos), o gerente também está na mira quando o assunto é cumprimento de metas dentro de uma corporação.
Leyla também defende o uso do diálogo para que o gestor possa administrar as metas que passa, numa demonstração a mais de que a conversa pode ser mais bem-vinda do que as partes envolvidas imaginam. Segundo ela, a melhor forma de trabalhar o relacionamento das metas é a transparência do líder com seus funcionários. "Ele deve passar uma boa orientação da tarefa ao funcionário, explicar o porquê daquela meta e os benefícios que elas podem trazer para a carreira de cada um da equipe e para a empresa, além de dar suporte para que a meta seja atingida", afirma ela.
Venelli concorda e expõe a importância que a explicação em relação a determinados objetivos dentro da empresa pode ter. "Quanto mais o líder mostrar para sua equipe qual o objetivo daquela meta, mais eles se comprometem em cumpri-la. Caso contrário, a equipe também não vai recorrer ao líder se deixar de cumprir com esses obejtivos", diz ele, sinalizando que o fim do diálogo entre as duas partes pode ser fatal e ter como principal vítima, a própria empresa.
Outro ponto importante é saber quando reconhecer o bom líder, que para Leyla se dá naquele que conhece sua equipe. Para ela, esse líder sabe identificar a diferença entre acomodação e falta de motivação com relação à demanda e, a partir daí, pode tentar resolver o problema. "Se o gestor perceber que a equipe boicota o trabalho, cabe a ele procurar saber qual o problema".

Segurança  

ZERO HORA - ONTEM E HOJE - PORTO ALEGRE - 30/03/10 - Pg. 31

A Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-RS) promove hoje, das 14h às18h, na Associação dos Agentes Fiscais da Receita Municipa, em Porto Alegre, o 6º Fórum de Relações Trabalhistas, com o tema Gestão em Segurança e Saúde do Trabalho. Inscrições pelo site www.abrhrs.com.br

Reunião  

A NOTÍCIA - WEB - 31/03/10

A prefeita Cecília Konell é convidada da diretoria da CDL de Jaraguá para reunião mensal da entidade hoje às 12 horas, no Clube Baependi. A prefeita fará uma exposição aos lojistas dos planos da administração municipal, em andamento ou projetados. Além da prefeita, o presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos do Brasil, Luciano de Liz Barbosa, vai falar sobre o congresso estadual nos dias 13 e 14 de maio, em Florianópolis.

Presença  

A NOTÍCIA - WEB - 30/03/10

A Associação Brasileira de Recursos Humanos de Santa Catarina de Jaraguá do Sul começa os preparativos para marcar presença no 20º Congresso Estadual que ocorrerá nos dias 13 e 14 de maio, em Florianópolis. A programação vai ser no Centro de Eventos da Capital, em torno do tema central “Atitudes que constróem resultados estratégicos”. Além de debates que propõem aos profissionais da área refletir sobre a importância da atitude das pessoas na gestão, o evento reunirá ainda novidades voltadas a esse segmento na Exposição Catarinense de Produtos e Serviços de RH (Expocarh).

O dia  

JORNAL DO COMÉRCIO - PAINEL ECONÔMICO - PORTO ALEGRE - 25/03/10 - Pg. 16

O Instituto Brasileiro de Gestão de Negócios realizará o Papo Top Ser Humano da ABRH/RS, às 19h30min, na avenida Protásio Alves, 2.493.

