Página Inicial A ABRH Parceiros Imprensa Plano de Ação Produtos e Serviços Publicações Associados Regionais Contatos
Usuário: Senha: Associe-se
Nome: E-mail:
5/2/2010
CLIPPING - ABRH NACIONAL 05/02/2010
 

 

JORNAL DO COMMERCIO BRASIL - CARREIRAS - SÃO PAULO - 05/02/10 - Pg. B16

A Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH) pretende realizar ações para incentivar o reconhecimento do trabalho do profissional de recursos humanos pelas outras áreas das empresas onde trabalham. "Minha idéia é que, até o final do ano, o público interno das companhias, que é o foco do profissional de RH, lembre-se do trabalho realizado por essa área corporativa", diz o presidente da ABRH, Fábio Ribeiro.
Esse projeto foi impulsionado pela sanção, em meados de dezembro do ano passado, da lei que cria o dia estadual do profissional de Recursos Humanos, a ser comemorado todo 10 de dezembro em todo estado do Rio de Janeiro. A data comemorativa foi elaborada pelo deputado estadual Fabio Silva (PR) para, segundo o texto da lei, "reconhecer a importância daqueles que promovem a eficiência e a eficácia dos colaboradores para que as empresas consigam atingir os seus objetivos da melhor forma possível, buscando sempre conciliar os interesses das empresas com os que nelas trabalham".
O texto legislativo enaltece o trabalho desses profissionais ao apontar que eles planejam, dirigem, coordenam e desenvolvem atividades que visam proporcionar aos trabalhadores condições que contribuam para a sua realização profissional e satisfação pessoal, a fim de que tenham uma atitude mais empenhada e motivada diante dos desafios laborais. "Assim atuando, o profissional de Recursos Humanos contribui decisivamente para o crescimento econômico e para a prosperidade social do Estado do Rio de Janeiro", escreveu o deputado.

Golden Cross patrocina o TOP de RH 2009

SEGS - WEB - 04/02/10

A Golden Cross é a patrocinadora exclusiva do TOP de RH 2009, da Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil (ADVB SP), que premiará as empresas Mapfre, Mastercard, Sabesp, Serasa/Experian e Telefonica. A cerimônia de entrega do prêmio acontecerá no dia 9 de março, no Teatro da União Cultural Brasil-Estados Unidos, em São Paulo, com a participação do secretário estadual do Trabalho e Emprego de São Paulo, Guilherme Afif Domingos.
“Este reconhecimento é de extrema importância para os profissionais de recursos humanos, cujo trabalho é imprescindível para o sucesso das corporações. A qualidade dos cases apresentados no TOP de RH 2009 demonstra o potencial e a evolução deste setor nos últimos anos”, ressalta o diretor Comercial da Golden Cross, Cláudio Brabo, lembrando que as empresas passaram pela seleção de um júri técnico, formado por consultores da área de Recursos Humanos, e por um júri empresarial, formado por diretores de RH.
Nessa edição, que contou coma parceria da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), o júri empresarial decidiu agraciar também a M.Bigucci, GM, AGCO e Banco do Brasil, que receberão menção honrosa pela qualidade dos projetos analisados. "A qualidade dos cases apresentados foi excepcional, muito superior às edições dos anos anteriores. Os participantes do júri tiveram enorme e intenso trabalho analítico para selecionar as premiadas", explica o presidente da ADVB SP, Miguel Ignatios.
As premiadas receberão também uma bolsa de estudo para MBA na São Paulo Business School – considerada uma das cinco melhores escolas de aperfeiçoamento empresarial da América Latina. A premiação é oferecida pela ADVB SP desde 1992 e possui grande credibilidade no mercado e entre os gestores de Recursos Humanos. O objetivo do TOP de RH é reconhecer o valor das organizações e profissionais da área que conseguiram superar resultados com ações e o planejamento dos Recursos Humanos.

Mundo do trabalho

 

