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Se observarmos a situação dos trabalhadores que estão na informalidade, no Brasil, chegaremos à conclusão que o trabalho organizado está com seus dias contados e que os Sindicatos estão perdendo a capacidade de oferecer proteção aos trabalhadores, no mundo todo e no Brasil.
Em nosso país, os Sindicatos atualmente têm como maior preocupação impedir que as coisas piorem; lutam para que sejam mantidas as conquistas, mas sem evidenciar ações de longo prazo.
Da Revolução Industrial até bem pouco tempo, década de 90, as grandes empresas não faziam grandes alterações na organização do trabalho sem negociar com os sindicatos. No Brasil a situação se modificou por completo a partir da década de noventa com a abertura do mercado de forma abrupta, sem nenhuma proteção às indústrias.
Com a globalização e a competição desenfreada entre países com avanços sociais significativos e países que têm as relações de trabalho próximas da escravidão, sem direitos básicos para seus trabalhadores, o mundo do trabalho sofreu impactos ainda não dimensionados pela área de Recursos Humanos que também está sendo encolhida, e se sente, cada dia, mais limitada.
Organismos internacionais como a ONU, OIT, OMC deveriam exigir condições mínimas de trabalho de todos os países para que eles pudessem participar do livre comércio internacional. Por que não o fazem? Os Estados Unidos são um dos piores empregadores do mundo, em termos sociais. A mulher americana não tem licença maternidade remunerada, não dispõe de tempo para amamentar o filho, só para citar alguns exemplos. E o que fazem lá os Sindicatos para mudar esta realidade?
A área de RH nasceu e se desenvolveu na esteira do movimento sindical. Com a organização dos trabalhadores em sindicatos, os empresários tiveram necessidades mais evidentes de se prepararem para enfrentar aquela nova realidade e a estratégia foi o desenvolvimento da área de Recursos Humanos.
Hoje, com o enfraquecimento dos sindicatos e a pouca perspectiva de que este quadro se modifique, a área de RH deve repensar o seu papel. O Sindicalismo está morrendo. A área de RH vai morrer junto?
O grande número de desempregados e de trabalhadores no mercado informal aniquilou o sindicato. Desempregados não têm sindicato e subempregados não têm poder de mobilização. Por outro lado, a automação, com Robôs inteligentes vem atacando um outro ponto fundamental para a sobrevivência de movimentos reivindicatórios: a substituição de empregados em funções mais complexas. Todo mundo sabe que funções mais simples, mais fáceis de serem substituídas não têm poder de pressão, a exemplo do comércio. A força é proporcional à dificuldade de substituição e isto está mudando.
Por outro lado, os jovens nunca tiveram tanta dificuldade de ingressar no mercado de trabalho. Quando entram, não se arriscam mais como os seus pais, partindo para paralisações ao menor apelo sindical. Eles são trabalhadores de uma nova era. Não raciocinam como seus pais e são, pela própria situação da economia do país, muito mais individualistas. O medo de perder o emprego torna o trabalhador mais vulnerável; provoca neutralização da mobilização coletiva.
Hoje o mundo tem cerca de 200 milhões de desempregados. Além disso, a substituição de empregados tem se tornado mais fácil a cada dia. Isto dificulta a ação sindical.
No Brasil, este quadro se agrava devido à situação política. Temos um ex-sindicalista na Presidência da República e as duas maiores Centrais Sindicais estão comprometidas em apoiar o governo. Ambas, a CUT e a Força Sindical, fazem parte do governo, por mais que se diga que são os partidos políticos e não as Centrais.
Temos uma dúvida atroz:
- Como lidar com a estrutura sindical em um processo de mudança desfavorável aos sindicatos?
Uma coisa é certa: o sindicalismo nunca mais será o mesmo e os sindicatos atuais precisam enfrentar a realidade – defender a manutenção das necessidades básicas, já que ganhos significativos são pouco prováveis. Precisam encarar a discussão de uma nova organização do trabalho que será feita com ou sem a participação dos sindicatos.
Hoje a realidade do mundo do trabalho aponta para uma direção até há pouco tempo impensada pelo profissional de RH: o empregado que sofre mais trabalha mais! O medo e a angústia do trabalhador desempregado é uma das piores conseqüências do desemprego.
Atualmente os empregados trabalham mais e recebem menos, se comparados com anos anteriores. Temos de conviver com esta inquietante realidade: o medo se transformando em produtividade!!!
Esta afirmativa pode ser confirmada com as terceirizações, onde os terceirizados substituem os primeiros com salários menores, sem os mesmos benefícios e em condições de trabalho piores. Sem falar que a grande maioria das chamadas “terceiras” não tem em sua estrutura a área de Recursos Humanos.
Se observarmos o sistema bancário, começaremos a entender a nova lógica do trabalho. Até há bem pouco tempo, os bancos abriam suas portas às 10 horas e encerravam o expediente às 16 horas. Isto ainda é verdade hoje, mas através dos caixas eletrônicos, os bancos recebem depósitos, recebem contas, permitem transferências, enfim, continuam com suas principais operações até altas horas da noite, quando não permanecem em operação 24 horas por dia. O atendimento agrada ao cliente e os bancos não precisam pagar horas-extras.
Estamos vendo mudanças de valores e nos acostumamos com elas. Só para citar um exemplo, uma importante revista de âmbito nacional publicou a relação das melhores empresas para se trabalhar no Brasil, em 2007. Uma delas, vencedora, disse com todas as letras que o empregado quando erra três vezes recebe um prêmio! Uma maneira disfarçada de assédio moral, que um dia será cobrado na justiça é passada como se fosse um valor da organização. E os profissionais de RH ainda aplaudem!
Dentro de poucos anos só teremos empresas de RH e Consultores. Profissional desta área dentro das empresas, atuando em posições estratégicas, será coisa do passado.
Grande parte dos profissionais de RH está atuando hoje como se o mundo do trabalho fosse o mesmo de quando eles estavam na Faculdade ou quando se formaram. Estão agindo como o Pianista do Titanic que continuou tocando a mesma melodia com o barco afundando!
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Carlos Pessoa dos Santos
É formado em Administração de Empresas pela FUMEC/BH, com Curso de Especialização em Recursos Humanos na Escola de Administração da Fundação Getúlio Vargas em São Paulo. Exerceu vários cargos gerenciais na PETROBRÁS, foi Superintendente de Administração da PETROQUÍMICA UNIÃO por mais de 10 anos. Foi Secretário Executivo do Sindicato das Indústrias Químicas de Camaçari. É Consultor de Empresas na área de Recursos Humanos e Negociações Trabalhistas e Professor na área de Negociação nos cursos de pós-graduação do CENID (Centro Interamericano de Desenvolvimento) Já ministrou o curso "A Arte da Negociação" em todas as capitais dos Estados brasileiros. Prestou consultoria em negociações coletivas nas seguintes áreas: petróleo, petroquímica, construção civil, ensino particular, saúde, marítima, têxtil, limpeza urbana, mineração, siderurgia, álcalis, química, etc. É um dos fundadores da ABRH-Ba, e Vice-Presidente de Relações Trabalhistas Sindicais da ABRH-Nacional.
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E-mail: pessoa@pessoa-rh.com.br
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