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Muito temos ouvido e lido sobre a tão falada crise econômica mundial, já deixando o campo da retórica, desembocando em redução da atividade produtiva e com conseqüências na redução dos postos de trabalho, negociações sindicais para manutenção dos empregos, dentro de toda essa lógica que a globalização e o encurtamento do mundo nos trouxeram. A depender da área de conhecimento e do “mapa mental” de cada um, a leitura desse momento, as raízes da crise e as suas soluções passam por um infindável mundo de possibilidades. Como militei durante 16 anos na área financeira, com formação em Economia e Finanças, e encontrando-me nos últimos 16 na área da Psicologia Organizacional e do Comportamento Humano, como Consultor Organizacional, resolvi escrever alguma coisa sobre tudo que tenho ouvido e lido, sempre com esse olhar pouco ortodoxo – uma máquina financeira numa mão e o olhar sobre os sentimentos e comportamentos do homem. Eu costumava comparar a área financeira das empresas a um funil – o que fosse produzido pelas demais áreas, pelas pessoas, desembocaria no Departamento Financeiro, entre as suas operações e registros. A produção passa, naturalmente, pela lei de oferta e procura, regras de mercado, política pública, educação, saúde, segurança, níveis de consciência dos seus participantes e valores. Como dizia o filósofo contemporâneo Vicente Mateus, ex - Presidente do Corinthians “o difícil não é fácil”. É triste e duro, ouvir um depoimento de um pai de família, que depositava a sua vida em um emprego, cuja formação era, até então, específica e especializada em uma função, com carnês de pagamento na mão, referindo-se à perda do emprego e o sentimento de perda do seu chão. Mais ainda quando uma cidade ou lugarejo depende fundamentalmente de uma empresa privada que sofre a reboque da crise e lança mão do desemprego em massa. O macro e o micro andam de mãos dadas, não dá para fazer como a avestruz, que coloca a cabeça no buraco para não ver o perigo. Nesse momento, é importante que as associações de classe possam contribuir com a sua visão para a solução dos problemas, não esquecendo de que a verdade é a sua experiência, o seu ponto de vista, mas que existe a verdade do outro. A discussão não é mais entre capitalismo e socialismo, ciência ou religião, mas uma necessidade absoluta de entendermos a interdependência e a necessidade de inclusão para encontrarmos soluções – do micro para o macro, do individual para o coletivo. Não há dúvidas de que vivemos uma crise de valores que não pode ser perdida de vista, essa pode ser a grande oportunidade que essa crise econômica nos traz. O Professor Cid Teixeira, grande historiador baiano, nos diz do alto da sua sabedoria que “o povo que não conhece a sua história está fadado a repeti-la”. Quando “os fins justificam os meios”, as conseqüências são imprevisíveis, mas o tempo e a natureza são implacáveis. Que mundo queremos deixar para os filhos dos nossos filhos? Ações de políticas públicas, educação, segurança e saúde, revertem o quadro de um país, como sabemos. Dentro das organizações, existe um outro paradoxo que precisa ser repensado. Quando tudo vai bem, investe-se no desenvolvimento das pessoas para crescer, desenvolver. O Aurélio diz Desenvolver – fazer crescer; aumentar; alargar-se; progredir; instruir-se. Quando aparece uma crise (mesmo as menores), cortam-se tudo, a começar pelos programas de desenvolvimento de pessoas, para em seguida cortar gente. Já tive oportunidade, quando atuava em empresas e mesmo agora como Consultor, de ouvir comentários do tipo “preferimos cortar a verba de treinamentos para evitar demissões”. Acaba virando a “crônica de uma morte anunciada” – não treinamos, não desenvolvemos, não crescemos, logo demitimos... Peter Drucker, o mestre em Administração disse: “em tempos de prosperidade uma empresa deve duplicar o investimento de capacitação, em tempos de crise deve quadruplicá-la, porque precisará de mais habilidades ainda para produzir os mesmos resultados obtidos nos bons tempos”. Por tudo que temos visto, é certo que não sairemos os mesmos dessa grande crise. E é pouco reduzi-la a um rótulo de “crise financeira”. Como estão os nossos valores? Valores humanos declarados e enquadrados nos quadros e murais das empresas e repartições públicas não valem nada se não forem praticados. A ampliação das nossas consciências e a revisão de valores, entretanto, será de fundamental importância e deve ser colocado nessa grande mesa de negociação em que estamos inseridos. “A negociação é a arte da vida”! É preciso que cada parte conheça e explicite os seus reais interesses e necessidades, para a partir daí, criar-se um campo de benefícios mútuos. A faixa de Gaza é apenas um espelho e não dá mais para ficar apenas assistindo pela televisão...
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Antonio Luiz Amorim
Economista, Pós Graduado em Administração Financeira e Psicologia Organizacional. Experiência profissional de mais de 20 anos, nas áreas Financeira, Administrativa e de Recursos Humanos com liderança de equipes em grandes empresas. Palestrante em temas ligados ao campo do Desenvolvimento Humano e Organizacional.
Consultor Organizacional associado à Marcondes & Consultores , Trainer com formação na metodologia The Human Element®, pela Bcon WSA International.
Professor em cursos de MBA e Pós-Graduação. Presidente do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira de Recursos Humanos - ABRH-BA e Diretor da Unipaz-BA.
Autor de "Construindo Pontes: 10 passos do Aquário(emprego) para o Oceano(trabalho), Ed. Qualitymark, lançado no Conarh/08-SP. Escritor e poeta com 09 livros publicados
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E-mail: amorim@antonioamorim.com.br
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