O sossego (ainda bem) acabou

EXAME - BRASIL - SÃO PAULO - 10/02/10 - Nº 961 - Pg. 64 a 67

Após décadas de letargia, Santos deixa para trás a aura de cidade de aposentados e pode ganhar quase 60 000 empregos com o impulso de uma nova expansão do porto e os investimentos no pré-sal
Apesar de seu movimentado porto, o principal do país, a cidade paulista de Santos atravessou as últimas décadas cultivando uma imagem de destino pacato. Praias com o que é considerado o maior jardim de orla marítima do mundo, velhos bondinhos elétricos e um centro histórico de notável riqueza arquitetônica compõem sua paisagem. A grande presença de turistas e moradores da chamada terceira idade rendeu-lhe a reputação de cidade aprazível para aposentados. A face indesejável dessa tranquilidade era uma letargia econômica que fez Santos perder posições no ranking dos maiores centros urbanos do estado de São Paulo - de segunda maior cidade há 60 anos, hoje disputa o décimo lugar. Durante boa parte da década de 90, o desemprego atingiu 20% dos santistas. Entre 1991 e 1996, a população chegou a diminuir 5%, e depois permaneceu estagnada por vários anos.
Mas esse é um quadro econômico que vem mudando e, com isso, transformando o dia a dia da cidade. Em vários pontos de Santos, ouve-se agora o barulho de máquinas e operários trabalhando em obras que começam a tomar forma. Nas fachadas de edifícios ainda em fase de construção, cartazes anunciam a chegada de empresas dos mais diversos ramos, como o atacadista Makro, a construtora Rossi, uma revenda de automóveis Land Rover, hotéis Ibis e a churrascaria Fogo de Chão. A atração de empresas de fora e a ebulição dos negócios no setor imobiliário são o início de uma corrida para aproveitar as oportunidades abertas com a retomada do crescimento em Santos. O impulso vem de uma nova fase de expansão do porto e da escolha da cidade como sede da unidade de operações da Petrobras no pré-sal. Juntos, os dois empreendimentos deverão gerar quase 60 000 novos empregos ao longo da próxima década e consolidar a virada que a cidade vem tentando dar há tempos. "Santos vive hoje o melhor cenário de seus últimos 50 anos", diz o prefeito João Paulo Papa.
A revitalização do antigo centro precedeu a retomada da economia. Aos poucos, são apagados os traços de violência e pobreza que marcaram os anos de letargia. Quem caminha pelo centro hoje vê edifícios históricos, como a Bolsa Oficial do Café, que viveu seu auge nos anos 20 do século passado, e o Palácio José Bonifácio, sede da prefeitura e da Câmara Municipal, reformados e bem conservados. Construções modernas já dividem espaço com os prédios centenários. É no centro, num ponto próximo ao cais, que a Petrobras, construirá sua sede regional, um complexo de três torres com mais de 15 pavimentos. Bares e restaurantes recém-inaugurados também dão vida nova ao bairro. Estima-se que, somente nos últimos cinco anos, mais de 1 200 estabelecimentos comerciais tenham aberto portas na região. A leva que agora chega inclui lojas, shopping centers, escritórios e apartamentos para abrigar as famílias de novos executivos e profissionais que a cidade deve receber.
O mercado imobiliário é o primeiro a refletir a esperada onda de desenvolvimento. Em bairros como o da Ponta da Praia, vizinho ao porto, é difícil não notar a efervescência. Torres residenciais de alto padrão com mais de 30 andares estão alterando a paisagem de uma área até pouco tempo atrás ocupada apenas por galpões e armazéns envelhecidos. A geografia da cidade molda o boom dos imóveis. Espremida entre morros e a vizinha São Vicente, e com menos de 40 quilômetros quadrados de área insular, Santos já não tem mais para onde crescer. Há enorme escassez de terrenos novos - para construir, é preciso derrubar. Além de um grande mercado para empresas de demolição, o efeito desse fenômeno sobre a valorização dos imóveis é avassalador. Em regiões da cidade como o tradicional bairro do Gonzaga, os preços subiram até 70% em três anos. Ali, o metro quadrado construído chega a custar 6 000 reais, valor comparável ao de bairros nobres de São Paulo, como Moema, na zona sul da cidade.
Em busca de novos mercados, grandes construtoras da capital estão descendo a serra e invadindo uma praia até pouco tempo dominada quase exclusivamente por empreendedores santistas. Entre os locais, destaque para o Grupo Mendes, do empresário português Armênio Mendes. Em 30 anos de baixa concorrência, ele construiu mais de 10 000 apartamentos na cidade. Shoppings, hotéis, motéis, edifícios comerciais e um centro de convenções também compõem o patrimônio da empresa. "A competição está acirrada", afirma Mendes. "Isso não existia." Aos 65 anos de idade, até pouco tempo atrás ele era considerado uma espécie de senhor absoluto do mercado local - o que deve mudar daqui para a frente. Só a construtora Helbor tem cinco empreendimentos planejados na cidade até 2012. A Gafisa lançou em junho seu primeiro condomínio. A Tecnisa prepara dois lançamentos para o ano que vem. "Os investimentos públicos e privados, o aumento populacional e a alta do emprego formam uma ótima combinação para o aquecimento do mercado imobiliário", afirma Klausner Monteiro, diretor da Rossi Vendas, que já lançou dois empreendimentos na cidade e tem outros dois em desenvolvimento.
A ESCALADA TAMBÉM É EVIDENTE NO consumo. Há dois anos, um hipermercado da rede Extra, do grupo Pão de Açúcar, localizado em uma das principais avenidas santistas entrou para o grupo das três lojas da marca com os maiores faturamentos entre as mais de 100 unidades espalhadas no país. Em fevereiro, será a vez da rede de varejo holandesa Makro abrir sua primeira unidade local. Um novo shopping (o quarto de Santos) foi inaugurado em dezembro com 80 lojas e quatro salas de cinema. Outro shopping, o Praiamar, está prestes a fechar contratos de locação com 17 novas lojas antes mesmo do início das obras de sua ampliação. A maioria dos interessados é de franquias que ainda não têm presença na cidade. "Antes tínhamos de ir atrás dos lojistas. Agora, as grandes redes é que nos procuram dizendo que precisam de um ponto em Santos", afirma Paulo Mendes, diretor do Praiamar. Em toda a cidade, há pelo menos 11 novos edifícios comerciais em construção. O Hospital São Luiz, que possui três unidades em São Paulo, manifestou a intenção de instalar lá sua primeira uni-dade fora da capital paulista. O grupo Accor Hospitality prepara o lançamento de dois hotéis, das bandeiras Mercure e Ibis. Nesse caso, as atenções estão voltadas para o mercado local de feiras e congressos, que tem crescido a uma taxa de 15% ao ano.
Um dos grandes motores do novo ciclo de desenvolvimento, a ampliação do porto reflete o ganho de importância política e econômica daquele que já é o maior entreposto de carga da América Latina. Por ali passa hoje quase um terço da balança comercial brasileira. Com os novos investimentos, da ordem de 5 bilhões de reais, o porto de Santos caminha para se tornar o primeiro hub port do país, especializado em concentrar e redistribuir por mar um grande volume de mercadorias. Até 2024, a movimentação deverá praticamente triplicar, passando das 89 milhões de toneladas previstas neste ano para 230 milhões de toneladas anuais - o equivalente ao que movimenta hoje o porto de Hong Kong, um dos maiores do mundo.
Para isso, investimentos públicos precisarão resolver gargalos estruturais. A fim de comportar um número maior de navios, o canal de navegação deverá ser aprofundado e alargado. A construção da avenida Perimetral, uma obra para tornar mais ágil o tráfego de caminhões a caminho do cais, está em fase adiantada. Outra frente de investimento é a ampliação e a construção de novos terminais por grupos privados. Em um desses projetos, a operadora belga Europe Terminal NV deve investir 1,6 bilhão de reais para montar em uma área hoje degradada do porto o Brasil Terminal Portuário, que movimentará contêineres e granéis líquidos. O complexo, previsto para operar em 2012, é um dos maiores projetos da companhia, dona de 42 terminais ao redor do mundo. Outros três empreendimentos semelhantes de investidores estrangeiros estão previstos para os próximos 15 anos. Além dos investimentos na expansão da capacidade de carga, o porto deverá receber obras de melhoria no terminal de passageiros. A ideia é acompanhar o crescimento do turismo de cruzeiros no país. Só na última temporada, passaram pelo píer santista 769 000 passageiros de navios - 31% mais que no ano anterior.
Apesar da euforia dos novos tempos, Santos ainda tem pela frente problemas a resolver. O nível de desemprego, em torno de 10%, está acima da média nacional. A ocupação desordenada e o crescimento de favelas sobre leitos de rios e áreas de mangue, em especial na região noroeste da cidade, contribuem para a poluição do estuário e comprometem o turismo. A baixa qualificação da mão de obra local pode se transformar num dos principais obstáculos ao desenvolvimento da cidade. Santos tem hoje 35 000 estudantes e seis instituições de ensino superior. Em dezembro, a prefeitura e o governo do estado firmaram convênios para a instalação do Parque Tecnológico de Santos. Com a iniciativa, os governos esperam atrair empresas de pesquisa em energia, petróleo e gás e necessidades portuárias. No ano passado, a Unisanta, uma das primeiras universidades do município, passou a oferecer graduação em Engenharia de Petróleo, Gestão de Qualidade de Petróleo e Gás e Logística Portuária. Em apenas um ano, a procura pelos cursos aumentou 15%. “A cidade precisa oferecer a formação necessária para a nova demanda de empregos”, afirma Aureo Figueiredo, diretor da Unisanta. Para as novas gerações de santistas, sem desdenhar a contribuição dos aposentados, nada como estar de volta ao mapa da criação de trabalho.

