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31/3/2010
CLIPPING - ABRH NACIONAL 31/03/2010
 

ABRH

Fijo oferece especialização em gestão da responsabilidade social 

PAUTA SOCIAL - WEB - 31/03/10

Aulas serão realizadas de abril de 2010 a julho de 2011
Estão abertas as inscrições para o curso de especialização em Gestão da Responsabilidade Social, promovido pela Fundação Irmão José Otão (FIJO), em Porto Alegre/RS. Em sua 2ª edição, o curso visa qualificar profissionais para a gestão da responsabilidade social, com senso ético, espírito crítico e competências teóricas e metodológicas. As aulas serão realizadas na sede da FIJO (Av. Ipiranga, 6681 – Prédio 2 – Campus da PUCRS), de abril de 2010 a julho de 2011, quinzenalmente, às terças, quartas e quintas-feiras, totalizando 360 horas/aula. As inscrições devem ser feitas até o dia 9 de abril pelo site www.fijo.org.br.
Na página da FIJO, constam as disciplinas, a relação de professores, o investimento necessário, o período de matrícula e outros dados sobre a especialização. Alunos egressos da PUCRS ficam isentos da taxa de inscrição e têm 10% de desconto no valor do curso. Associados ABRH-RS, entidade parceira da FIJO na realização do curso, também têm desconto. Para mais informações, escreva para cursos@fijo.org.br ou ligue: (51) 3205-3100