Mundo do trabalho

Nada como um bom começo  

EXAME - BRASIL - SÃO PAULO - 07/04/10 - Nº 965 - Pg. 42 a 45

O governo elevou generosamente os salários iniciais das carreiras públicas, atraindo candidatos de bom nível. O país paga caro por isso - mas a qualidade do serviço ao cidadão ainda precisa melhorar muito 
Angela Pimenta
Aos 24 anos, disciplinado e fluente em inglês, o brasiliense Ramon Selton, formado em administração de empresas, bem que poderia almejar uma carreira na iniciativa privada. Porém, como muitos jovens brasileiros de boa formação fazem atualmen te, Selton tem outros planos. Ele quer ser aprovado num concurso público e garantir de saí da um salário na faixa de 10 000 reais. Essa é a remuneração inicial oferecida para cargos de nível superior em órgãos como a Polícia Federal, o Tribunal de Contas da União e as agências reguladoras. Dedicado aos estudos 9 horas por dia - 4 num cursinho especializado em concursos públicos e 5 em casa -, Selton integra uma legião estimada em 11 milhões de brasileiros, muitos dos quais de classe média alta e com idade entre 18 e 30 anos, candidatos a ocupar mais de 400 000 vagas oferecidas pela União em 2010. Dessas, metade corresponde ao trabalho temporário de pesquisador do próximo censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ( IBGE). Os demais postos - alguns com mais de 700 concorrentes por vaga - abrangem desde cargos como o de técnico de nível médio do recém-criado Instituto Brasileiro de Museus, com salário- base de 2 130 reais, até os de nível superior, como o de analista administrativo da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), com piso de 9 400 reais. "Vou fazer o maior número possível de provas", diz Selton, que deve prestar concurso para uma agência reguladora e para a Polícia Federal. "Ao contrário da iniciativa privada, que cobra muito, paga pouco e não oferece segurança, quem passa num bom concurso público está com a vida ganha para sempre."
De fato, os atrativos do serviço público sobre a juventude são imensos. Para efeito de comparação, segundo levantamento do Grupo Catho, empresa de recrutamento para o setor privado, o salário médio inicial de um analista administrativo de nível superior em empresas é 3 000 reais, menos de um terço do oferecido a quem entra na Aneel. Mesmo para profissionais mais experientes, as ofertas na iniciativa privada ficam abaixo de certos pisos na máquina pública: a média apurada pelo Catho nas ofertas para gerente administrativo é de 8 000 reais. Não bastassem os salários altos, os servidores públicos contam com privilégios como estabilidade no emprego e aposentadoria integral - e por isso os concursos seduzem cada vez mais jovens e profissionais qualificados. De 2005 para cá, o número de inscritos para tentar uma boquinha na burocracia estatal mais que dobrou, de 5 milhões para os 11 milhões previstos para este ano.
Nem sempre foi assim. Se na época do chamado milagre econômico o governo pagava rendimentos polpudos aos funcionários, ao longo dos anos 80 e 90 seus salários foram corroídos por aumentos abaixo da inflação. Até o final da década de 90, afora para algumas profissões de elite do Estado, como juiz, consultor legislativo e auditor da Receita, os concursos federais exerciam pouca atração sobre a classe média. Em boa parte do funcionalismo, esse período de baixa deu margem à difusão de relacionamentos do tipo "o governo finge que paga e o servidor finge que trabalha", em prejuízo da qualidade do serviço prestado ao cidadão. Nos últimos anos, porém, sobretudo no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, abriuse uma nova era de bonança para os barnabés. Além de criar mais de 120 000 vagas desde janeiro de 2003, a União passou a conceder aumentos generosos ao funcionalismo, sobretudo às faixas iniciais das carreiras. "A lógica usada pelo governo para os reajustes é aproximar os salários do Poder Executivo, que eram mais baixos, dos rendimentos mais altos, que já eram oferecidos pelo Legislativo e pelo Judiciário", diz Nelson Marconi, especialista em finanças públicas da Fundação Getulio Vargas. "Como o aumento no topo das carreiras teria um impacto negativo profundo nas contas, a opção foi conceder os maiores aumentos às faixas juniores." De acordo com a consultoria Tendências, em sete anos a remuneração média do Poder Executivo teve um ganho real, descontada a inflação, de 62%, a do Legislativo teve 37%, e a do Judiciário, 94%. No âmbito do Executivo, que congrega mais de 95% dos servidores, com um universo de 244 cargos, entre as carreiras mais beneficiadas despontam as de advogado da União, analista do Banco Central e pesquisador das universidades federais.