Empresas contratam mais matemáticos, físicos e estatísticos

VALOR ECONÔMICO - EU& CARREIRA - SÃO PAULO - 05/02/10 - Pg. D8

Talvez você ainda não tenha encontrado um matemático, um estatístico ou um físico nos corredores da empresa em que trabalha, mas as chances de que isso venha a ocorrer são crescentes. O mundo corporativo está cada vez mais interessado em profissionais oriundos das ciências exatas, por uma série de fatores. O primeiro, mais óbvio, é que dominar os segredos dos números e saber como processar informações aparentemente desconexas resulta em vantagens competitivas concretas, pois ajuda a compreender melhor a realidade e a fazer prognósticos diante de cenários complexos.
Há também a tendência de diversificar o perfil das equipes, tornando-as multidisciplinares- a formação em exatas contribui para dar metodologia e equilíbrio a decisões que muitas vezes se baseiam muito mais no "feeling" do que na análise ponderada de uma situação. Por fim, surgiu uma motivação mais recente, influência direta da crise financeira global. "Uma das grandes lições aprendidas foi a necessidade de aprimorar a gestão de risco. E os maiores especialistas nessa área vêm das ciências exatas", diz a consultora Renata Dolabella Fabrini, sócia da Fesa.
Abrem-se, assim, excelentes perspectivas nas grandes corporações para quem associa os conhecimentos técnicos das ciências exatas à capacidade de gestão e liderança. Trajetórias como a de Cláudia Santos, 40 anos, principal executiva no Brasil da fabricante de microprocessadores AMD, tendem a se tornar mais comuns. Formada em matemática pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) em 1988, ela começou a trabalhar como estagiária na IBM sem grandes pretensões além de uma carreira técnica na área de processamento de dados. "Depois de alguns anos como analista de sistemas, passei para o setor de vendas e, já vislumbrando a perspectiva de uma carreira executiva, fui incorporando outros atributos que me deram um perfil mais generalista", lembra Cláudia. Até que um dia, reconhecida pelas habilidades de liderança e capacidade de relacionamento pessoal, foi convidada a assumir a gerência de vendas.
Após 11 anos na IBM, aceitou um convite da Microsoft para exercer o mesmo cargo. Mais cinco anos e veio a proposta para assumir o comando da AMD, onde lidera uma equipe de 50 pessoas. Curiosamente, seu braço-direito na nova empresa é o diretor de vendas Sérgio Santos. Ele também é matemático, formado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Um dos obstáculos que Cláudia e outros profissionais oriundos da área de exatas precisam superar para galgar posições mais altas na hierarquia das grandes empresas é o velho estereótipo de que matemáticos, estatísticos, físicos e afins são pessoas fechadas, ensimesmadas e pouco hábeis em relacionamentos interpessoais. Eles seriam pequenos gênios escondidos por trás de óculos de lentes grossas- verdadeiros nerds.
"A maior parte dos meus colegas são pessoas extrovertidas e divertidas, que adoram bater papo e apreciam as coisas boas da vida, como cinema e música", descreve Cláudia. Em compensação, o estereótipo tem também um lado positivo. "Ao topar com o currículo de alguém que vem das ciências exatas, não dá para ignorar o quanto a pessoa tende a ser aplicada e estudiosa, pois aprender o que eles aprendem certamente não é fácil", diz Renata Fabrini, da Fesa, psicóloga por formação.
O maior interesse da iniciativa privada nos melhores cérebros das ciências exatas vem sendo percebido em centros formadores como o Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa), mantido pelo governo federal, cujos programas de pós-graduação são referência no país. "Nossos alunos chegam com o interesse primordial de seguir carreira acadêmica, mas o assédio das empresas aumentou muito nos últimos tempos e nem sempre é possível resistir", diz o professor Luiz Velho, coordenador do Visgraf, o laboratório de computação gráfica. Os convites já não chegam apenas de bancos e instituições financeiras, como era a regra até pouco tempo.
Um dos casos mais recentes entre os egressos do Impa foi o de Marcos Vinícius Rayol Sobreiro, recrutado para ocupar o cargo de gerente de implantação de novas tecnologias da empresa de telefonia Oi. "As companhias perceberam que os matemáticos têm uma contribuição importante a dar no desenvolvimento de novos mercados", diz o professor Velho, pioneiro da computação gráfica no país e ex-integrante da equipe de efeitos especiais da TV Globo.
O que aproxima a academia e as empresas privadas são os projetos que unem ambas as partes em torno de objetivos comuns. Vários dos atuais alunos do Impa, a maior parte deles na faixa entre 25 e 30 anos de idade, já prestam serviços para empresas como freelancers. Embora a maioria mantenha a disposição em seguir carreira acadêmica, alguns não escondem que estão atentos à nova realidade do mercado e não descartam a possibilidade de trabalhar em uma empresa privada. "Faço mestrado justamente para ampliar meu leque de opções profissionais. As empresas querem pessoas capacitadas e eu acredito que quem investe nos estudos levará vantagem no mercado", diz Cristiane Botelho.
Seu colega Leandro Cruz, que acumula o mestrado com uma nova graduação- em ciências da computação-, planeja atuar no promissor setor de tecnologia da informação. Philip Thompson recebeu propostas da iniciativa privada quando concluiu a graduação em engenharia, um ano e meio atrás. "Sempre há cartazes espalhados aqui pelo Impa oferecendo emprego. Minha preferência pela academia é puramente passional, já que eu certamente ganharia mais dinheiro se trabalhasse em uma empresa", reconhece. O colombiano Juan Pablo Gama está de olho num emprego em seu país. "Soube que a companhia de petróleo Ecopetrol está recrutando matemáticos sem experiência profissional", conta.
Quando concluiu o doutorado em física na Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro, em 1997, Lourenço Miranda, hoje com 38 anos, estava decidido a se tornar professor. Foi quando um amigo falou sobre o interesse de uma grande empresa por alguém com o perfil dele- era o Banco Santander, que estava à procura de um analista de derivativos. Miranda aceitou fazer uma entrevista no banco e foi imediatamente convidado a assumir o cargo. "Era uma sexta-feira e eu teria que dar a resposta na segunda. Nunca tinha sequer ouvido falar de derivativos. Mas acho que fiquei louco e topei o desafio", lembra.
Ele logo percebeu as grandes diferenças entre o universo acadêmico e o corporativo. "Ao estudar física a gente não aprende a enfrentar um chefe, a lidar com prazos curtos e a buscar metas financeiras", compara. Miranda foi criticado pelos colegas de universidade e chamado de "traidor" da academia. "Hoje, vários deles entram em contato perguntando como fazem para mandar o currículo", brinca.
Em 1999, com apenas dois anos no Santander, Miranda se transferiu para o ABN Amro como principal executivo de modelagem e risco operacional. No banco, montou uma equipe com 20 subordinados. Em 2002, foi transferido para a Holanda com a missão de comandar a área para o mundo inteiro.
Com o dilaceramento do ABN após sua venda, em 2007, o executivo recebeu mais uma proposta irrecusável: trabalhar como consultor da IFC (Corporação Financeira Internacional), braço do Banco Mundial que concede empréstimos, produtos para gestão de riscos e presta consultoria ao setor privado dos países em desenvolvimento.
Baseado em Washington, ele viaja pelo mundo. A entrevista para esta reportagem, inclusive, foi concedida do aeroporto de Dubai, onde Miranda aguardava o voo para o Sri Lanka. "Da academia, eu trouxe como principal bagagem a disposição de aprender e o prazer em conhecer coisas novas. Isso tem feito toda a diferença na minha carreira", diz Miranda.