Diálogo é aliado no cumprimento de metas profissionais

UNIVERSIA - WEB - 30/03/10

Estratégia ajuda profissionais que sofrem com excesso de tarefas
A estudante Marina Elaine Lopes Hortelan estava cansada das metas impostas por seus superiores em seu antigo emprego. Ela trabalhou durante sete meses numa empresa que vende produtos de papel (bobinas, envelopes, etiquetas) e sua função era lançar os pedidos feitos pelos clientes num sistema de controle. De acordo com Marina, suas duas chefes, responsáveis pela distribuição do trabalho, exigiam que ela organizasse seus horários para conseguir cobrir as metas. "Na teoria, a divisão das tarefas daria certo, mas na prática a coisa funcionava diferente, pois os pedidos caíam todos juntos e eu tinha de lançar todos ao mesmo tempo", lembra a estudante. 
Marina diz ainda que depois de conversar com suas gestoras e explicar suas dificuldades, as cobranças não param. "Não estava satisfeita com o emprego. Minhas metas eram muito difíceis de serem cumpridas, então decidi fazer um acordo e pedi para ser demitida", resume ela. As metas profissionais estão ligadas ao planejamento estratégico de quase cem por cento das empresas de grande porte. Daí a importância de seguir o cronograma. 
Segundo Maria Roberta Cavalcante de Almeida, coordenadora acadêmica dos MBA da Faculdade de Economia e Finanças do IBMEC-RJ, casos como o de Marina não são raros. Na opinião dela, quando um profissional tem problemas em cumprir metas, deve tentar estreitar seu relacionamento com seu superior e expor a ele a situação. "O empregado deve levar dúvidas e sugestões para seu gestor e conversar clara e objetivamente sobre as metas. Se ele não consegue cumpri-las, tem de expor suas dificuldades, dizer se é ou não possível lidar com as metas e ver qual a melhor forma de organizá-las", sugere Maria Roberta. 
No caso da estudante, nem depois da organização de horário solicitada por suas líderes o problema cessou. "Elas me pediram para que eu anotasse tudo o que fazia durante o dia e a partir daí, achavam que eu poderia me organizar melhor. O que elas não entendiam é que não dava tempo nem de anotar o que fazia, pois além de emitir os pedidos também atendia muitas ligações de clientes. Ou anotava o que fazia ou fazia todo o resto", diz Marina. Mesmo com a aparente falta de compreensão no caso de Marina, Luciano Venelli Costa, coordenador do curso de Gestão de Recursos Humanos da Universidade Metodista de São Paulo, engrossa o coro de que o diálogo com os superiores é a melhor arma na busca de solução para esse tipo de problema. 
De acordo com ele, uma forma de organizar melhor a relação de imposição de uma meta é o funcionário tentar negociar sua demanda com o próprio chefe, expor suas dificuldades e restrições a ele e com isso encontrar uma solução para a situação. "Quando o empregado se compromete em fazer algo que ele mesmo propôs ao líder, passa a não encarar mais aquilo como uma imposição de seu superior e busca fazê-lo de uma maneira melhor", defende o coordenador da Metodista. Costa afirma ter vivido o mesmo problema. De acordo com ele, a falta de negociação com os gestores gerava certa rebeldia da equipe. Como resultado, uma situação inusitada, todos combinavam não cumprir a meta. "Havia o receio de uma proposta maior de trabalho na próxima jornada (caso as metas fossem cumpridas)", lembra ele. 
O coordenador da Metodista acrescenta ainda que a estrutura que é oferecida ao funcionário tem importância significativa na qualidade do trabalho e, portanto, no cumprimento das tarefas. Venelli destaca que muitas vezes as más condições no local de trabalho contribuem para sua deficiência. "Mesmo diante de meta que tínhamos, às vezes, a estrutura não ajudava, pois havia máquinas necessitavam de peças especificas e quando não tínhamos, precisávamos buscá-las para resolver o problema", exemplifica ele. Maria Roberta é enfática ao tratar a questão da estrutura. "É preciso que a empresa e o líder verifiquem as condições de trabalho dos seus empregados. Não adianta passar uma meta e não dar condições para que eles possam cumpri-la. Se toda a equipe não souber para que servem as metas e até onde elas podem chegar, eles não a levarão a sério", declara a coordenadora. 
Apesar da importância destacada do diálogo entre as partes na realização das tarefas e cumprimento de metas, não são todas as empresas que se preocupam em estimular essa relação e não explicam para seus funcionários o porquê daquela meta no momento em que ela é passada e o quanto aquilo pode trazer benefícios tanto para a empresa quanto para o empregado. A coordenadora do IBMEC explica que hoje em dias as pessoas não querem mais esse tipo de relação de imposição e sugere que o colaborador questione aquelas metas e busque um entendimento sobre o que aquilo pode proporcionar. "Muitos funcionários ainda têm medo de levar suas dificuldades para o líder ou por serem novos na empresa ou por serem novos na profissão. Ele tem de superar isso e levar o questionamento a gerência, para que ela reveja as metas e possa resolvê-las", reforça Maria Roberta. 
Apesar de muitas organizações adotarem novas políticas no trato com os funcionários, os profissionais não devem achar que seus gestores lhes darão satisfações sobre as tarefas. Existem empresas que impõe, sem nenhum tipo de explicação, a meta ao funcionário e que não abrem espaço para diálogos ou exposições sobre possíveis dificuldades no processo. "Se o empregado simplesmente recebe uma meta, de qualquer forma terá de cumpri-la. Caso ele não consiga ou não goste de como ela foi imposta, cabe a ele tentar conseguir outro emprego. Isso é uma questão pessoal", aconselha Maria Roberta. 
Gestor na mira 
Mas não apenas quem está na base da pirâmide hierárquica está sujeito a metas. Gestores também estão sob pressão e devem lidar com as metas em duas direções, tanto recebem tarefas, quanto precisam distribuí-las adequadamente e administrar sua realização. Por isso mesmo, a pressão vem dos dois lados. Como explica Leyla Nascimento, Presidente da ABRH Nacional (Associação Brasileira de Recursos Humanos), o gerente também está na mira quando o assunto é cumprimento de metas dentro de uma corporação. 
Leyla também defende o uso do diálogo para que o gestor possa administrar as metas que passa, numa demonstração a mais de que a conversa pode ser mais bem-vinda do que as partes envolvidas imaginam. Segundo ela, a melhor forma de trabalhar o relacionamento das metas é a transparência do líder com seus funcionários. "Ele deve passar uma boa orientação da tarefa ao funcionário, explicar o porquê daquela meta e os benefícios que elas podem trazer para a carreira de cada um da equipe e para a empresa, além de dar suporte para que a meta seja atingida", afirma ela. 
Venelli concorda e expõe a importância que a explicação em relação a determinados objetivos dentro da empresa pode ter. "Quanto mais o líder mostrar para sua equipe qual o objetivo daquela meta, mais eles se comprometem em cumpri-la. Caso contrário, a equipe também não vai recorrer ao líder se deixar de cumprir com esses obejtivos", diz ele, sinalizando que o fim do diálogo entre as duas partes pode ser fatal e ter como principal vítima, a própria empresa. 
Outro ponto importante é saber quando reconhecer o bom líder, que para Leyla se dá naquele que conhece sua equipe. Para ela, esse líder sabe identificar a diferença entre acomodação e falta de motivação com relação à demanda e, a partir daí, pode tentar resolver o problema. "Se o gestor perceber que a equipe boicota o trabalho, cabe a ele procurar saber qual o problema".

Posse 

TRIBUNA DO NORTE - ECONOMIA - NATAL - 12/03/10 - Pg. 10

A diretoria da Associação Brasileira d eRecursos Humanos – ABRH, seccional RN, tomará posse hoje, às 19h no auditório d aFiern, com a presença da presidente nacional da ABRH, Leila Nascimento. A nova diretoria no período 2010/2012 terá Martha Sousa Alves na presidência.