Segundo o Ministério do Planejamento, cuja Secretaria de Recursos Humanos é responsável pela concessão de aumentos ao funcionalismo, a União utiliza três critérios básicos para fixar pisos e tetos salariais. O primeiro é o princípio constitucional que estabelece que os vencimentos dos funcionários sejam superiores ao salário mínimo - que hoje é 510 reais - e inferiores aos 26 700 reais de um ministro do Supremo Tribunal Federal, o cargo mais bem remunerado da União. O segundo critério tem a ver com o grau de responsabilidade e a complexidade de cada cargo. Mas tal argumento não explica por que, no início da carreira, um médico do trabalho ganha 2 900 reais, e ao final, após acumular décadas de dedicação e experiência, recebe pouco mais de 5 000, uma diferença de apenas 42%. "Essa política de recursos humanos não é razoável", afirma Marconi. "O ideal para que o profissional veja a evolução na carreira como um estímulo é que a diferença entre o piso e o topo seja de 150% a 200%."
Finalmente, o terceiro critério salarial do governo diz respeito às demandas dos servidores - e aí é que estaria a razão de algumas categorias, mais fortes politicamente, ser brindadas com valorizações maiores que a média geral. Segundo Raul Velloso, também especialista em contas públicas, a pressão sindical está na raiz dos fartos aumentos e no consequente encurtamento entre as remunerações de piso e de topo das carreiras. "Essa mudança ocorreu no segundo mandato de Lula, quando o governo instalou mesas de negociações permanentes com os sindicatos dos servidores", diz Velloso. O custo da folha de pagamentos da União, de 4,5% em 2008, deve crescer para 5,12% do PIB em 2010, o mais alto em 15 anos. Segundo previsões do Ministério do Planejamento, neste ano o governo deve gastar com os servidores, incluídos pensionistas e aposentados, quase 168 bilhões de reais, o equivalente a 33% da receita líquida da União. "Os altos gastos com o funcionalismo exercem pressão negativa sobre o potencial de crescimento do país, porque pioram as contas públicas e isso leva ao aumento da taxa de juro", diz o analista econômico Felipe Salto, da Tendências.
Essa conta mais alta para o país tem gerado melhoria no atendimento aos contribuintes, que são os clientes e mantenedores do funcionalismo? No que se refere à qualidade do serviço propriamente dito, por ora o que se vê são melhorias esparsas. É possível detectar maior eficiência em órgãos como a Polícia Federal, mais atuante no combate à corrupção e ao crime organizado, e no Conselho Nacional de Justiça, que tem conseguido imprimir maior agilidade ao Poder Judiciário. Mas, no quadro geral da máquina pública, ainda é pequeno o avanço.
Ingresso dourado
Os salários iniciais oferecidos nas principais carreiras do serviço público federal foram elevados muito acima da inflação ao longo do governo Lula. 49,1% foi a inflação (1) acumulada de dezembro de 2002 a janeiro de 2010.
Como o próprio presidente Lula reconhece, hospitais públicos e boa parte das repartições prestam serviços indigentes à população. De imediato, a oferta de salários maiores tem contribuído para a elevação do nível da nova safra de burocratas. Isso se dá em razão do processo seletivo apertado na porta de entrada das carreiras públicas. "Os concursos federais são hoje as competições acadêmicas mais disputadas do país", diz José Wilson Granjeiro, dono do Grancursos, rede de cursinhos preparatórios sediada em Brasília com 20 000 alunos. "Um concurso dos mais difíceis, como o do Tribunal de Con tas da União, realizado no ano passado, teve 23 disciplinas diferentes, testando profundamente o raciocínio e a cultura sobre minúcias do direito administrativo." Além disso, as provas, que costumam durar 4 horas ininterruptas, chegam a conter 240 questões - uma verdadeira maratona cerebral. Para carreiras como a de delegado de polícia, os concursos também exigem testes de aptidão física e emocional. Mas, diversamente do setor privado, que, antes de contratar, realiza uma série de entrevistas e testes de avaliação de características como capacidade de liderança, o governo só costuma aferir a capacidade intelectual dos candidatos. E, uma vez contratados, a ausência de um sistema efetivo de meritocracia torna-se um empecilho para o aprimoramento continuado dos servidores. "Em tese, os sistemas de avaliação existem nas repartições, só que não funcionam para valer, pois são raros os casos de funcionários cuja avaliação negativa resulte, por exemplo, na perda de uma gratificação", diz um economista de uma autarquia federal. Isso explica por que, a cada ano, menos de 1% dos funcionários federais são demitidos por desempenho fraco ou improbidade.
Caso a atual política de recursos humanos do governo se mantenha, tudo indica que o poder de sedução dos concursos continuará em alta nos próximos anos. "Nossas estimativas indicam que a maioria dos servidores está na casa dos 50 anos de idade e, portanto, próxima da aposentadoria", diz Granjeiro. "Isso deve gerar 1 milhão de vagas federais até 2015." Espera-se que essa renovação - e o estímulo dos gordos salários que a próxima geração de servidores vai encontrar - se converta, afinal, numa burocracia mais eficiente.