Shell corta capacidade de refino e vai demitir mil

VALOR ECONÔMICO - EMPRESAS - SÃO PAULO - 05/02/10 - Pg. B6

A Royal Dutch Shell disse ontem que irá enxugar substancialmente suas operações de refino e comercialização neste ano, após reportar lucros decepcionantes para 2009. O segundo maior grupo de energia europeu disse que irá eliminar 560 mil barris por dia, 15% de sua capacidade de refino, e eliminar outros mil postos de trabalho, para gerar uma economia de cerca de US$ 1 bilhão. A companhia também disse aos seus funcionários que as gratificações serão reduzidas em até 12%.
As decisões foram divulgadas quando a Shell anunciou lucros fracos que ampliaram o desnível que a distancia da BP, concorrente europeia mais próxima da Shell. O lucro líquido ajustado da Shell no quarto trimestre do ano passado caiu 75% em relação ao ano anterior, para US$ 1,18 bilhão. Os resultados das operações "downstream" (refino e comercialização) em termos de custo corrente de disponibilização revelaram um prejuízo de US$ 1,76 bilhão, em comparação com lucros de US$ 561 milhão no quarto trimestre de 2008.
"Nós temos de fazer melhor", disse Peter Voser, executivo-chefe. Ele também escreveu aos funcionários, em um e-mail, que havia decidido baixar a pontuação que a empresa usa para calcular as gratificações. Isso deverá reduzir em 12%, para toda a empresa, os prêmios referentes a 2009. Entretanto, todos, exceto os diretores executivos, terão a chance de receber parcial ou integralmente o prêmio no próximo ano se a posição competitiva melhorar.
"Sei que isso é incomum, mas eu quero reforçar a urgência de agirmos para restaurar a posição de liderança da Shell", escreveu Voser. A Shell foi particularmente foi atingida em duas áreas de seu tradicional vigor de atividades: "downstream" e gás natural.
A Shell, mais do que a maioria de seus pares, entrou de cabeça no setor do gás, após ter encontrado dificuldades para identificar novas reservas de petróleo. Mas, em 2009, um colapso nos preços do gás causado por queda na demanda e aumento da oferta dos EUA tornou difícil ganhar dinheiro.
Na Shell, a participação do gás é maior do que nas operações de suas concorrentes, e por isso a companhia tem sido menos capaz de lucrar com o aumento dos preços do petróleo, que no fim do ano passado havia retomado os níveis de US$ 70 a US$ 80 por barril, tendo iniciado 2009 com cotações em torno de US$ 30.
O ano passado foi pior para o refino do que para o gás. Refinarias foram fechadas e unidades ficaram ociosas na indústria pois os lucros despencaram sob a pressão de menor demanda e da transição para automóveis menos agressivos ao ambiente.
Mas a má notícia para a Shell não parou aí: as operações de prospecção e exploração da empresa também estão em dificuldades, tendo a produção em 2009 caído 2,4%, para 3,3 milhões de barris por dia. A produção da BP cresceu mais de 4%, enquanto a da ExxonMobil subiu mais de 2%.
Voser disse que 2010 será a ponte de produção estável que conduzirá ao crescimento, à medida que grandes projetos venham a se concretizar em 2010 e 2011. (Tradução de Sergio Blum)

Pesquisa confirma liderança de pequenas em contratações

DCI - POLÍTICA - SÃO PAULO - 05/02/10 - Pg. A5

SÃO PAULO - Os pequenos empreendimentos foram os responsáveis pela maioria dos empregos gerados nos últimos 10 anos, segundo pesquisa do Instituto de Pesquisas Econômicas e Aplicadas (Ipea) divulgada ontem. De acordo com o levantamento, entre 1998 e 2008, a cada três empregos criados na iniciativa privada não agrícola dois se deram em empresas com até dez trabalhadores.
O estudo mostra que, das ocupações registradas em 2008, 38,4 milhões de ocupados estavam em empresas com até dez trabalhadores, o que representa 54,4% de todos os postos de trabalho e 57,2% do total da massa salarial. Deste total, 48,7% trabalhavam por conta própria, 43% eram assalariados e 8,3%, empregadores.
A renda média mensal dos trabalhadores em pequenos empreendimentos foi de R$ 902, sendo que os empregados tinham uma renda de R$ 633,03, os empregadores, de R$ 2.607, e os trabalhadores por conta própria ganhavam R$ 807,34.
Contudo, tanto entre empregados quanto trabalhadores por conta própria, a minoria tinha alguma proteção trabalhista. Entre os empregados, 40,8% estavam amparados pela legislação trabalhista, e 16,7% dos trabalhadores por conta própria tinham proteção trabalhista. Apenas entre os empregadores a situação é inversa: 55,8% tinham proteção trabalhista.
De acordo com o estudo, o setor de comércio, alojamento e alimentação foi o principal responsável pelos empregos entre os pequenos empreendimentos: 45% do total. Em segundo, aparece o setor da construção civil com 15,45% do total de postos de trabalho. O estudo também ressalta a importância da indústria e dos serviços de educação e saúde, que somados foram responsáveis por 27,2% das ocupações entre 1998 e 2008.
O levantamento também aponta perspectivas para os próximos anos. Até 2020 há possibilidade de geração de 19,3 milhões de ocupações no setor não-agrícola, sendo que mais da metade será gerada nos pequenos empreendimentos.
Para o presidente do Ipea, Marcio Pochmann, o governo precisa começar a repensar as políticas públicas específicas para o fortalecimento das pequenas empresas. Segundo ele, são necessários bancos e instituições públicas especializadas. "Vai ser fundamental que o Brasil reorganize as políticas públicas." Outro ponto ressaltado foi a falta de proteções trabalhistas, pois muitos empregados e pequenos empresários que trabalham por conta própria o fazem na informalidade.