Mundo do trabalho

Geração de empregos no Brasil está no patamar de países ricos 

BRASIL ECONÔMICO - BRASIL - SÃO PAULO - 31/03/10 - Pg. 14

O Brasil deve terminar o ano com um saldo de 2 milhões de novos empregos com carteira assinada. Essa é a projeção de economistas ouvidos pelo BRASIL ECONÔMICO, com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
Se confirmado, o resultado será o maior da série histórica iniciada em 1992 (veja gráfico). 
Na projeção do professor do Instituto de Economia da Unicamp, Cláudio Dedecca, o cenário de crescimento econômico aponta para a criação de no mínimo 2 milhões de empregos formais neste ano. “Um crescimento de 5% do (Produto Interno Bruto) PIB pode induzir a geração de 2 milhões de empregos formais. Caso a economia cresça 6%, é provável que tenhamos até 2,5 milhões de novas contratações”, diz.
Com a melhora do cenário, a taxa de desemprego pode chegar ao menor patamar em 20 anos, de acordo com o diretor-técnico do Departamento Intersindical de Estudos Socioeconômicos (Dieese), Clemente Lúcio Ganz.
“A taxa de desemprego aberto, que hoje está em7,4% pode chegar a 6,5% no fim do ano”, diz.
Acima da média
O volume de empregos a ser gerado neste ano também fica próximo à média de postos de trabalho criados por economias maiores e mais desenvolvidas nos seus mais recentes períodos de bonança, de acordo com levantamento do economista chefe do banco Banif, Mauro Schneider. De acordo com o estudo, a média anual de geração de empregos de 2003 a 2007 nos Estados Unidos foi de 1,9 milhão. No mesmo período, a Zona do Euro teve saldo positivo de 2 milhões de vagas por ano.
Segundo Schneider, a comparação mostra o quão expressiva é a recuperação da economia brasileira, já que se aproxima ao nível de economias com uma população economicamente ativa maior. Nos EUA e Zona do Euro, essa população, que indica o total com que pode contar o setor produtivo, é de cerca de
150 milhões. No Brasil essa população chega a 100 milhões de pessoas. “Isso significa uma geração de empregos que equivale a 2% do total da população economicamente ativa”, diz.
Segundo ele, o Brasil passou por uma surpreendente rapidez na geração de novos empregos. “O nível de emprego se recuperou com a mesma velocidade com que caiu”, diz. Essa velocidade na recuperação dos empregos, no entanto, deve ser reduzida após 2010. “O principal elemento para que as contratações continuem a crescer é a confiança do empresariado na perspectiva do médio prazo”, explica.
O dinamismo da economia brasileira anterior à crise foi o que favoreceu a recuperação rápida dos empregos perdidos durante a turbulência econômica, na opinião de Ganz, do Dieese. “Diferentemente dos anos anteriores, a crise internacional pegou o Brasil mas não estava presente nele. Por ter uma situação econômica favorável, com superávit comercial, equilíbrio nas contas públicas e sistema bancário relativamente bem regulado, o Brasil foi menos impactado”, diz.

Industria deve recuperar vagas 

BRASIL ECONÔMICO - BRASIL - SÃO PAULO - 31/03/10 - Pg. 15

Crescimento econômico deve puxar retomada dos empregos perdidos com a crise
A indústria deve recuperar neste ano, finalmente, os empregos perdidos desde a crise econômica de 2008. A projeção do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) é que o setor retorne aos patamares pré-crise em meados do ano. A indústria foi o segmento que mais perdeu empregos desde que o país recebeu os impactos da crise econômica mundial. 
De novembro de 2008 a fevereiro de 2010 o saldo entre admissões e desligamentos na indústria ficou negativo em 203 mil postos de trabalho, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). No mesmo período, a economia como um todo apresentou um saldo de 690 mil novos postos de trabalho, puxada principalmente pelo setor de serviços.
No primeiro bimestre do ano, o setor industrial aumentou a velocidade de recuperação, com a abertura de 139 mil novos postos de trabalho, atrás apenas das 151 mil contratações em serviços. 
Essa velocidade de criação de empregos já aponta para a recuperação dos postos de trabalho perdidos desde a crise.
“Há uma tendência de fortalecimento da indústria pelo mercado interno e externo. Esse duplo movimento tende a atender a nossa indústria, se a ela for acoplada à internacionalização da cadeia produtiva”, diz o diretor-técnico do Dieese, Clemente
Lúcio Ganz.
De acordo com o economista, o setor produtivo do país já havia passado por um período de abertura e reestruturação, ao contrário do que havia ocorrido em outras crises. “As empresas estavam muito enxutas. Agora, com a ampliação da demanda, a tendência é que haja uma retomada vigorosa no emprego”, diz Ganz.
O professor do Instituto de Economia da Unicamp, Cláudio Dedecca, diz que a expansão econômica prevista para este ano, de no mínimo 5%, não se dá sem um aumento na contratação da indústria. Além disso, ele chama a atenção para a melhora da atividade agrícola.
“Tudo indica que 2010 será um bom ano na atividade agrícola, que respinga na indústria, porque eleva a demanda máquinas e equipamentos industriais”, explica. Ainda não está claro se a indústria vai recuperar a participação que tinha no mercado de trabalho antes da crise, até porque isso depende da velocidade da expansão do emprego em outros setores. Para Dedecca, o que está certo até agora é que o setor deve ultrapassar o nível de emprego pré crise neste ano. “O que importa é termos uma geração de emprego mais igual, que sinaliza crescimento mais equilibrado”, diz.