Carteira assinada deve bater recorde em 2010  

EXAME - GRANDES NÚMEROS - SÃO PAULO - 07/04/10 - Nº 965 - Pg. 17

O mercado de trabalho brasileiro deve registrar recorde na criação de empregos formais neste ano. A consultoria econômica LCA projeta o saldo(1) de quase 1,8 milhão de carteiras assinadas em 2010. No início de 2009 - momento em que a maioria dos analistas previa que o ano terminaria com índice de desemprego na casa de dois dígitos, em razão da crise -, as projeções da LCA, feitas a pedido de EXAME, ficaram muito próximas dos dados reais registrados no final do ano (veja abaixo). Para 2010, a previsão é que o índice de desemprego fique em 7,2%

São Paulo cai quatro posições em ranking salarial de docentes  

FOLHA DE S.PAULO - COTIDIANO - SÃO PAULO - 01/04/10 - Pg. C7

Levantamento da Folha considera remuneração inicial na rede estadual; SP tem 2º melhor salário entre Estados com mais alunos
Governo Serra tem adotado políticas para remunerar melhor professor que for bem em avaliações; último reajuste geral foi em 2008
Fábio Takanashi, Luiza Bandeira e Silvia Freire
A rede estadual paulista de ensino caiu quatro posições desde 2007 no ranking nacional de salários iniciais, para professores da educação básica. Ocupa hoje a 14ª colocação entre os 27 Estados. Já dentre os cinco com o maior número de alunos, está em segundo lugar.
O levantamento, feito pela Folha, mostra que a hora-aula paga em São Paulo equivale à metade da de Roraima, unidade com a melhor remuneração.
No sistema paulista, o salário é de R$ 1.834, para uma jornada de 40 horas semanais. Foi considerada a remuneração inicial (que abrange metade da rede estadual de SP) dos docentes com formação superior.
Entre os cinco maiores sistemas de ensino, apenas o Paraná paga mais que São Paulo. Atrás vêm Rio, Bahia e Minas Gerais.
Parte dos docentes paulistas está em greve há quase um mês. Eles exigem reajuste de 34,3%. Desde 2008 não há aumento e desde 2005 os reajustes aos docentes estão abaixo da inflação.
A política implementada pelo governo Serra, que seguirá com Goldman (ambos PSDB), foi dar dinheiro extra aos docentes mais bem avaliados. Ontem, por exemplo, a Secretaria da Educação anunciou que 20% dos docentes ganharam aumento de 25% -eles tiveram as maiores notas numa prova.
A pasta diz entender "que motivar e valorizar o professor é o caminho mais adequado para melhorar a educação". O governo não comentou o ranking. Sobre o reajuste pedido pelos grevistas, afirmou que desorganizaria as finanças do Estado.
Educadores ouvidos pela reportagem consideram o salário inicial um fator importante para determinar o perfil de profissional que a rede de ensino vai atrair. Há discordância, porém, sobre o peso desse indicador na qualidade da educação.
"São Paulo está evidentemente com um salário baixo. Se considerar o custo de vida no Estado, a situação é ainda pior. É difícil atrair e reter bons profissionais", diz o coordenador da pós-graduação em educação da USP, Romualdo Portela.
Segundo o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), São Paulo tem a segunda cesta básica mais cara dos país, só abaixo da de Porto Alegre.
"O salário inicial é importante. Mas o jovem também olha as possibilidades de ascensão na carreira", afirma o pesquisador Eduardo Andrade, do Insper (antigo Ibmec-SP).
Novo ranking
Desde 2007, quando a reportagem fez o último ranking, ultrapassaram São Paulo os Estados do Espírito Santo, Amapá, Mato Grosso e Paraná.
"O Estado vem recuperando os salários desde o ano 2000. Diminuíram as greves, melhorou a qualidade de ensino", afirma o representante dos professores da rede estadual do Mato Grosso do Sul (7º no ranking), Jaime Teixeira.
Salários contam apenas parte da história
Antonio Góis
A comparação do levantamento de salários de professores feito pela Folha com o ranking das redes estaduais no Ideb (índice que avalia a qualidade da educação) confirma o que alguns estudos já haviam comprovado: a remuneração conta apenas parte da história.
O Maranhão paga o terceiro melhor salário, mas tem apenas o 19º Ideb. Já o RS, segundo pior salário inicial do país, apresenta o 5º melhor Ideb.
Quando esses estudos demonstraram que não havia correlação entre salário e o desempenho dos alunos, duas reações foram mais visíveis.
De um lado, uns negavam, cegamente, uma evidência empírica. No outro extremo, houve quem defendesse, desconsiderando por completo o efeito da remuneração na qualidade.
Hoje o tema é menos polêmico quando se entende que o salário pode não ter efeito imediato na nota dos alunos, mas é um importante fator, de longo prazo, para atrair profissionais qualificados para a carreira.
Nunca é demais lembrar os dados da Pnad. Eles mostram que não há profissão de nível superior que remunere tão pouco seus profissionais.
Aumentar salários não produzirá milagres educacionais instantâneos. Mas um país que paga a um professor de ensino fundamental 12% do que ganha um juiz está dando um recado claro aos jovens mais qualificados: fujam do magistério.