89 mil empresas conseguem ingressar no Simples Nacional

DIÁRIO DO COMÉRCIO - ECONOMIA - SÃO PAULO - 05/02/10 - Pg. 09

Os programas de parcelamentos de débitos tributários, sobretudo o chamado Refis 4, ou Refis da Crise, que permitiu aos contribuintes acertarem suas dívidas com a Receita Federal do Brasil (RFB), contribuíram para o aumento das adesões ao Simples Nacional, o regime tributário direcionado às micro e pequenas empresas.
De acordo com balanço da Receita, das 89.101 empresas que tiveram o sinal verde para ingressar no regime em janeiro deste ano, 76.184 já estavam em atividade, ou seja, migraram do lucro presumido. E isso só foi possível graças ao acerto de contas com o fisco. O prazo para ingressar no regime venceu no último dia 29 e houve 232 mil solicitações de enquadramento. "O número superou as expectativas, já que esperávamos 200 mil pedidos de adesão", afirmou o secretário-executivo do Comitê Gestor do Simples Nacional, Silas Santiago.
Ele informou que existem 167 mil solicitações pendentes, seja com a Receita, estados, municípios ou os três. O resultado da situação dessas empresas será divulgado no próximo dia 17. "Aquelas que acertaram seus débitos até o dia 29 estarão dentro do Simples", disse.
Segundo a consultora tributária da Confirp, Heloísa Harumi Motoki, muitos clientes saíram da sistemática do lucro presumido e aderiram ao Simples depois que ingressaram no Refis 4. "Agora, com a redução da carga tributária, as empresas terão maior fluxo de caixa e mais condições de manter os parcelamentos em dia", analisa.
Ela lembrou que o mais recente e amplo programa de parcelamento de débitos federais permitiu a regularização de dívidas até novembro de 2008. Os contribuintes com débitos entre dezembro de 2008 a dezembro de 2009, para entrar no Simples, foram obrigados a acertar suas contas à vista ou pedirem a diluição da dívida nos parcelamentos convencionais, de até 60 meses.
Desde que entrou em vigor, no dia 1º de julho de 2007, até dezembro do ano passado, o Simples Nacional arrecadou R$ 59,43 bilhões. Em 2009, a arrecadação por meio deste regime totalizou R$ 26,83 bilhões. Hoje, fazem parte do sistema 3,4 milhões de empresas.

Enfermeiros migram para segurança do trabalho

JORNAL DO COMMERCIO BRASIL - CARREIRAS - SÃO PAULO - 05/02/10 - Pg. B16

Maior qualidade de vida e menor carga de trabalho são os dois grandes atrativos que levam enfermeiros e técnicos de enfermagem para a área de segurança do trabalho, assegura a especialista em saúde do trabalhador e professora da pós-graduação em enfermagem do trabalho da Unisuam, Kátia Calegaro.
"A realidade hoje do enfermeiro, por exemplo, é ter dois ou três empregos em sistema de escala. Essas pessoas acabam trabalhando demais, a produtividade delas cai e acabam realizando um trabalho muito ruim. Por isso, esses profissionais veem na enfermagem do trabalho a solução para seus problemas de qualidade de vida. Trabalham apenas 30 horas semanais e tem horário livre para resolverem seus problemas pessoais", explica.
Com a crescente contratação na área da construção civil impulsionada pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), no setor de petróleo e gás, por causa do Pré-Sal, e de projetos como o da Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), a demanda por esses tipos de profissionais irá certamente aumentar, pois a legislação trabalhista obriga as empresas a contratarem determinado número desses profissionais por quantidade de trabalhadores com carteira assinada, afirma o coordenador do curso de enfermagem do trabalho do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial do Rio de Janeiro (Senac Rio), Manoel Messias.
A norma regulamentadora 4 do Ministério do Trabalho, determina que "a gradação do risco da atividade principal e o número de trabalhadores efetivos são os parâmetros responsáveis pelo dimensionamento destes serviços (de segurança do trabalho)". Segundo a norma, a partir de 50 funcionários, as empresas com grau de risco quatro (o maior deles, que é usado para classificar indústrias de base, por exemplo) têm que começar a contratar médicos do trabalho. Companhias que trabalham com serviços de escritório e processos administrativos, que tem grau de risco um, só precisam contratar esses profissionais quando tiverem mais de 501 trabalhadores.
Ainda segundo a norma, caso a empresa possua, em um canteiro ou frente de obra, mais da metade de seus trabalhadores expostos a atividades cuja gradação de risco seja maior que a da atividade principal, seus serviços de segurança e medicina do trabalho deverão ser dimensionados de acordo com o maior grau de risco. Caso não cumpra as exigências, a companhia está sujeita à multa.
Messias aponta que o curso técnico de enfermagem é a segunda especialização mais procurada no Senac. Ele explica que o profissional dessa área é fundamental para manter a higiene do ambiente de trabalho, ajudar em ações de prevenção (como campanhas de vacinação), efetuar pré-consultas e exames periodicos. "Vejo o mercado de segurança do trabalho como muito promissor", diz. De acordo com o coordenador, os técnicos de enfermagem recebem salários que variam entre R$ 720 a R$ 4,1 mil, dependendo da área. As menores remunerações hoje são da construção civil e as maiores para a área de petróleo e gás, garante Messias.
oferta. Já na área de enfermagem do trabalho, há profissionais além do número de vagas disponíveis, afirma Kátia. "Quando comecei na área (2002), realmente o mercado de trabalho fervilhava. Todos que entravam nessa especialização saíam empregados. As universidades então perceberam a demanda e começaram a lançar mais cursos para o setor e hoje quase todas as públicas e todas as privadas têm especialização em enfermagem do trabalho. Com a criação da norma regulamentadora 32, que levanta uma série de questões para sanitizar o ambiente corporativo, a demanda por profissionais irá aumentar. No entanto, pesquisas continuam mostrando ambiente insalubre nas companhias mas as empresas passaram a buscar mais conhecimento sobre ergonomia no ambiente de trabalho. As pessoas estão mais conscientes sobre a necessidade de fazer prevenção de acidentes", revela.
O salário depende da área. Segundo Kátia, a indústria de petróleo e gás tem remuneração média acima de R$ 3 mil, já a construção civil varia de R$ 2,5 mil e R$ 3 mil. Os serviços de saúde (hospitais, clínicas) pagam cerca de R$ 1,8 mil. Ainda segundo Kátia, os enfermeiros de trabalho pode exercer diversas funções. Em plataformas de petróleo, por exemplo, há necessidade de atendimentos emergenciais, o que não ocorre em empresas de telefonia, que pedem elaboração de projetos de saúde. "As funções dependem muito do lugar de trabalho", resume.