O sonho dos estrangeiros em ser chefe no Brasil 

BRASIL ECONÔMICO - CARREIRAS - SÃO PAULO - 31/03/10 - Pg. 38 e 39

Na sexta-feira, 26 de março, as 10h52 da manhã, Jairo Okret, sócio da Korn/Ferry, empresa global de gestão de talentos, recebeu o e-mail mais recente de um estrangeiro em busca de uma oportunidade para trabalhar no Brasil. Segundo ele, até o momento, cerca de dez profissionais de outras nacionalidades (média de quase um por semana) o procuraram este ano em busca de colocação no mercado de trabalho brasileiro. “É uma situação inusitada, pois não existiu outro momento em que vi interesse dessa forma”, afirma. Diferente dos imigrantes do século passado que ofereciam força de mão de obra e volume de pessoal, os imigrantes do século XXI são em número menor, mas com qualificação, especialização.
Jacob Hoekstra, presidente do International Executive Search
Federation (IESF), entidade que reúne empresas de headhunter, declarou no Encontro das Américas, realizado pela Case Consultores na última semana, em São Paulo, que cerca de 20 profissionais estrangeiros de cargos chave o procuraram interessados em possíveis ocupações no Brasil apenas em 2010. E se engana quem pensa que o interesse parte apenas de profissionais jovens e recém-formados. Okret conta que profissionais de cargos de alta gerência também querem vir para o país. “Fui procurado por um presidente de empresa global na área de tecnologia, que reside nos EUA, com filhos crescidos, que buscava uma posição no Brasil”, afirma.
Além do grau de formação, a diversidade também está relacionada aos países de origem.
“A busca acontece principalmente por parte de europeus de países desenvolvidos, especialmente holandeses e belgas”, diz Gladys Zrncevich, sócia da A2Z Consultores, especializada em pesquisa para posições de alta gerência. O headhunter Normand Lebeau, da consultoria canadense Mandrake, conta que em 2009, dos 4 mil entrevistados para os quais perguntou “em que outro país do mundo você gostaria de trabalhar?”, pelo menos 50 deles responderam “Brasil” em primeiro lugar. Oportunidades internas
“A imagem do Brasil como terra de oportunidades profissionais para o alto escalão vem sendo fortalecida nos últimos anos, porém ganhou maior peso com a consolidação dos Brics (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia e China) e após a crise financeira”, diz Silvana Case, vice-presidente da Case Consultores. Desta forma, para as empresas que estão no Brasil, também é momento de oportunidade avalia Okret. 
“Para as empresas, quanto mais talento melhor, e se elas puderem buscar em um conjunto mais amplo, as chances de encontrar e ter sucesso são maiores”, afirma o sócio daKorn/Ferry. 
Os analistas apontam o Brasil como um país com potencial de crescimento a curto e médio prazos, os executivos estão otimistas e as empresas precisam de estrangeiros de formação específica e capacitados, mas para Okret os profissionais brasileiros não precisam ficar alertas, por enquanto.
“Não estamos tratando de uma invasão de estrangeiros no mercado, mas de algumas dezenas apenas. Eles têm a dificuldade de ajuste cultural, da língua e de questões burocráticas”, afirma. Para solucionar alguns desses problemas a consultoria GoingPlaces, que faz adaptação cultural de estrangeiros no Brasil, atua para auxiliar profissionais durante essa fase.
“Fazemos workshops para ajudar na compreensão e na comunicação”, diz a consultora Vivian Leite.
O caminho para trabalhar no Brasil
Para conquistar uma vaga no mercado de trabalho brasileiro, os profissionais estrangeiros, que não são de países sul-americanos, precisam comprovar conclusão de curso universitário e um ano de trabalho formal ou então, pelo menos, nove anos de formação e dois de experiência profissional.
“Desta forma exige-se que o estrangeiro tenha como pré-requisitos a qualificação profissional”, afirma a advogada Ziara Abud, da Apene Consultoria Jurídica. “O trabalho e formação devem estar relacionados ao que vai ser feito no Brasil”, diz.
Segundo a advogada, os vistos de trabalho são solicitados na coordenação geral de imigração do Ministério do Trabalho e Emprego pela empresa contratante no Brasil. “Nesse caso o visto não é do profissional, mas da empresa”, afirma Ziara.
Outra opção seria o próprio profissional solicitar seu visto como investidor no Brasil.
“O profissional constitui empresa no país com investimento mínimo de R$ 150 mil e apresenta um plano de negócios para o ministério de como esse investimento será usado”, diz. As leis brasileiras que tratam de imigração (Estatuto do estrangeiro de 1980 e resoluções do Conselho Nacional de Imigração) são consideradas coerentes pela advogada, se comparadas a de outros países.
“Acho as regras equilibradas. O Brasil faz a cada período aproximado de dez anos uma anistia para regularizar estrangeiros ilegais, além de acordos com o Mercosul para facilitar vistos de residência”, afirma.
MBAs mistos atraem os executivos
Cursos internacionais fazem diferença no currículo, mas não são segurança para profissionais A dúvida entre fazer um curso de especialização no Brasil ou no exterior é frequente. É comum a oportunidade aparecer quando os profissionais estão em momentos importantes na carreira e não querem abandonar o emprego, mas ao mesmo tempo também não querem deixar de fazer uma imersão em outra cultura. Essa divisão tem ampliado o interesse de profissionais por cursos que oferecem cursos no Brasil, mas coma possibilidade de fazer algumas disciplinas no exterior em períodos mais curtos. Para Selma Paschini, diretora da Human Capital Consultores Associados, os cursos mistos são uma boa alternativa para esses profissionais. “Faz muita diferença ter a vivência internacional, mas se ela puder ser balanceada coma possibilidade de participar também do atual momento econômico do Brasil é o ideal”, diz.
O curso deve ser escolhido de acordo com os objetivos do profissional e sua disponibilidade financeira. Na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), o aluno pode escolher se faz ou não parte do curso em outro país. Segundo o professor, Edson Crescitelli, também membro do conselho da Associação Nacional de MBAs, o interesse está cada vez maior. “À medida que o Brasil vai se inserindo no mercado internacional, o interesse (no curso misto) cresce acompanhando”.
A Insper também detecta a maior demanda, segundo Silvio Laban, coordenador dos programas MBA Executivo da escola, onde o curso é oferecido, nesse modelo, pela segunda vez. “Estamos detectando maior manifestação de interesse este ano, mas temos consciência de que não é uma decisão fácil pois envolve outras variáveis, como custos, agenda e todo um processo de planejamento”, diz.
Nos cursos de MBA executivo da Fundação Instituto de Administração (FIA), todos os alunos têm que fazer pelo menos duas viagens ao exterior como parte do curso. “Os destinos são Estados Unidos, China, países da Europa e Índia, incluída em 2010 pelo interesse dos alunos em conhecer os negócios do país”, afirma James Wright, coordenador do MBA executivo internacional da FIA. “Os alunos estão valorizando mais esse tipo de curso porque as empresas têm buscado executivos globais que sejam capazes de atuar em empresas internacionalizadas”, diz Wright. 
Embora o contato com executivos e professores de outros países e empresas seja enriquecedor, Selma destaca que ele não é garantia de sucesso na carreira. “Não podemos simplificar, pois o sucesso profissional depende ainda de características individuais, habilidades e de quais são as fontes motivacionais de cada um.”