Brasil vira alvo de empresas estrangeiras de recrutamento  

DCI - SERVIÇOS - SÃO PAULO - 01/04/10 - Pg. A9

Motivadas pela crescente projeção internacional da economia brasileira, algumas consultorias de recrutamento executivo estrangeiras, como Mandrake, Aslon e Kilpatrick Executive Search, miram ampliar negócios no País. O objetivo é encontrar altos executivos brasileiros para atuarem em empresas lá fora ou recolocá-los no mercado interno. "Muitas empresas que são nossos clientes lá fora estão investindo ou pretendem investir no Brasil", afirma Jacob Hoekstra, diretor da Kilpatrick e presidente da International Executive Search (Iesf), a maior rede internacional do segmento, com atuação 160 cidades de 40 países e que escolheu o País pela primeira vez para realizar sua reunião anual, na última semana, em São Paulo.
No Brasil e na Argentina, a rede é representada há cinco anos pela empresária Silvana Case, vice-presidente executiva da Case Consultores, braço de recrutamento e seleção de executivos da Catho Consultoria em Recursos Humanos, que atende redes como Amil e banco PanAmericano. A empresária reforça o otimismo em relação aos negócios: "Os primeiros meses foram excelentes e as perspectivas para o ano são de crescimento de no mínimo 20%", ressaltou Silvana.
Além da Case, o grupo Catho atua em recolocação profissional com a Thomas Case, batizada com o nome do fundador do grupo, o empresário norte-americano Thomas A. Case, que depois de presidir uma subsidiária da Emerson Electric em São Bernardo do Campo (SP) fundou a empresa, em 1977, vislumbrando um mercado inédito no Brasil. Além das divisões de assessoria a empresas e profissionais, com o crescimento da internet, criou em 1997 o classificado de empregos eletrônico Catho Online, que foi vendido em 2006 ao fundo americano de private equity Tiger Global Management, por US$ 50 milhões.
Estrangeiras
Com sete anos de experiência no recrutamento de executivos italianos às filiais brasileiras de empresas como Pirelli, Armani, Gucci e Prada, a Kilpatrick Executive Search vê boas oportunidades no atendimento a multinacionais brasileiras que procuram especialistas em suas filiais ao redor do mundo. A empresa, de origem italiana, tem escritórios também na Holanda e na Romênia. "Há um grande potencial para atuar para companhias brasileiras que buscam talentos internacionais que possam ajudá-las a atuar em outros mercados. Por exemplo, como investir em mineração na Austrália? Mineração é um mercado que o Brasil conhece, mas ele precisa saber como funciona lá", pontua Jacob Hoekstra, diretor da empresa e presidente da Iesf.
Segundo o empresário, a consultoria voltou a crescer no início do ano, depois de um período de paralisação por conta da crise. "Desde novembro do ano passado nós tivemos um grande crescimento. Assinamos mais contratos em janeiro e fevereiro do que nos nove meses anteriores", disse ele.
Em 2009, grande parte das companhias ligadas à Iesf na Europa tiveram queda de até 25% em seus negócios. "Na Europa, é um grande problema demitir pessoas: pode levar meses, até anos, e custa muito dinheiro. A legislação trabalhista é muito rígida", analisa.
De olho na expansão das empresas norte-americanas em economias emergentes, o Aslon Group, com sede em Ohio, nos Estados Unidos, também veio ao Brasil conhecer o mercado de recrutamento executivo. "O Brasil é um país de interesse de grande parte dos meus clientes na América, especialmente nas áreas de recursos naturais e energia", afirmou Timothy C. Smith, fundador-presidente da Aslon.
"As empresas americanas querem ter líderes fortes nos lugares onde elas sabem que os negócios irão crescer rapidamente, por isso estão valorizando líderes de China, Índia, Brasil e Leste Europeu", conclui. Empresas como Master Chemical (indústria química), Fisher & Company (fabricante de acessórios para automóveis) e Ideal Industries (materiais elétricos e de segurança) estão entre seus clientes que atuam nessas regiões.
Otimista com os negócios este ano, a canadense Mandrake aponta forte demanda por executivos ligados às áreas de aviação, finanças, logística e indústria. "O Brasil está na linha de frente do cenário financeiro e econômico, deixou de ser um paraíso para as férias e tornou-se um mercado estratégico", afirma Normand Lebeau, presidente da empresa.
"O mercado está aquecido. Este é o melhor momento para recolocação", acredita Eduardo Domingues Bahi, consultor de carreira da Thomas Case que aponta uma expansão de 30% no número de recolocações este ano, em comparação ao realizado pela consultoria em 2008. As áreas mais aquecidas são a administrativa, a financeira, a de controladoria e as técnicas (engenharia e meio ambiente). "Ano passado havia crise, por isso a comparação 2008 é mais adequada", diz.

Com otimismo, PEA aumenta  

BRASIL ECONÔMICO - BRASIL - SÃO PAULO - 01/04/10 - Pg. 11

O otimismo com os rumos da economia fez com que 116 mil pessoas passassem a procurar emprego em fevereiro nas principais regiões metropolitanas do país. Os dados, da Pesquisa de Emprego e Desemprego do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) e da Fundação Seade, mostram que 25 mil empregos foram criados no período, número que foi insuficiente para absorver o contingente que ingressou na PEA (População Economicamente Ativa). 
Mais desemprego
Esse cenário fez a taxa de desemprego crescer de 12,6%, em janeiro, para 13%no mês passado, um aumento que também foi influenciado pela sazonalidade, segundo o Dieese. De qualquer forma, é a menor taxa para um mês de fevereiro desde 1998.

