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Treinamento: A Arte Começa no Detalhe
Uma das importantes áreas do departamento de Recursos Humanos de uma empresa é a de treinamento. Esta área, na teoria, tem o papel de tornar as pessoas mais habilidosas para lidar com os desafios diários de suas funções e atingir os objetivos organizacionais. Mas a grande questão é: como ter efetividade em um processo de treinamento? Foi pensando nessa pergunta que dia desses, a convite de uma instituição de ensino de Salvador e representando a ABRH-BA, participei de uma conferência que discutiu esse assunto.
O primeiro ponto que temos que ter em mente é que “treinamento não é entretenimento!” Como assim? Desenvolver pessoas tem que ter objetivos claros e resultados mensuráveis. O sentimento final após uma formação deve ser positivo, sim. Porém, uma resposta que tem que ser dada no final é: o que agregamos para a organização, de uma forma mensurável, resultado desse investimento de tempo e dinheiro? Caso contrário, é melhor mandar a equipe para o cinema ver um filme ou em quem sabe assistir uma peça de teatro.
Partindo daí, o que temos pela frente é lidar com a atitude de quem participa do processo. Uma atitude alinhada aumenta a performance do trabalho, diminui possíveis resistências e retém o aprendizado com mais facilidade. Gestores e treinadores têm que ficar atentos a todas as etapas que antecedem à formação, que vão desde como o convite é feito, a escolha do local, horário, data, recursos, dentre outros fatores. Tudo isso contribui, ou não, para o sucesso da atividade.
Mas, e se houveram erros nessa parte, o que fazer? Mesmo que tudo que antecede um treinamento seja bem feito e as pessoas cheguem com uma atitude alinhada, também cabe ao instrutor, treinador, facilitador ou qualquer outro nome do líder da atividade, fazer com que as pessoas queiram, sintam a necessidade e estejam seguras para fazê-la. A palavra que define esse momento chama-se venda. Isso mesmo, é preciso fazer com que as pessoas comprem, que elas digam ou pensem: — Eu quero fazer isso! Essa etapa é facilmente cumprida se houver um entendimento da realidade das pessoas e, com isso, seja apresentado a elas o porquê e quais benefícios elas terão em realizá-la. Adultos, além de precisarem saber o que vão fazer, têm que querer fazer e estarem convencidos de que aquilo faz sentido. Caso a atividade seja bem vendida, as resistências poderão ser minimizadas e a atitude mais adequada para o aprendizado é obtida.
Esses são pontos que, alguns podem chamar de básicos, mas eu os chamaria de fundamentais, essenciais. É óbvio que, se o conteúdo e a dinâmica forem inadequados, nada disso tem importância. Para ilustrar isso, tem uma passagem que ouvi certa vez sobre a conversa entre um discípulo e um mestre, um famoso pintor. Após pintar o quadro o discípulo mostrou ao mestre e pediu que ele olhasse e fizesse as modificações que achasse necessárias. O mestre olhou e percebeu que o quadro tinha técnica, demonstrava perícia de seu discípulo. Após um tempo, ele pegou o pincel e fez apenas alguns traços. O discípulo olhou para a tela e disse: — Como pode? Fazendo tão pouco você conseguiu mudar a obra dessa forma, tornado-a muito melhor?! O mestre respondeu: — Eu alterei apenas alguns detalhes como você viu. O ponto é que: é no detalhe que começa a arte.
Pois é, observando todos os detalhes que uma atividade de treinamento exige, aumentamos a chance de torná-la de boa para excepcional.
Artigo publicado no Jornal Correio da Bahia no dia 10/07/2010.
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Cezar Almeida
Diretor Financeiro da ABRH-BA, é especialista comportamental, instrutor de programas de treinamento empresarial e diretor da Dale Carnegie Training na Bahia. Economista com mestrado em desenvolvimento regional, professor de cursos de MBA nas áreas de negociação e comportamento organizacional. Também é diretor de Câmara Portuguesa de Comércio na Bahia e Ouvidor Assistente do CRC-BA.
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E-mail: financeiro@abrhba.combr
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