Salário cai nas microempresas

JORNAL DA TARDE - SEU BOLSO - SÃO PAULO - 05/02/10 - Pg. B6

Pequenas empresas puxaram os empregos de 1989 a 2008, mas renda do trabalhador recuou
A confecção Vitória, quando abriu as portas em 1985, empregava apenas uma pessoa: Alberto Pinheiro Cardoso, dono do negócio. “Era uma empresa pequenininha, mas rendia o suficiente para que eu oferecesse uma vida confortável para minha família”, conta Cardoso, agora com 54 anos. Hoje, ele tem nove empregados. “Estamos bem, não posso reclamar. Mas já teve épocas em que eu tinha menos funcionários, mas conseguia oferecer um salário melhor para eles.”
O empreendimento de Cardoso ilustra bem o cenário retratado pela pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre micro e pequenas empresas (com até dez funcionários). O estudo, divulgado ontem, mostra que os negócios de pequeno porte foram, de 1989 a 2008, os grandes criadores de postos de trabalho no Brasil (veja quadro). Em contrapartida, a pesquisa revela que o rendimento médio dos empregados das pequenas empresas diminuiu de lá para cá.
O Ipea justifica as mudanças pela própria trajetória da economia nos últimos 20 anos. Para o Instituto, quando o desemprego no Brasil se acentuou (em especial na década de 1990), abrir uma empresa se tornou uma estratégia de sobrevivência. O trabalhador que perdeu seu posto na grande empresa encontrou nos negócios de pequeno porte um refúgio - seja como patrão ou como empregado. Porém, no novo posto, era mais comum que o salário oferecido fosse mais baixo.
“A pesquisa mostra que a microempresa é um ‘colchão social’ no Brasil, ela é uma geradora de renda e, nas épocas mais difíceis, ajuda a diminuir o desemprego no País”, diz Pedro Gonçalves, consultor do Sebrae-SP.
Porém, os analistas avaliam que o cenário retratado pela pesquisa já está ficando para trás. “Com o crescimento da economia e o aumento da escolaridade dos empreendedores, há um ganho na qualidade das empresas que são abertas. Com isso, além de terem mais chance de dar certo, também criarão mais empregos e os funcionários poderão crescer junto com a empresa”, diz Ricardo Torres, professor da Brazilian Business School.
Para Luiz Eduardo Ferreira, professor da Fundação Dom Cabral, o crescimento da economia já provoca falta de mão de obra. “E quando a oferta de trabalhadores é menor do que a demanda, é natural que as empresas paguem salários maiores para poder encontrar gente no mercado. Por isso, podemos dizer que as notícias para quem é funcionário de uma microempresa são hoje muito animadoras”, garante Ferreira.
O QUE FAZER
Os especialistas afirmam que o emprego nos negócios de pequeno porte vai continuar crescendo, e os salários também
Para quem é proprietário, a dica é valorizar os funcionários atuais, pagar salários adequados às suas funções e, sempre que possível, oferecer treinamento. Tudo para evitar que os talentos migrem para outra empresa
Para quem é funcionário, é hora de estudar. Com qualificação e mais oportunidades no mercado, ampliam-se as chances de conseguir aumentar sua renda
Maioria dos pedidos de falências é de pequenas
Em janeiro, 68% dos pedidos de falência foram feitos por micro e pequenas empresas, aponta o Indicador Serasa Experian de Falências e Recuperações, divulgado ontem. Dos 132 requerimentos registrados no mês, 90 foram feitos pelos negócios de pequeno porte.
As micro e pequenas empresas sempre foram maioria nos pedidos de falência - seja pela ausência de planejamento, pela falta de capital de giro ou por outros fatores que costumam fazer das pequenas as mais sensíveis a mudanças de cenário. Porém, a última vez que o indicador da Serasa Experian mostrou que elas respondiam por 68% dos pedidos foi em novembro de 2008. De lá para cá, a participação havia diminuído.
A culpa, mais uma vez, recai sobre a crise econômica. “Com a crise, os bancos secaram o crédito para as empresas de todos os portes. As grandes ainda conseguiram se segurar com suas próprias reservas, já as pequenas enfrentaram mais dificuldades”, afirma Carlos Henrique de Almeida, assessor econômico do Sebrae-SP. “E quando os bancos voltaram a emprestar, eles atenderam primeiro as grandes empresas. As pequenas foram socorridas num segundo momento. Para muita gente, era tarde demais.”
As vítimas da crise ainda estão sendo contabilizadas. Em janeiro, foram decretadas 69 falências (63 de micro e pequenas, e seis de médias empresas), acima dos 61 notados no mesmo mês de 2009. As grandes empresas, por sua vez, não tiveram nenhum colapso em janeiro de 2010, comprovando que deixaram, definitivamente, a turbulência econômica para trás.
Para Sandra Fiorentini, consultora do Sebrae-SP, daqui para frente as coisas devem melhorar. “O bom momento da economia vai ajudar, mas as empresas precisam trabalhar melhor seu planejamento para que, em momentos de crise, elas não fiquem tão vulneráveis como ficaram desta vez”, afirma Sandra.

Salário com valor incerto

CORREIO BRAZILIENSE - ECONOMIA NO DF - BRASÍLIA - 03/02/10 - Pg. 28

Servidores e professores da Universidade de Brasília estão inseguros e aflitos por não saberem quanto receberão no fim de cada mês. Persiste a polêmica em torno da URP, uma gratificação paga há quase 20 anos
Diego Amorim
Professores e servidores da Universidade de Brasília (UnB) estão apreensivos com a possibilidade do corte definitivo da Unidade de Referência de Preços (URP)(1), uma gratificação de 26,05% incorporada aos salários há quase 20 anos. No contracheque relativo a janeiro, todos os funcionários tiveram perdas, sendo que cerca de 500 deles não receberam nada da URP, o que representa de R$ 300 a R$ 2,5 mil a menos no salário, a depender do cargo e do tempo de trabalho na universidade. A situação atinge principalmente os que entraram na instituição após setembro de 2008.
A folha de pagamento da UnB é processada pela Secretaria de Recursos Humanos da instituição, porém liberada pelo Ministério do Planejamento. Os dois órgãos alegam que o problema em janeiro ocorreu por questões técnicas e garantem que os valores não pagos este mês serão compensados no contracheque relativo a fevereiro. A partir de março, no entanto, não existe garantia alguma de que a URP continuará sendo paga. A indefinição reacende a possibilidade de nova greve. Em dezembro último, essa confusão levou os funcionários a cruzarem os braços por 15 dias.
A URP está no centro de uma batalha judicial. Em setembro do ano passado, o Tribunal de Contas da União (TCU) determinou a suspensão do pagamento dos valores referentes a ela. No mês seguinte, a Associação dos Docentes da UnB (AdUnB) provocou o Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o assunto e, em liminar, a ministra Carmen Lúcia decidiu que o pagamento deveria continuar sendo feito até que o tribunal julgue o mérito do processo, o que não tem data para ocorrer.
Desentendimento
O atraso nos pagamentos é reflexo da falta de consenso quanto ao alcance da decisão judicial. UnB e Ministério do Planejamento não se entendem sobre quem tem o direito de receber a URP. Para a Reitoria da UnB, a ministra do STF indicou que todos devem continuar recebendo a gratificação. “Queremos continuar pagando, mas não depende só de nós. Quem libera o pagamento é o ministério”, afirma o chefe de gabinete da Reitoria, Paulo César Marques. O ministério prepara um parecer sobre a polêmica, porém, por meio da assessoria, adianta o entendimento de que a liminar do STF responde a uma ação dos professores e, portanto, deveria valer somente para essa categoria.
Em meio ao imbróglio jurídico, o certo é que a universidade não tem conseguido lançar a URP de todos os funcionários no sistema do ministério que processa os pagamentos. Assim, o salário dos funcionários da UnB virou uma incógnita a cada mês. “Está claro que não é um problema operacional, mas, sim, político. Só que ninguém quer assumir a culpa de desobedecer a uma ordem judicial. A liminar do STF determinou que o pagamento continue. Essa situação caótica que estamos vivendo é inconcebível”, comenta o presidente da ADUnB, Flávio Botelho.
A área jurídica da associação prepara diversas ações para garantir o pagamento da URP. No fim do ano passado, a greve da categoria foi suspensa porque houve a garantia de que os atrasos no pagamento não se repetiriam. Agora, a paralisação volta a ser encarada como uma das alternativas. “A revolta é grande, mas não podemos decidir nada nas férias, muitos professores estão viajando”, pondera Botelho. A volta às aulas na UnB está marcada para 8 de março.