Gasto com seguro desemprego cresce 11% 

FOLHA DE S.PAULO - DINHEIRO - SÃO PAULO - 31/03/10 - Pg. B3

Apesar do recorde na geração de empregos formais no início do ano, alta rotatividade nos postos de trabalho pressionou despesas 
Governo desembolsou R$ 3,1 bilhões no primeiro bimestre para cobrir benefícios; alta preocupa o governo porque pode comprometer o FAT 
Apesar da geração recorde de empregos formais no primeiro bimestre, os gastos com o pagamento do seguro-desemprego cresceram 11% nos dois primeiros meses do ano ante igual período de 2009. Neste ano, o FAT já desembolsou R$ 3,1 bilhões para pagar o benefício aos trabalhadores demitidos sem justa causa.
Esse valor alcançou R$ 2,8 bilhões entre janeiro e fevereiro de 2009. Aqueles foram meses críticos para o mercado de trabalho por conta dos solavancos provocados pela crise financeira mundial, o que fez com que as despesas do seguro-desemprego disparassem -crescimento à época de 43% na comparação com 2008.
O aumento dos gastos com o benefício preocupa o governo porque pode comprometer a saúde financeira do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador). No ano passado, pela primeira vez em 17 anos, o fundo registrou deficit operacional (incluindo operações financeiras), com perdas de R$ 1,8 bilhão.
O FAT é a fonte de recursos do seguro-desemprego e do abono salarial -também chamado de 14º salário. O fundo custeia ainda programas de geração de emprego e renda, como o Proger e o Pronaf, além de destinar 40% de suas receitas para o BNDES financiar o setor produtivo.
O governo argumenta, no entanto, que o aumento dos gastos com o seguro-desemprego foi compensado pelo aumento das receitas do FAT no primeiro bimestre de 2010. No período, a arrecadação do PIS/Pasep cresceu 16,18% devido à recuperação da economia e consequente melhora no faturamento das empresas.
Isso permitiu que o fundo encerrasse o bimestre com um superavit de R$ 3,084 bilhões -alta de 5,8% na comparação com os dois primeiros meses de 2009. O quadro favorável pode, entretanto, não se sustentar ao longo do ano.
Em janeiro e fevereiro, o fundo não registrou gastos com o pagamento do abono salarial. A partir de julho, tem início o calendário de desembolsos do abono, que é mais um fator de pressão nas contas do FAT.
Rotatividade
O diretor do Departamento de Empregos e Salários do Ministério do Trabalho, Rodolfo Torelly, afirma que o elevado índice de rotatividade no mercado de trabalho brasileiro é um dos motivos para o aumento dos gastos com o seguro-desemprego no bimestre.
"Para que houvesse um saldo de vagas positivo de 390 mil empregos em janeiro e fevereiro, 2,94 milhões de trabalhadores foram contratados e outros 2,54 milhões foram demitidos", disse. Ou seja, um dos efeitos colaterais do aquecimento do mercado no país é o grande fluxo de trabalhadores que entram e saem das empresas.
Dados ainda parciais do ministério mostram que o número de benefícios pagos em 2010 ficou atrás da marca verificada em 2009. No período janeiro-fevereiro do ano passado, 1,450 milhão de trabalhadores recebeu parcelas do seguro. Os números preliminares de 2010 somam 1,085 milhão de beneficiários do seguro.
No entanto, afirma Torelly, o aumento real concedido ao salário mínimo em janeiro deste ano repercutiu nas despesas do programa do seguro-desemprego.
Em janeiro, o piso salarial passou de R$ 465 para R$ 510 -reajuste de 9,67%. Com isso, as parcelas do seguro-desemprego também foram ajustadas, sendo o menor valor equivalente ao piso salarial, e o teto, ficou em R$ 954,21.