Empregos alternativos ganham mais espaço  

JORNAL DO COMÉRCIO - JC EMPRESAS & NEGÓCIOS - PORTO ALEGRE - 29/03/10 - Pg. 08 e 09

Profissionais de diferentes áreas unem criatividade e oportunidade na prestação de serviços, oferecendo recursos inusitados aos consumidores.
Tempos modernos demandam soluções criativas e eficazes que facilitem a vida dos consumidores. De quebra, ampliam o leque de oportunidades de trabalho para quem está fora do mercado ou quer inovar a forma de ganhar o pão de cada dia. Nesse contexto, a prestação de serviços que desafoguem a correria diária é bem-vinda e tem clientela adepta – cada qual de acordo com suas peculiaridades.
Hoje em dia é possível ser pessoa física e ter uma secretária temporária em outro estado, possuir uma agenda cheia e mesmo assim vestir roupas muito bem garimpadas em lojas de grife. Também dá para cozinhar na frente da nutricionista com a dieta orientada para toda a família e encomendar mais bebida em plena madrugada sem precisar sair de casa. E mais: ter alguém que cuide, eduque, passeie e faça companhia para seu bichinho de estimação, enquanto você trabalha.
Essas são algumas das muitas alternativas que surgiram no mercado nos últimos anos, e se consolidaram graças à necessidade da maioria das pessoas de ganhar tempo em nome da comodidade.No ranking de ofícios recentemente inseridos na oferta de prestação de serviços, uma nova profissão está em alta: a de passeador de cães - ou dog walker. 
Eles já têm trabalho garantido principalmente em cidades como Porto Alegre, Rio de Janeiro, Curitiba e São Paulo, atendem a uma média de 10 a 15 clientes por dia e fazem a alegria de cães cujos proprietários estão ocupados demais para lhes proporcionarem algumas horas de diversão e lazer. Em todo o Brasil, empresas do ramo cobram em média de R$ 20,00 a R$ 30,00 por um passeio avulso de cerca de uma hora e meia, mas fazem descontos para quem fecha pacotes mensais.
O serviço é procurado, em geral, por pessoas que moram sozinhas e trabalham o dia todo, casais sem filhos e idosos que gostam da companhia do animal de estimação, mas não têm condições de realizar caminhadas mais longas. As trilhas são executadas por profissionais treinados para lidar com diferentes raças de cães (existe certificado de curso de dog walker ou adestrador). Portando certa dose de paciência e muita disposição, eles passeiam com o melhor amigo do homem e aproveitam a volta para sociabilizá-lo e exercitá-lo.
A crescente demanda tornou a atividade uma boa opção para quem quer mudar de profissão. O pré-requisito fundamental para entrar no setor é gostar muito de animais, conhecer as diferentes raças e saber lidar com elas (por isso é importante que o profissional faça pelo menos um curso com base em educação de cães).
Os passeios são realizados em horários pré-agendados, por profissionais que se apresentam com identificação e uniforme. A saída se dá em momentos com baixa incidência de sol e preferencialmente em praças ou parques próximos às residências dos cães.
Na capital paulista, a empresa Dogwalkers promete inserir exercícios e brincadeiras. Em Ribeirão Preto (SP), a Dog Walker RP prefere levar um cão por passeio quando se trata da primeira experiência. Somente depois de sociabilizado é que o cachorro está pronto para sair acompanhado de outros cães.
Em Porto Alegre, a adestradora Isis Brancher decidiu investir na profissão há cerca de quatro anos. Hoje, ela garante que não pretende fazer outra coisa que não esteja relacionada a isso.
“É muito gratificante, os cães me reconhecem, fazem festa quando vou buscá-los. O trabalho bom envolve afeto, e, acima de tudo, exige muita responsabilidade, pois tratamos com outras vidas”, pondera. Segundo ela, mais do que um passeio em que o cachorro irá se sociabilizar, algumas vezes o bichinho está carente de atenção dos donos. “É um momento de alegria para o cão.” E também faz um alerta: é fundamental usar coleira e guia nos passeios para que o animal não se perca ou sofra algum acidente.
A especialista lembra que muitas pessoas criam seus cães em apartamentos, e os passeios convencionais - como a tradicional volta no quarteirão - por vezes não são suficientes. Assim, corre-se o risco de o bichinho voltar para casa sem gastar a energia necessária, o que pode gerar estresse - e levá-lo a destruir sapatos e roer móveis - ou até mesmo causar tristeza e depressão. “Em alguns casos os cães ficam horas sozinhos em pequenos espaços”, reforça Isis. Atividades físicas prazerosas, educativas e recreativas regularmente melhoram a qualidade de vida do bicho de estimação, otimizando seu comportamento, com disciplina, e tornando sua vida mais feliz.