Profissionais afundam a mão

CORREIO BRAZILIENSE - ECONOMIA NO DF - BRASÍLIA - 03/02/10 - Pg. 36

Trabalhadores especializados subiram os preços, em média, acima da inflação no Distrito Federal em 2009, com destaque para os estofadores, que elevaram em 29,43% o conserto de sofás e poltronas
Mariana Flores
Ter a renda média mais elevada do país(1) significa um peso aos moradores da capital. Os preços dos serviços, que costumam ser mais caros do que em boa parte do país, têm reajustes elevados na cidade. No ano passado, de 27 atividades de prestação de serviços pesquisadas pelo Correio, com base em dados do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA)(2), 26 encareceram mais do que em 2008. E destas, 14 superaram a inflação média da cidade no período que ficou em 4,92%, de acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os consertos de eletrodomésticos e eletroeletrônicos, por exemplo, aumentaram 10,36%. Na média nacional, o reajuste foi menor: 4,54%. Os serviços de saúde subiram 6,42% em todo o país e em Brasília, 6,58%. Os serviços pessoais ultrapassaram a média nacional (7,50%) e foram reajustados em 8,12% na capital federal.
“O poder aquisitivo elevado de Brasília faz com que os prestadores de serviços se sintam à vontade para aumentar os preços acima da média. Chegamos a um extremo. Hoje, os flanelinhas sabem mais sobre os reajustes dos servidores públicos do que os próprios servidores. O governo libera um aumento para uma categoria e eles passam a cobrar mais caro dessas pessoas”, afirma o diretor do curso de economia da Universidade Católica de Brasília (UCB), Ricardo Coelho.
Os estofadores foram os que mais reajustaram o valor dos serviços, que, na média nacional, tiveram uma elevação de 5,47% em relação a 2008, contra 29,43% em Brasília, de acordo com o IBGE. O aumento de 10,36% nos consertos de eletrodomésticos e eletreletrônicos foi uma tentativa dos profissionais para garantir a sobrevivência da atividade. Entre os muitos concorrentes, um dos maiores foi a redução dos preços dos aparelhos novos, o que incentivou os consumidores a optarem pelo lançamento e ignorarem a possibilidade de reparo dos equipamentos antigos.
Além da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) nos eletrodomésticos, nos últimos anos o setor de consertos tem sido prejudicado pelo aumento da oferta de crédito, pela queda dos juros e pelo prolongamento dos prazos de financiamento, segundo informações de representantes do Sindicato da Reparação e da Manutenção de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos. O conserto de bombas d’água e os reparos residenciais ficaram, respectivamente, 4,79% e 2,73% mais caros no ano passado. Quem precisou fazer reforma ou construir, arcou com reajuste médio de 8,42% na mão de obra da construção civil. Com o boom imobiliário, o setor encontrou mais facilidade na hora de negociar os reajustes da categoria, em maio do ano passado.
Andar de táxi ou de transporte escolar também está mais caro. Os taxistas estão cobrando, em média, 20,51% mais. Os motoristas de transporte escolar, 9,39%. Os custos de manter ou consertar os veículos subiram, mas abaixo dos 4,92% da média da inflação. Os mecânicos cobram 4,90% mais. Os pintores de veículos, 4,77%. O serviço de emplacamento e licenciamento de automóveis teve um reajuste de 3,30% em 2009. Mas o seguro facultativo de veículo teve uma queda de 3,77% em relação a 2008, segundo o IBGE.
Cuidados próprios
Tratar da saúde e da aparência pessoal está demandando mais do bolso dos brasilienses. O valor cobrado pelos hospitais subiu 10,81%, em média. Quem vai fazer uma cirurgia está gastando 12,31% mais. Os serviços médicos subiram 7,79%. Fazer um eletrodiagnóstico ficou 5,40% mais caro, e pagar um plano de saúde, 6,42%. Os tratamentos psicológicos e fisioterápicos estão 4,87% mais onerosos que há um ano. Os exames de laboratório, 3,71%. Os dentistas foram os que menos reajustaram os preços. O tratamento dentário está custando apenas 1,57% mais. Os tratamentos estéticos também ficaram mais caros. Em média, os serviços pessoais ficaram 8,12% mais elevados. “Os serviços de beleza não foram prejudicados com a crise econômica. É um setor privilegiado porque as pessoas se preocupam cada vez mais em estar bem-cuidadas para o mercado de trabalho e, com isso, temos liberdade para recompor preços”, afirma a presidente do Sindicato de Salões e Institutos de Beleza, Barbeiros, Cabeleireiros do Distrito Federal, Elaine Furtado.
O reajuste médio das costureiras foi de 1,35% no ano passado, mas algumas conseguiram aumentar mais. A profissional Elenilda de Mesquita, 41 anos, reajustou, em média, em 5% seus preços, conta. Segundo a moradora da Ceilândia, o aumento de preços foi necessário para cobrir custos da produção e a melhoria na qualidade do serviço oferecido.
Há sete anos no mercado, ela se formalizou como microempreendedora individual há alguns meses, o que lhe abriu a possibilidade de oferecer nota fiscal e aceitar pagamento com cartão de crédito. “Faço pesquisa de mercado para acompanhar os preços e vi que eles não caíram. Como melhorei a qualidade do meu produto e do meu serviço, aumentei em torno de 5% os preços da costura sob encomenda. Sei que meu acabamento é bom, então posso aumentar”, afirma.