Novo protesto de professores 

O ESTADO DE S. PAULO - OPINIÃO - SÃO PAULO - 31/03/10 - Pg. A3

Dois anos após o embate entre delegados e investigadores armados e a tropa de choque da Polícia Militar, durante a greve da Polícia Civil, as cercanias do Palácio dos Bandeirantes voltaram a ser palco de pancadaria, desta vez com os professores da rede pública estadual. Os líderes da categoria sabiam que a legislação veda manifestações no local e, mesmo assim, tentaram realizar um ato de protesto na sexta-feira, sabendo que a PM seria obrigada a reagir.
Como era inevitável, a provocação resultou em violência, deixando um saldo de 26 feridos. E, apesar de o professorado ter invocado reivindicações de natureza salarial para justificar uma passeata ilegal, o caráter político e eleiçoeiro da iniciativa foi explicitado pela presidente do sindicato dos docentes, Maria Isabel Noronha, que é filiada ao PT e que havia participado na noite anterior de evento político com a ministra Dilma Rousseff. "Estamos aqui para quebrar a espinha dorsal do PSDB e desse governador", disse ela do alto de um carro de som, incitando os manifestantes a romper o cordão de isolamento formado por cerca de cem PMs, nas cercanias da sede do governo.
O protesto, que resultou em fotos da pancadaria largamente exploradas por simpatizantes do PT para denunciar a "violência de Serra", foi engrossado por estudantes e integrantes de outras categorias vinculadas à CUT, o braço sindical da agremiação. Essa manifestação faz parte de um plano de provocações e de invasões com o objetivo de obrigar as autoridades de segurança a reagir, o que comprometeria a imagem pública de Serra.
Basta ver que, dias antes ao incidente em frente ao Palácio dos Bandeirantes, um grupo integrado por estudantes e servidores da USP, com o apoio de agremiações de esquerda, como o PSTU, o PCO, PSOL e PT, invadiu as dependências da Coordenadoria de Assistência Social (Coseas), na Cidade Universitária, sob a justificativa de reivindicar mais investimentos em moradia estudantil. A invasão, na realidade, é outra tentativa de criar um fato político com o indisfarçável objetivo de quebrar a "espinha dorsal" do reitor João Grandino Rodas, no cargo há dois meses, nomeado por Serra.
Na época em que dirigiu a Faculdade de Direito, Grandino chamou a PM para evitar a ocupação do prédio do Largo São Francisco durante a Jornada Nacional em Defesa da Educação Pública e, desde então, tornou-se um dos principais alvos das críticas de facções discentes e docentes de esquerda. Em 2009, ele foi acusado de ter oferecido ao Palácio dos Bandeirantes os argumentos jurídicos que permitiram à PM executar a ação de reintegração de posse da reitoria, que foi ocupada por estudantes e servidores em maio e junho. Antes mesmo de sua posse, em janeiro, circulava informação de que entidades de estudantes e de servidores vinculadas a grupos de esquerda tentariam invadir uma unidade da USP para obrigá-lo a chamar a polícia. E, para tentar esvaziar a iniciativa, em fevereiro ele fez uma perigosa concessão a esse grupo, propondo ao Conselho Universitário a revogação do dispositivo legal que permitia a entrada da PM na Cidade Universitária, para evitar manifestações. Deixando a reitoria de dispor de instrumentos legais para restabelecer prontamente a ordem no campus, os baderneiros invadiram o Coseas e anunciam que a ocupação é por tempo indeterminado.
Vinculados à CUT, sindicatos de categorias do funcionalismo estadual convocaram nova manifestação de protesto para hoje, quando Serra deve renunciar ao governo estadual para se candidatar à Presidência da República. A ideia é promover mais uma passeata em ruas e avenidas de grande movimento, na capital. A estratégia acarreta congestionamentos gigantescos para a população paulistana, convertida em refém de interesses corporativos. É assim que os militantes da CUT, do PT e das microagremiações de esquerda tentam demonstrar uma força política que jamais conseguiram ter no processo eleitoral. São métodos que tornam iguais pela violência e pelo radicalismo os extremistas de esquerda e de direita.