Secretárias pré-pagas auxiliam executivos em deslocamento
A paulistana Patrícia Coelho, 29 anos, trocou a função que exercia no departamento administrativo de uma indústria de São Paulo há um ano e meio para trabalhar como secretária temporária recebendo um salário fixo. Parece confuso, mas é isto mesmo. Patrícia é uma das 45 secretárias bilingues do Grupo Virtual Office, com unidades no Rio de Janeiro e em São Paulo, que atende a cerca de 70 de executivos de diversos estados. Os serviços são pagos à empresa por hora trabalhada. Mas as secretárias recebe remuneração fixa, independentemente de quantos clientes atenderem. Em geral, o trabalho é contratado por duas ou três horas, podendo se estender a um ou dois dias, e, em casos mais específicos, até uma semana.
A secretária temporária é um dos principais serviços de escritório que a empresa oferece, de forma avulsa. As profissionais têm tarefas semelhantes às de secretária-executiva, mas atendem a um perfil diferente de cliente. São profissionais liberais, que não possuem secretária própria, e que eventualmente precisam contratar uma. “Para o cliente, facilita a vida, é barato e ele ainda tem a vantagem de só chamar quando quiser”, defende Patrícia.
Muitas vezes, quem chama o serviço está em viagem de negócios ou lazer, e precisa que alguém reserve diárias de hotel ou de um carro, cadastre inscrição em eventos, agende passeios, jantares, entre uma infinidade de outras demandas. Este é o diferencial delas, mas as temporárias também podem ser acionadas apenas para realizar ligações, digitar atas ou enviar correspondências.
“Para realizar este tipo de trabalho, a temporária usa a internet e o telefone, e cobre 80% do serviço de uma secretária-executiva”, garante Mari Gradilone, diretora do Virtual Office - que reproduz o ambiente de um escritório, disponibilizando salas de reuniões e equipamentos, como fax, telefone e impressora para locação.
A empresária conta que enxergou a oportunidade através da necessidade dos próprios clientes. “A diferença é que estas secretárias trabalham para vários patrões, então têm que ser mais dinâmicas e versáteis - toda vez que atendem o telefone, estão representando uma empresa diferente, e têm que imaginar que aquele é seu único foco”, ressalta Mari.
Escolher as roupas alheias vira negócio
Beneficiar a compra racional, e não a emocional, é o objetivo principal do trabalho da consultora de estilo Roberta Gerhardt, que há seis anos trabalha como personal stylist dando dicas de como se vestir para centenas de pessoas (principalmente mulheres) de diversos estados brasileiros. Na prática, ela faz mais do que isso: é também uma personal shopper, ou seja, vai às compras no lugar do cliente.
O serviço é completo. Antes de percorrer lojas de grifes garimpando roupas, ela encontra a pessoa, conhece o tipo físico, o estilo, abre (literalmente) o guarda-roupas e conhece as peças já existentes. O próximo passo é saber qual o orçamento do cliente. “O shopper é um facilitador da questão financeira na hora de adquirir vestuário novo”, diz a profissional, que cobra por hora trabalhada. “Vale a pena, pois o cliente tem a garantia de que aquela aquisição vem com custo-benefício.”
Roberta se deu conta deste nicho devido à agenda de alguns profissionais e da necessidade que eles têm de manter uma boa aparência. “As pessoas tendem a valorizar o visual. Se elas não estão comunicando aquilo que precisam profissionalmente, passam uma imagem equivocada e podem até perder trabalho”, alerta. E é aí que ela “mete o dedo”. Assim que relaciona as informações necessárias, vai às compras, faz a separação das peças e envia para o cliente experimentar em casa - quando está em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro -
onde ela comparece para ajudar a compor um visual para cada ocasião. Quando atua em Porto Alegre, Roberta deixa os itens separados na loja - depois é só o cliente experimentar e pagar as compras. “Não tenho relacionamento com lojas, para poder ter liberdade de cobrar um bom serviço para minha clientela”, ressalta a personal shopper.
O perfil de quem procura este serviço é de pessoas muito ocupadas, ou que não estão acostumadas a eventos sociais e precisam se adequar, devido ao cargo ou profissão. Em geral, são profissionais liberais, executivos, pessoas que exercem cargos públicos - com faixa etária a partir de 35 anos. “Meus clientes sabem o que querem, acompanham moda, têm estilo próprio, só não têm tempo de garimpar e encontrar as peças no mercado”, diz Roberta, que antes de descobrir seu talento para a moda e entrar para este nicho atuava como advogada especializada na área trabalhista.