Apagão de mão de obra especializada preocupa gestores

CANAL RH - WEB - 19/01/10

Diz o ditado que depois da tempestade vem a bonança, mas a máxima não se aplica ao cenário visto pelos gestores das equipes de recursos humanos em 2009. Depois de se esforçarem para minimizar os impactos da crise mundial nos quadros de funcionários evitando cortes desnecessários, eles se veem agora, com a economia do Brasil melhorando, na expectativa de não ter mão de obra qualificada disponível para enfrentar o desafio do crescimento econômico. “Pode haver eventuais dificuldades para encontrar profissionais com alta qualificação e prontos para responder às demandas do negócio; até por conta disso, esta disputa pode inflacionar salários, mas em um movimento mais voltado para incentivos de curto prazo”, afirma o diretor de Desenvolvimento Humano e Organizacional do Grupo Schincariol, Américo Garbuio Junior. A Federação Nacional dos Engenheiros também está preocupada com o apagão de mão de obra e está realizando uma campanha a fim de atrair jovens para a engenharia.
Em períodos instáveis como os que o País enfrentou no ano passado, os setores de vendas e produção se tornam foco das atenções dos executivos e empresários. Contudo, segundo a diretora de Recursos Humanos da OdontoPrev, Rose Gabay, os Departamentos de Gestão de Pessoas também não passam incólumes aos desafios das crises: “A tensão dos mercados no início de 2009 exigiu do RH novas formas de reter pessoas e manter o engajamento dos colaboradores em um cenário de contenção de custos e instabilidade. Creio que o RH teve avanços na revisão das prioridades organizacionais”.
Garbuio Junior confirmou a necessidade de preservar o colaborador na equipe mesmo durante o período de vacas magras: “A área de RH precisa efetivamente ser vista como um parceiro de negócios; tem de possuir a habilidade de estar inserida nos principais programas e nas decisões estratégicas da empresa”. Deve agir, segundo ele, efetivamente no desenvolvimento organizacional e proporcionar sempre um ambiente inovador e de aprimoramento contínuo de pessoas.
Fidelização profissional
Segundo ele, na perspectiva de um cenário com carência de profissionais de alta qualificação, a área deve alertar para o compromisso de fidelizar os profissionais e de atrair os principais talentos criando uma base sustentável de conhecimentos e de competências. E, acrescenta Garbuio Junior, estar atento aos principais temas e inovações é essencial e vital para os recursos humanos.
O diretor do Grupo Grupo Schincariol atribuiu ao modelo de gestão parte dos bons resultados de algumas empresas durante o período da crise financeira mundial. “Posso afirmar que o grande avanço dos processos de gestão em 2009 foi a sensibilização para a importância de contar com excelentes práticas na gestão de pessoas para superar crises e estabelecer oportunidades e grandes conquistas. É notório que as organizações mais preparadas e estruturadas na gestão de pessoas passaram de uma maneira mais amena ou menos impactante pela crise financeira que assolou o mundo inteiro.”
E completou “A grande lição é que investir em pessoas, no desenvolvimento delas e na retenção do conhecimento é um diferencial competitivo valioso e que jamais deve ser desconsiderado. Ignorar e não utilizar o conhecimento instalado dentro da organização será um grande erro estratégico”.
Os executivos apontaram que as dificuldades de 2009 permitiram o aprimoramento de administração e processos, sendo que os modelos de gestão mais participativos e interativos terão prevalência em 2010. Segundo eles, buscar uma visão generalista e estratégica trará possibilidade compartilhar cenários, soluções e conhecimentos fundamentais para a sustentabilidade dos negócios.
Precisa-se de engenheiros
Pré-sal, hidrelétricas, sistema ferroviário, mobilidade urbana, habitação, saneamento e ainda Jogos Olímpicos e Copa do Mundo! A agenda de investimentos públicos e privados no Brasil nos próximos anos é extensa. Mas um desafio maior que a falta de uma ponte ou estrada, de um porto ou linha de transmissão, é a falta de gente especializada para fazê-los. O Brasil tem cerca de 800 mil engenheiros registrados, e forma novos 20 mil por ano. E isso é muito pouco. Há cerca de seis engenheiros para cada grupo de mil brasileiros economicamente ativos, enquanto em países desenvolvidos, como Estados Unidos e Japão, eles são 25.
Esse número baixo ainda não leva em conta outro fenômeno bem conhecido por quem trabalha nas áreas administrativas e no setor financeiro: o grande número de engenheiros que não estão se dedicando a projetos dentro de sua especialidade, mas que migraram de profissão. “O baixo crescimento e poucos investimentos durante um longo período infelizmente acabaram por afastar os profissionais da área”, diz o presidente da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), Murilo Celso de Campos Pinheiro.
A Federação acredita que é preciso pelo menos dobrar o número de formandos nos próximos anos, e para isso criou um programa de incentivo para que os estudantes optem pela profissão na hora do vestibular. A FNE produziu uma série de vídeos sobre o trabalho dos engenheiros e as perspectivas de mercado, com depoimentos de recém-formados que obtiveram sucesso, para serem exibidos nas escolas de todo o País. “A ideia é chegar a 40 mil formandos por ano, o que seria um número razoável”, diz Pinheiro. Ele acredita que com um esforço maior para atrair novos talentos e as próprias oportunidades que o mercado vai oferecer o Brasil pode ter profissionais em número suficiente.
A consultoria britânica Michael Page, com cinco escritórios no Brasil, apostou nesta tendência e criou uma divisão para encontrar engenheiros e repô-los em grandes empresas. Ela está subdividida nas áreas de manufatura, construção civil e logística. No Rio de Janeiro, há ainda um departamento específico de petróleo e gás, para de atender à demanda da Petrobrás e de seus fornecedores. A empresa promove a recolocação de cerca de 50 engenheiros por mês.
“Depois de uma pequena parada no primeiro semestre de 2009, por causa dos efeitos da crise, a retomada da procura foi muito forte”, diz Augusto Puliti, gerente executivo das Divisões de Engenharia da Michael Page. Ele percebe que, em algumas áreas, os salários já começam a mostrar sinais de aquecimento. “Tem casos em que um engenheiro júnior está ganhando salário de sênior, quando não tem outro.”
Puliti – engenheiro por formação – afirma que a tendência veio para ficar. Na consultoria, a área mais aquecida no momento é a da construção civil, que já vinha demandando profissionais para imóveis de alto padrão e recentemente ganhou um novo impulso com o financiamento de casas populares do programa do governo federal Minha Casa, Minha Vida. Mas, as apostas não param por aí: “As expectativas são grandes na área de energia, meio ambiente, qualidade, manufatura e logística”, afirma o executivo.

Observações:

O conteúdo das matérias aqui divulgadas são de inteira responsabilidade dos veículos que as publicaram. A ABRH-Nacional não tem qualquer controle ou responsabilidade sobre o conteúdo divulgado.

 

A ABRH-Nacional respeita a sua privacidade e é contra o spam na rede. Este e-mail foi enviado por estar cadastrado em nosso banco de dados, por sua participação em atividades da ABRH-Nacional, pesquisa no site, ou a requerimento. Caso não tenha mais interesse em receber os comunicados diários do clipping, solicitamos por gentileza que encaminhe um e-mail para clipping@abrhnacional.org.br





Patrocínio de Gestão

 
 
Parceiros
 
  Página Inicial      A ABRH      Parceiros      Imprensa      Plano de Ação     Produtos e Serviços      Publicações      Associados      Regionais      Contatos
 
 Av. Tancredo Neves, n. 3343, Ed. CEMPRE, Bloco B, Salas 508/509, CEP - 41820021, Salvador - Bahia, Tel: 71 3341-0820 e 3341-0877