Patrões em busca de empregados 

DIÁRIO CATARINENSE - ECONOMIA - FLORIANÓPOLIS - 28/03/10 - Pg. 20 e 21

Quem não quer ganhar bem e ter um futuro profissional garantido? Remuneração inicial de até cinco salários mínimos e perspectivas de crescimento na carreira estão entre as características do que se pode chamar de um bom emprego. É difícil entender por que certas vagas, que oferecem esses e outros benefícios, dificilmente são preenchidas.
O Diário Catarinense pesquisou com cinco fortes setores da economia no Estado para identificar onde estão essas oportunidades e o que é preciso fazer para não deixá-las passar.
Especialistas afirmam que existe um hiato entre a mão de obra operária e o profissional de nível universitário, com a proliferação de cursos de graduação e pós. Sobram vagas especializadas, que passam ao largo do tradicional tripé administração, engenharia e medicina. O mapa da mina passa por cursos técnicos e tecnológicos, que formam profissionais para atender às exigências de um mercado tão segmentado.
Os técnicos são profissionalizantes, de nível médio, enquanto os tecnólogos são de nível superior, com remunerações um pouco mais altas. Não são raros casos de diretores de empresas que começaram como técnicos.
Empresas dispostas a oferecer bolsas
Uma das razões para a dificuldade no preenchimento de vagas é a falta de cursos oferecidos em escolas que já existem. A opinião é do diretor acadêmico da Veris Faculdades, Francisco Borges, que tem 18 anos de experiência em educação profissional e ensino superior de tecnologia.
Outro problema é convencer o jovem que ele tem de voltar às fábricas, entender que pode ser uma alternativa interessante num tempo em que trabalhar em casa é tendência nas grandes corporações. Para tanto, o incentivo é fundamental. As empresas estão dispostas a oferecer bolsas de estudo ou cursos in company (realizados na própria empresa) para os funcionários dispostos a se capacitar.
Uma escolha errada pode fazer toda diferença, como afirma o articulista Ruy Leal, autor do livro Superdicas para o Jovem Escolher uma Profissão, e que há 30 anos atua com capacitação de jovens para o ingresso no mercado de trabalho. Manter o estudante em cursos tecnológicos é mais difícil, porque exige boa dose de dedicação. Ruy dá a dica:
– Tem muito jovem que escolhe mal. Há quem faça um curso porque dizem que tem emprego garantido, mas a pessoa não tem aptidão. Então larga no meio. Não pode partir do vestibular para escolher. Tem que pesquisar antes, conhecer o mercado, conversar com o profissional, ser útil no meio em que vive.