Nutricionista troca o consultório por atendimento a domicílio
Hoje em dia, o trabalho do profissional de nutrição pode ser mais bem aproveitado por aquelas pessoas que não conseguem seguir à risca as dicas prescritas pela dieta do nutrólogo. Basta que elas procurem uma versão mais personalizada deste atendimento: o serviço de personal nutri, prestado por especialistas que se deslocam até a residência do cliente para avaliar de perto como é a alimentação de toda a família.
É difícil fazer dieta onde comem outras pessoas. Em função da rotina dos moradores da mesma casa, das preferências e das particularidades de saúde de cada um, é montado um programa de reeducação alimentar. “Além da prescrição dietética, existe uma reestruturação para que a maneira de preparar os alimentos seja mais saudável e higiênica, bem como o cardápio seja mais nutritivo e variado”, explica a nutricionista Clarissa Camoz-zato Belin.
A profissional encontrou nesta variável uma forma mais próxima de atuar e garantir a continuidade dos tratamentos de seus pacientes. “O que tem se visto é que as famílias têm hábitos alimentares parecidos e quando todos buscam a mudança alimentar o efeito é mais positivo a longo prazo.”
“No consultório, o nutricionista dá orientação para uma patologia, a domicílio, ele orienta não só o que se deve fazer, mas como fazer”, reforça Lúcia Disconzi, proprietária da NRT Cursos, que forma profissionais da área de nutrição através de diversos cursos, entre eles o de personal diet (ou personal nutri). Ela opina que, no caso do personal diet, o serviço é mais especializado. “Como é inviável ter cozinha experimental no consultório, é mais possível de o paciente aderir ao tratamento se o nutri vai até sua casa, abre a geladeira, diz o que ele tem que comprar, como deve preparar, de acordo com sua necessidade.”
E é exatamente isso que acontece na maioria dos casos: ensina algumas técnicas culinárias para quem prepara as principais refeições, fato que atinge positivamente toda a família do paciente, que ganha uma alimentação mais saudável. Além disso, o profissional que opta por oferecer este serviço também se dispõe a acompanhar a pessoa no supermercado para ensinar a comprar os alimentos e conferir rótulos. E não é incomum que o personal acompanhe o paciente em restaurantes, para ensinar a fazer boas escolhas nos buffets.
De acordo com Clarissa, que atende também no consultório, para o nutricionista que trabalha só como personal diet, a maior vantagem é a flexibilidade de horários e o fato de não ter custos fixos, como locação de um espaço, luz e telefone. “O retorno financeiro é positivo, mas como todas a profissões autônomas existe a questão de períodos de maior e menor demanda.”
Tele-entrega garante bebidas em plena madrugada
O costume de sair no meio da festa para comprar mais cerveja está com os dias contados. Se depender do empresário Vinícius Müller, 24 anos, o serviço de tele-entrega de bebidas vai dominar o mercado em pouco tempo. Ele registrou a marca Tele-Trago e iniciou o negócio em dezembro, com o auxílio de um motoboy. A demanda exigiu que contratasse mais dois funcionários para tocar o negócio. Nesse período, registrou um aumento de 300% nas vendas.
Em média, são 50 entregas semanais em horários que variam de acordo com os dias da semana - na sexta-feira e no sábado, por exemplo, a entrega ocorre das 20h às 4h. Movido pela própria vontade de poder comprar cerveja no meio da noite sem sair de casa, Müller (que sempre trabalhou em multinacionais) revela que criou o modelo de negócio visando a ter seu próprio empreendimento. Atualmente, ele cursa a faculdade de Engenharia de Produção.
“Já necessitei deste serviço, fiz pesquisa de mercado primeiro com amigos, depois com universitários e a ideia foi muito bem aceita”, recorda o jovem empresário, que formulou seu plano de ação através de orientações disponíveis no site do Sebrae. Nos quatro freezers disponíveis no depósito, Müller tem cerveja, vodka, uísque, energético, gelo, refrigerantes, água e chope.
A entrega também dispõe da opção de copos plásticos e cigarros. “A bebida chega gelada mesmo, pronta para beber. O serviço é uma comodidade e facilidade para o cliente, além de ser mais seguro e 30% mais barato que sair para comprar em lojas de conveniência”, compara o empresário. Por enquanto, o Tele-Trago atende apenas à região central da cidade. Mas em breve vai ter que pensar em ter filiais na zona Norte e na zona Sul: tem até bares erguendo o telefone para chamá-lo.

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