Escolher o caminho mais fácil não é a solução 

CARREIRA & NEGÓCIOS - EM SALA - SÃO PAULO - MAR/2010 - Nº 19 - Pg. 68 a 70

As discussões sobre a carga tributária e o peso dos encargos trabalhistas praticados no Brasil sempre remetem a uma reflexão sobre o nível competitivo das empresas e lançam dúvidas quanto aos impactos das mudanças sociais no avanço produtivo e tecnológico do país. Analisar essas questões não é tarefa fácil. Exige pesquisa, observação, disposição para ampliar o olhar - evitando-se a tendência de avaliar a questão de forma unilateral -, além do difícil exercício de despirse de ideias preconcebidas.
Aquecendo o debate dessas questões, temos a Proposta de Emenda Constitucional - a PEC 231/95 - que sugere a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais. Tramitando no Congresso há 15 anos, em meados do ano passado, a proposta foi aprovada por unanimidade na Comissão Especial. Agora, aguarda votação, em dois turnos, no plenário da Câmara dos Deputados, em que precisa alcançar o mínimo de 308 votos a favor. Se aprovada, a PEC 321/95 segue para discussão e votação no Senado Federal.
A pergunta que está na pauta, tanto das entidades patronais quanto das que representam os trabalhadores de todo o país, é: se aprovada, acontece o quê? Um lado acredita que a aprovação da medida criará novas vagas no mercado de trabalho; o outro, argumenta que a mudança vai provocar o encarecimento da mão de obra e comprometer o crescimento do país.
Como consultor que observa há bastante tempo o mundo empresarial, vejo o momento como uma oportunidade de aprofundarmos a análise sobre o nosso setor produtivo, com visão ampla, seriedade e, claro, disposição para absorver as mudanças necessárias, em diferentes níveis. Mudanças que vão muito além das ideias defendidas na PEC 231/95, que propõe a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais e o aumento da remuneração das horas extras.
Não é de hoje que as empresas buscam caminhos para melhorar seu desempenho. Frente à competitividade internacional e para atender à demanda interna, todos os setores intensificaram, nos últimos anos, seus esforços em aumentar produtividade e reduzir custos. Quem despertou para essa necessidade e implantou sistemas consistentes nesse sentido conseguiu enfrentar a crise que atingiu a todos, no último ano, com muito mais fôlego e poder de reação.
Assim será com as mudanças previstas pela PEC 231/95, caso seja aprovada. As empresas que tiverem uma gestão mais organizada e seus processos alinhados a uma manufatura enxuta, seja em que segmento for, terão mais facilidade de fazer a transição para a nova jornada de trabalho.
A experiência de muitos anos à frente da implementação de projetos apoiados nos conceitos do Kaizen, mostraram-me que em toda empresa ou organização sempre há fontes de desperdícios que corroem boa parte dos resultados de uma operação, seja ela de natureza industrial, comercial ou de prestação de serviços. Para alguns empresários ou gestores, é difícil, em um primeiro momento, identificar onde está o inimigo de sua lucratividade. Ele está oculto em todas as atividades, processos e rotinas que consomem recursos - humanos ou tecnológicos - sem gerar valor. Tudo aquilo pelo qual o seu cliente não está disposto a pagar. Tudo isso é desperdício, e quando diagnosticado e mensurado pode assumir formas assustadoras.
Alvo principal da metodologia Kaizen, o combate ao desperdício é, por si só, um meio de aumentar significativamente a produtividade de uma operação e garantir a sobrevida de muitas empresas. Para melhor visualizar, o Kaizen categoriza as fontes de desperdício em sete pontos principais: produção em excesso, espera, transporte de materiais, processamento inadequado, estoque, correção e movimentação de pessoas. Cada um desses desperdícios contamina a boa saúde financeira do seu business.
Impor às empresas a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas será fator comprometedor para quem já opera com uma margem grande de perdas, mesmo que este não esteja totalmente consciente do quanto está perdendo. Pressionadas pela necessidade de serem competitivas frente ao mercado internacional e conseguir atender à demanda interna, sem onerar seus custos, muitas empresas vão optar por reprogramar sua operação e ajustar suas equipes a turnos de trabalho que atendam à nova lei. Se mal conduzido, tal processo inevitavelmente vai comprometer sua qualidade e sua produtividade. Em um primeiro momento, o impacto é no caixa da empresa. Em seguida, o resultado pode ser o encerramento de suas atividades e, ao invés de gerar novos empregos, pode provocar o desemprego de muitos.
Sempre é possível fazer mais e melhor
Adequar-se aos novos tempos exige talento e vontade de empreender novas soluções. Preparar-se para o futuro e ter em mente que esse futuro começa agora. Focar a atenção em adotar uma gestão orientada para a produtividade com qualidade, que implemente e estimule uma cultura de combate ao desperdício, envolvendo todos os níveis hierárquicos da organização na manutenção da melhoria contínua, é um caminho seguro e de resultados garantidos.
Uma empresa que tenha seus processos bem organizados, que opere com estabilidade e padronização das atividades, que abra espaço para a sugestão e a troca de ideias, dificilmente se desestrutura frente às adversidades e aos novos e constantes desafios de um mundo cada vez mais globalizado. É imprescindível para qualquer empresa hoje orientar sua gestão para a maximização da produtividade e da rentabilidade. E precisa fazer isso sem aumentar seus custos.
Conseguir sobreviver, crescendo efetivamente e mantendo-se alinhado às expectativas dos seus clientes. Para tanto, uma empresa precisa garantir sua produção com qualidade. Mais uma preocupação com as medidas precipitadas ou extremas que a redução da jornada de trabalho pode gerar: o ajuste irregular dos recursos humanos à nova jornada pode comprometer aquilo que uma empresa tem de mais importante, a satisfação e a fidelidade de seus clientes se não conseguir manter sua qualidade e preço.
As empresas japonesas, orientadas há décadas para uma metodologia Kaizen, definem qualidade como sendo algo a ser construído e mantido. Não basta inspecionar seus processos de qualidade, é preciso trabalhar na prevenção e eliminação dos erros futuros, evitar os desperdícios e desvios. Ter excelentes níveis de qualidade economiza dinheiro. Se a qualidade for fruto da inspeção, ela custa dinheiro. Ao contrário disso, se uma organização melhora seus produtos e também seus processos, fazendo com que toda uma cadeia de desperdício seja reduzida e, até eliminada, então, a qualidade gera valor. Ou seja, a qualidade produz riqueza.
A realidade aponta para a confirmação dessa máxima. Os projetos bem desenvolvidos, com comprometimento de toda a empresa na busca por produções mais enxutas e orientadas para a perda zero, alcançam aumentos de produtividade da ordem de 30% a 50% já nos primeiros seis meses. A médio e curto prazo, um projeto de Lean Manufacturing, uma das ferramentas do Kaizen, retorna para a empresa cerca de 20 dólares para cada um dólar investido no projeto de melhoria contínua.
Aliado dos empresários e dos gestores de Recursos Humanos, o Kaizen não elimina pessoas, elimina erros. Inúmeros casos bem-sucedidos no setor industrial ao longo dos últimos anos retratam a melhoria de qualidade de vida das pessoas envolvidas em uma atividade orientada por esse conceito. Mais eficientes e mais produtivas, as pessoas trabalham mais motivadas e não se estressam com uma rotina frustrada por retrabalhos e sem orientação. Com o tempo, não é nada incomum as pessoas levarem essa prática para suas vidas e buscarem transformar também sua vida extraprofissional em algo que possa ser continuamente melhorado.
Em muitos clientes tive a oportunidade de visualizar a evolução de um projeto de processos puramente industriais, realocar profissionais dentro da própria estrutura, permitindo aos gestores de recursos humanos conhecer melhor o potencial de alguns profissionais e apontar com novas perspectivas de crescimento, na própria empresa. Existem dentro das empresas verdadeiros experts que podem ser descobertos.
Encarando o problema de frente
As discussões por conta da redução de jornada de trabalho e de como as empresas vão se ajustar à nova medida, caso seja aprovada, poderia trazer à tona outro vértice do complexo problema de geração de empregos. O momento me parece mais do que propício para que o governo, as lideranças políticas e as entidades de classe discutam meios mais efetivos de alavancar a educação no Brasil e a capacitação profissional em diferentes níveis, setores e regiões. Isso, sim, agrega valor às relações trabalhistas e muda o extrato social de um cidadão. Mais preparados e prontos a contribuir com as demandas que as empresas enfrentam atualmente, muitas pessoas, hoje desempregadas, poderiam ocupar cargos que estão à disposição em todo o país, sem encontrar quem o conquiste.

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